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Edmo Atique Gabriel

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Você sabia que a pressão arterial é sensível a movimentos bruscos do corpo?

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Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), palestrante, especialista em cirurgia cardiovascular com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic e pós-graduado em nutrologia médica pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Colunista do UOL

02/10/2021 04h00

Nosso corpo é dotado de muitos sensores, a fim de registrar todas as variações de postura, posição e qualquer desequilíbrio. Estes sensores estão muito correlacionados com nossa circulação sanguínea, sendo que variações importantes no movimento do sangue estimulam estes sensores que, por sua vez, sinalizam para nosso cérebro sobre o que está acontecendo ou o que deveria ser feito para rapidamente retomar o estado normal das coisas.

Muito interessante também esclarecer que estes sensores podem, no caso de algumas pessoas, apresentar uma sensibilidade extremamente aguçada, de tal forma que pequenas variações do movimento do sangue são capazes de promover muitos sintomas e sensações desconfortáveis.

Como estes sensores são grupos de células com propriedades muito especiais, sabe-se que as variações do movimento do sangue fazem com que estes sensores produzam algumas substâncias que impactam no controle de alguns parâmetros vitais, como a pressão arterial e a frequência cardíaca.

Pode estar parecendo estranho e nebuloso tudo isto, mas quero citar alguns exemplos de nosso cotidiano, para que todos façam sua própria avaliação. Estes exemplos representam situações comuns que geram nitidamente muitas variações no movimento do sangue, muitas variações da posição do corpo e também sensações de desequilíbrio.

Situação 1

Alguns brinquedos nos parques de diversão são responsáveis por mudanças bruscas de posição —elevador que despenca, roda gigante, montanha-russa e o escorregador. Em todos eles, algumas pessoas mais sensíveis podem apresentar queda acentuada da pressão arterial, além da queda ou da oscilação intensa dos batimentos cardíacos.

Quando isto acontece, as pessoas sentem muita tontura, transpiram profusamente um suor gelado e manifestam uma profunda sensação de angústia. Nossos sensores podem não tolerar tantas variações da posição corpórea e produzir em grande quantidade substâncias responsáveis por estas sensações e sintomas citados.

Situação 2

Você está dentro de um avião que começa a enfrentar uma turbulência razoável e muitos solavancos ao longo do caminho. Você começa a sentir muita náusea e desconforto para respirar.

Situação 3

Sem conhecer adequadamente seus limites e o nível de tolerância de seu corpo, você decide se aventurar em saltos de paraquedas, em escalar montanhas ou voos de asa delta. Você pode estar sujeito a tonturas e sensação de visão escurecida.

Situação 4

Sua estante de livros precisa ser reorganizada e, para isto, você sobe em uma escada para acessar os últimos patamares. Ao longo do período que você fica sobre a escada, muitas vezes se movimentando intensamente em várias direções, você sente desconforto para respirar e náuseas.

Situação 5

Todas as vezes que você está muito apressado, executa movimentos bruscos, mesmo que não perceba claramente. Você está deitado e literalmente "pula" da cama, você está dirigindo seu carro e faz movimentos desordenados o tempo todo, você está caminhando e de repente começa a correr desenfreadamente. Todas estas situações fazem parte de um hábito que pode ser perigoso e desconfortável, já que afeta os níveis de nossa pressão arterial e frequência cardíaca.

Em geral, podemos atribuir estes sintomas e sensações desconfortáveis a uma maior sensibilidade e menor tolerância às mudanças de posição do corpo. Tecnicamente, podemos chamar isto de hipersensibilidade postural, uma característica pertinente a muitas pessoas, acarretando certa limitação e insegurança no dia a dia.

Toda vez que esta pessoa enfrenta uma mudança brusca de posição corpórea, ela irá apresentar os mesmos sintomas e, como consequência, poderá levar um tombo e se ferir, eventualmente perder a consciência completa ou passar por constrangimentos sociais.

Desta forma, a primeira e mais importante medida preventiva seria, já que cada um de nós conhece ou deveria conhecer seus próprios limites, evitar a exposição a estas situações que causam movimentos bruscos. Não serei radical em afirmar que seria proibitivo, no entanto certamente seria mais prudente evitar.

Além de evitar esta exposição, manter o corpo devidamente hidratado e com boa oferta de nutrientes também ajudaria muito, visto que as variações bruscas de posição corpórea acarretam impacto na pressão arterial e nos batimentos cardíacos.

Por meio de uma hidratação saudável e vigorosa, e uma alimentação balanceada, pode-se obter melhores ajustes da pressão e da frequência cardíaca. Imaginemos o quanto uma boa hidratação e uma alimentação mais consistente podem proteger nosso corpo, em situações de movimentos bruscos do corpo e padrão climático desfavorável (seco, calor excessivo, frio excessivo).

Para diagnosticar esta hipersensibilidade postural, pode-se simplesmente observar o comportamento diário e as reações indicadas pelo nosso próprio corpo. Existem testes mais especializados para este diagnóstico, os quais submetem as pessoas a variações da posição corpórea, visando confirmar o baixo nível de tolerância.

No tocante ao tratamento desta hipersensibilidade, posso alertar que não existe um remédio milagroso. Como esta hipersensibilidade faz parte da própria constituição da pessoa, podendo inclusive ter uma origem genética, o termo tratamento seria de pouca aplicabilidade.

Caberia neste caso enfatizar duas questões muito importantes —conscientização e prevenção. O ser humano deveria sempre respeitar seus limites e procurar se adaptar da melhor forma às diferentes circunstâncias.

Para saber mais sobre a saúde do coração, me acompanhe no Instagram: @edmoagabriel.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL