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Edmo Atique Gabriel

Entenda como o calor excessivo afeta a sua saúde cardiovascular

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Imagem: Getty Images
Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), palestrante, especialista em cirurgia cardiovascular com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic e pós-graduado em nutrologia médica pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Colunista do UOL

10/10/2020 04h00

A concentração de água e eletrólitos, como sódio, potássio e magnésio, tem direta influência na fluidez do sangue e no funcionamento saudável de nosso coração. Dessa forma, em situações de hemorragia e profusa desidratação, nas quais ocorre perda significativa deste conteúdo hídrico e eletrolítico, podem ocorrer alterações cardiovasculares como hipotensão (queda da pressão arterial), arritmias e até uma parada cardiorrespiratória.

Nos meses de verão ou mesmo na atual primavera que estamos vivenciando, com temperaturas atingindo níveis acima de 35ºC, o equilíbrio térmico do corpo humano depende essencialmente de dois fatores: o grau de hidratação e a capacidade do corpo humano de trocar calor com o meio externo através da transpiração.

Em países de clima tropical como o Brasil, nota-se que a temperatura pode atingir níveis acima de 40ºC, sobretudo em cidades praianas do Sudeste e do Nordeste. Neste cenário de temperaturas criticamente muito elevadas e frequentes variações de conteúdo hidroeletrolítico, pode-se enfrentar, também, um perigoso fenômeno bioquímico chamado desnaturação proteica.

Todos os órgãos e estruturas do corpo humano, como o próprio coração, são constituídos de substratos proteicos, os quais formam um arcabouço de sustentação e também desempenham papel primordial para as reações químicas que se processam no circuito metabólico de cada órgão.

Logo, o fenômeno de desnaturação proteica, que pode ser desencadeado pelas elevadas temperaturas, consiste num desarranjo estrutural e funcional dos referidos substratos, impactando, sobremaneira, na manutenção da saúde dos órgãos. A desnaturação proteica causada por um clima severamente quente seria semelhante a desnaturação proteica observada em uma pessoa apresentando febre significativamente alta, ao longo de vários dias sucessivos.

Diante da ocorrência de uma desidratação severa, sem a devida reposição, além do risco de desnaturação proteica, o coração humano pode, agudamente, apresentar relevantes modificações funcionais, começando por hipotensão (queda da pressão arterial), arritmias e, em casos mais extremos, parada cardíaca e morte.

A hipotensão arterial certamente consiste na mais benigna das complicações associadas ao calor excessivo, mas não deve jamais ser subestimada. Imaginem uma pessoa dirigindo um carro, pressão arterial caindo devido ao calor, hidratação insuficiente: o que poderia acontecer? Um terrível acidente!

Imaginem uma pessoa que esteja caminhando na rua e subitamente desfalece devido ao calor forte, cai e bate a cabeça! Não se pode desprezar a queda acentuada da pressão arterial, principalmente em pessoas mais idosas e naquelas mais frágeis e debilitadas por alguma comorbidade.

De certa maneira, conhecemos como se comporta o verão no Brasil, quais são os meses e as cidades mais criticamente quentes, o que permite elaborar uma estratégia preventiva para minimizar estes efeitos deletérios do calor excessivo.

No entanto, muitas vezes somos surpreendidos por um inverno de temperaturas amenas e uma primavera de temperaturas extremamentes elevadas, como o atual panorama climático. Dessa forma, temos de considerar, em qualquer período do ano, as principais medidas para prevenir complicações cardiovasculares decorrentes do calor excessivo, tais como:

  • ingestão de no mínimo 2-3 litros de água ao dia;
  • usar roupas leves e de cor clara no dia a dia, principalmente para atividades esportivas;
  • utilizar bebidas isotônicas para complementar a reposição hídrica;
  • pessoas que transpiram em excesso (hiperidrose) devem repor as perdas em quantidades proporcionais e muitas vezes até maiores do que a quantidade média necessária;
  • reduzir o consumo de produtos ricos em cafeína ou qualquer estimulante metabólico;
  • praticar atividades ao ar livre em horários de sol não escaldante - entre 8h e 10h e após as 17h

As complicações cardiovasculares do calor excessivo também podem incluir infarto do miocárdio e derrame cerebral e, desta forma, consultas periódicas e preventivas com um cardiologista são fundamentais para orientar quais atividades físicas, em qual ritmo e intensidade e com qual frequência podem ser realizadas, sobretudo naquelas cidades de temperaturas mais elevadas.

O calor excessivo pode matar! Isto não é mito. Portanto, devemos priorizar uma hidratação rigorosa, alimentação leve, prática supervisionada de atividades físicas e um correto acompanhamento cardiológico para melhor conhecimento dos limites e fragilidades individuais.

Caso queira ler mais sobre saúde do coração, acesse meu site: https://coracaomoderno.com.br/.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.