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Edmo Atique Gabriel

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que a inteligência emocional é tão importante para a nossa saúde?

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Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), palestrante, especialista em cirurgia cardiovascular com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic e pós-graduado em nutrologia médica pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Colunista do UOL

16/10/2021 04h00

Quando pensamos em recursos ou ferramentas que possam favorecer nossa saúde, imediatamente consideramos os alimentos, o exercício físico, as vitaminas e os medicamentos. No entanto, existe mais um aliado importantíssimo para a estabilidade de nossa saúde: a inteligência emocional.

E a boa notícia é que todos nós, sem exceção, podemos adquirir e desenvolver esta habilidade. A capacidade intelectual sempre será um poderoso valor agregado em qualquer tempo, sob qualquer circunstância. Esta inteligência concreta e mais palpável, que pode ser desmembrada em infindáveis talentos, em diferentes campos do conhecimento, é uma riqueza mais valiosa e perene que o bem material.

Mas esta inteligência concreta não garante equilíbrio, moderação e humildade nas relações humanas. Pode, ao contrário, ser propulsora de relações conturbadas, estresse físico, estresse emocional e inúmeros problemas de saúde.

Desta forma, começamos a compreender esta relação promissora entre a inteligência emocional e o estado de saúde de uma pessoa. Considerando que a inteligência emocional consiste na reunião de algumas habilidades não tão palpáveis, não tão caraterizadas por números e estatísticas, a mesma pode passar despercebida quando focamos na prevenção de doenças, qualidade de vida e longevidade.

Para ficar mais fácil entender o conceito de inteligência emocional e perceber o porquê de sua proximidade com nossa saúde, vou apresentar algumas facetas pertinentes.

1. Versatilidade

As pessoas tendem a desenvolver ansiedade e muitos problemas de saúde decorrentes deste estado de descontrole emocional, por quererem resolver tudo sozinhas, do seu jeito, sem dividir tarefas e priorizar ações. Isto pode ser catastrófico para saúde de uma pessoa.

Por outro lado, nada impede que uma pessoa possa desenvolver a capacidade de ser como um malabarista, acumulando funções e obtendo bons resultados —é o que conhecemos como versatilidade. Não é missão fácil ser versátil, mas pode aliviar algumas tensões, como esperar que as outras pessoas pensem e ajam como nós desejamos.

2. Flexibilidade

Ser flexível significa não tomar uma decisão precipitada, significa não valorizar apenas a primeira versão dos fatos. A flexibilidade já prepara o ambiente de trabalho ou o núcleo familiar para relações mais maleáveis, sem tantos preconceitos, desentendimentos e agressões. A flexibilidade caminha mais para o lado da paz e, assim, mesmo que de uma forma inconsciente, nossos órgãos trabalham com melhor eficiência.

3. Sorriso no rosto

Sorrir é um mecanismo de relaxamento físico e mental. Um sorriso no rosto afasta as brigas, valoriza mais as relações humanas e estimula nosso corpo a produzir substâncias positivas para nosso bem-estar. Saber sorrir e vivenciar, com a maior naturalidade possível, as situações desafiadoras da vida, pode ser um ótimo "remédio" contra alguns agravos como a depressão.

4. Sinceridade

Ser transparente nas relações humanas não é garantia de ser escolhido como a pessoa mais simpática ou mais carismática. Pode até afastar as pessoas do convívio e promover uma seleção maior de quem segue a vida com você. Todavia, a sinceridade é extremamente necessária quando o propósito de vida é a longevidade saudável. A sinceridade é uma ferramenta interessante para aproximar as pessoas com pensamentos afins e, desta forma, prevenir tensões físicas e emocionais.

5. Saber dizer 'não'

Muito importante buscar um ambiente de harmonia, com bons valores e respeito a todos. Isto não significa, por outro lado, aceitar todas as condições e não estabelecer certos limites. Muitas pessoas desenvolvem problemas neurológicos e digestivos, por não conseguir expressar claramente sua opinião, sobretudo uma resposta negativa. Dizer "não" é um mecanismo de autoproteção, não é demérito ou covardia.

6. Autoestima

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Imagem: iStock

Todos nós temos o péssimo hábito de achar que as posses, os méritos intelectuais e a estrutura familiar das outras pessoas estão acima dos nossos. Isto até pode ser verdade, mas não deveria ser motivo de inferioridade, azar e incapacidade. Esta busca constante pela preservação da autoestima pode prevenir quadros depressivos, estados de ansiedade e doenças cardiovasculares, como as arritmias e o infarto.

7. Tolerância

Saber compreender outra pessoa e, mais do que isto, manter um bom relacionamento ainda que as atitudes entre duas pessoas não sejam recíprocas e proporcionais, é uma verdadeira arte. A tolerância traz paz de espírito, uma certa dose de conformismo diante das fraquezas, defeitos e limitações que todos nós temos.

Desta forma, cultivar a tolerância significar aliviar tensões, saber esperar, exaltar o senso de paciência. Pessoas muito intolerantes acabam desenvolvendo muitos problemas de saúde, alguns deles limitantes, como transtornos de ansiedade e pânico.

8. Senso de equipe

O ser humano foi constituído para viver em sociedade. Desta convivência, derivam as relações pessoais e profissionais. Mas sabemos muito bem o quão difícil é trabalhar e viver em grupo. As vaidades, pensamentos pouco flexíveis e influências culturais podem abalar este senso de equipe, gerando brigas, separações, traições e, logicamente, uma gama infindável de doenças.

Quantos relatos de amigos e familiares que desenvolveram algum tipo de doença, após uma frustração ou decepção em um relacionamento! Quantos casos de suicídio motivados pela dificuldade de respeitar o senso de equipe! Quantos casos de dependência das drogas ilícitas ou mesmo de alcoolismo que surgiram após a ruptura de uma estrutura de equipe!

9. Fé

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Não quero aqui ingressar no universo específico das filosofias religiosas, para manter o devido respeito a todas as opções existentes. No entanto, a Bíblia revela uma definição muito sábia acerca do conceito de fé: "A certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos."

Pessoas com esta crença demonstram mais motivação em suas ações, mais vigor em seus projetos, mais positivismo em seus propósitos de vida. Naturalmente, a probabilidade de desenvolver agravos como depressão, ansiedade, doenças cardiovasculares e doenças neurológicas diminui substancialmente.

10. Coragem

Albert Einstein certa vez profetizou que "o único homem que está isento de erros é aquele que não arrisca acertar". Desta forma, ter coragem significa manter-se em constante movimento para evitar a queda, jamais desistir diante das adversidades.

A coragem pode exercer um efeito muito positivo em estimular nossa mente a produzir cada vez mais ideias promissoras, afastando o mal-estar das relações humanas, as tensões e as doenças. Quando existe um foco determinado e senso permanente de coragem, nosso organismo e nossa saúde trabalham a nosso favor.

A partir desta leitura, gostaria de alertar para que todos nós façamos uma nova reflexão sobre nossas vidas, especialmente sobre nossa saúde. Vamos tentar dar mais importância a tantos aspectos desta habilidade conhecida como inteligência emocional.

Com o tempo, certamente iremos perceber que nossa saúde não depende apenas dos alimentos que escolhemos, dos medicamentos que usamos e de nossos hábitos de vida. Ao contrário, nossa saúde também depende de alguns pilares de vida que adotamos em nossas relações pessoais e profissionais.

Estes pilares são as facetas da inteligência emocional e todos nós podemos aprimorá-la ao longo de nossas vidas. Nosso bem-estar e a tão almejada longevidade saudável estão intrinsecamente relacionados a estas facetas. Seria então interessante que dedicássemos mais tempo e mais atenção ao desenvolvimento das mesmas. Fica a dica!

Para saber mais sobre a saúde do coração, me acompanhe no Instagram: @edmoagabriel.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL