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Edmo Atique Gabriel

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que algumas pessoas vivem mais que outras?

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Edmo Gabriel

Colunista do UOL

07/05/2022 04h00

Quem nunca se perguntou por que algumas pessoas jovens morrem prematuramente e também por que as doenças "escolhem" alguns e deixam outros ilesos por muito tempo?

Quando observamos a realidade de nossa própria família, encontramos estas questões curiosas. Um avô que viveu 100 anos e sempre fumou; uma tia que se cuidava com muito rigor e foi vitimada por um câncer ainda muito jovem; a criança que ainda depende dos adultos para praticamente tudo e que não resistiu a uma infecção e faleceu.

São histórias verídicas que retratam esta dúvida que muitas vezes se converte em angústia. Nos dias atuais, sabemos que a expectativa de vida de uma pessoa aumentou, que as pessoas estão envelhecendo e atingindo idades mais expressivas, que os recursos e as terapias estão mais aptas ao sucesso e mais capazes de promover a longevidade. No entanto, ainda convivemos com este impasse acerca da capacidade de se viver mais que outra pessoa.

Do ponto de visto bioquímico, o envelhecimento consiste num processo gradativo, que segue um curso semelhante ao que vemos na natureza —animais e plantas. São fases pelas quais passamos desde o nascimento, sendo que nossos órgãos e estruturas, inicialmente flexíveis e ágeis, tornam-se lentos, estáticos e rígidos.

Porém, este ciclo vital não apresenta um alinhamento tão preciso, especialmente quando comparamos grupos populacionais em diferentes épocas (séculos por exemplo) e em diferentes áreas geográficas do planeta. Desta forma, fica muito claro que uma resposta mais ampla e convincente para o dilema de se viver mais ou menos que outra pessoa não é apenas uma questão de bioquímica.

Analisando cuidadosamente todos os possíveis fatores determinantes da longevidade humana, praticamente nos perdemos numa imensidão de elementos que merecem alguns comentários.

Elemento 1 - ambiente natural

Pessoas que vivem em locais com maior índice de poluição do ar e das águas vivem menos. Mesmo que mantenham uma alimentação saudável, estas pessoas estão convivendo constantemente com o risco de afecções respiratórias e doenças infecciosas associadas ao ambiente contaminado.

Elemento 2 - alimentos

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Imagem: iStock

Sabemos que os hábitos alimentares dos povos orientais costumam ser mais saudáveis em relação ao padrão alimentar ocidental. Enquanto os orientais priorizam alimentos crus e naturais e uma grande quantidade de proteínas e fibras, os povos ocidentais sistematizaram o consumo de gorduras e o excesso de açúcar.

Elemento 3 - temperatura

No planeta, temos áreas extremamente frias e, nas últimas décadas, passamos a conviver com temperaturas tórridas, ou seja, estamos cada vez mais distantes de um equilíbrio térmico necessário a maior sobrevivência dos seres humanos.

Os extremos de temperaturas suscitam diferentes doenças, além de abalar nossa estabilidade fisiológica no dia a dia. Quem nunca se sentiu mal num dia de extremo calor, com uma sensação de fraqueza intensa? Quem nunca se encolheu diante de um frio muito intenso, ficando com dor de cabeça e propenso a infecções virais e pneumonia?

Elemento 4 - estresse

Burnout mulher sorecarregada trabalho estresse - iStock - iStock
Imagem: iStock

O estilo de vida de épocas passadas como também o estilo de vida em cidades pequenas não se assemelha ao estilo de vida da atualidade e sobretudo das grandes cidades. Uma manhã de segunda-feira numa cidade da Toscana na Itália é completamente diferente de uma manhã de segunda-feira em São Paulo ou Nova York.

Em épocas passadas, a vida das pessoas era eminentemente campesina, baseada na produção para o autossustento. O crescimento industrial e o processo de urbanização trouxeram o progresso e também maior número de doenças e maior nível de estresse.

Elemento 5 - imunidade

Muitas pessoas buscam ajuda, ao longo de suas vidas, para implementar ações preventivas em sua rotina. Viver bastante e com qualidade é um desejo de todos nós e, para isto, tomar medidas que garantam a preservação de nossa imunidade orgânica é essencial.

Imunidade não é algo abstrato como parece, envolve hábitos muito bem definidos, como alimentação regrada, hidratação vigorosa, sono noturno reparador e períodos de descanso em meio a rotina de trabalho. Aquelas pessoas que buscam cumprir estes pré-requisitos da imunidade certamente vivem mais e melhor.

Uma única resposta para a questão proposta neste texto seria algo inimaginável. Não há como determinar, de forma absoluta, a real causa ou as causas que determinam o tempo de vida de uma pessoa. Obviamente que existem fatores quase que unânimes, entre eles alimentação saudável e atividades físicas, que favorecem o maior tempo de vida de uma pessoa. Contudo, analisar estes fatores ou qualquer outro, de forma estritamente isolada, pode gerar um perfil equivocado.

Precisamos também levar em conta alguns privilégios genéticos que algumas pessoas recebem de seus antepassados, uma certa resistência maior às doenças, tal como temos visto nesta pandemia da covid-19.

De qualquer forma, quero sugerir aos leitores que não fiquemos preocupados ou concentrados com o que acontece com outras pessoas, tanto em termos de fatos positivos como negativos. Mais importante seria cuidar de si mesmo, cuidar do corpo e da mente, buscar os melhores e mais saudáveis caminhos para se atingir uma idade elevada com plenitude.

Reconhecer que somos seres dotados de alguns "defeitos de fábrica" e reconhecer que podemos inibir estímulos sobre estes "defeitos" por meio de um estilo de vida correto são passos essenciais em nossa rotina.

Vivendo mais ou menos, tenhamos a consciência de que estamos fazendo o melhor possível em nosso dia a dia, tentando desviar dos vícios, dos hábitos errados e de qualquer outra influência negativa.