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Elânia Francisca

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Educação menstrual: o que é e por que precisamos dela?

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Imagem: Getty Images
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Elânia Francisca

Elânia Francisca é psicóloga, especialista em gênero e sexualidade e mestra em educação sexual. Realiza atividades educativas, consultoria e supervisão nas temáticas de gênero, sexualidade e direitos sexuais e reprodutivos.

Colunista do UOL

10/12/2021 04h00

Você já deve ter ouvido falar em educação sexual, uma área que se dedica à construção de espaços de diálogo sobre corpo, autocuidado, convivência e saúde. Mas você já escutou o termo educação menstrual?

A educação menstrual se dedica à promoção de processos educativos, lúdicos e informativos sobre ciclos menstruais, conhecimento sobre corpos menstruantes e a busca por políticas públicas que garantam a dignidade menstrual.

É comum encontrarmos pessoas que acreditam que o tema da menstruação deve ser debatido apenas por pessoas que têm útero. Contudo, é importante dizer que a educação menstrual é um processo voltado para todo mundo, seja você uma pessoa que menstrua ou não.

Quando nos negamos a conhecer e debater sobre um tema, ele se torna tabu e vários mitos são criados acerca dele. Não são poucos os relatos de pessoas que acreditam que a menstruação é um sangue sujo que o corpo libera para se limpar. Aliás, você sabia que o termo ficar de "chico" vem de chiqueiro de porcos?

O documentário "Absorvendo o Tabu" traz um pouco da realidade de meninas moradoras de uma vila no meio rural de Delhi, na Índia, a partir da instalação de uma máquina de absorventes biodegradáveis. De acordo com a ONU, 20% das meninas indianas deixam a escola após menstruarem e muitas delas usam folhas secas, panos, areia e cinzas como recurso na ausência de absorventes.

Ao nos depararmos com essas informações, podemos nos horrorizar com a situação de meninas indianas, mas a situação de pessoas menstruantes no Brasil não é muito diferente.

Em maio de 2021, o UNFPA e o Unicef publicaram uma pesquisa intitulada "Pobreza menstrual no Brasil: desigualdades e violações de direitos", na qual foram apresentados dados sobre a situação de pessoas menstruantes em nosso país. Observou-se a existência de um número expressivo de banheiros de escolas públicas que possuem pouco ou nenhum material básico de higiene, como papel higiênico.

"Estima-se que no Brasil 1,24 milhão de meninas, 11,6% do total de alunas, não tenham a sua disposição papel higiênico nos banheiros das escolas em que estudam" (Unicef, 2021)

Ainda nessa pesquisa, ao se fazer a intersecção de raça e gênero, observa-se que "(...) o risco relativo de uma menina negra estudar em uma escola que não tenha acesso à papel higiênico nos banheiros é 51% maior do que para meninas brancas." (Unicef, 2021)

A ausência de materiais básicos de higiene durante o período menstrual é apenas um fator dentro da complexa teia que envolve a pobreza menstrual. Sabemos que a distribuição gratuita de absorventes para pessoas menstruantes em escolas públicas é uma ação muito importante, mas não devemos parar por aí.

É preciso construir e valorizar a existência de espaços que dialoguem com toda a sociedade sobre ciclos menstruais e a importância de políticas públicas que garantam dignidade para corpos que menstruam.

A educação menstrual é um caminho importante para essa construção, pois ela contribui para o rompimento com tabu e derrubada de mitos acerca da menstruação.

Para saber mais sobre a educação menstrual: