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Como ajudar seu coração a suportar as festas de final de ano

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Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), conselheiro de Comissão Nacional de Residência Médica do MEC (Ministério da Educação), especialista em cirurgia cardiovascular, com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic, e pós graduado em nutrologia médica pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia)

Colunista do UOL

01/12/2019 04h00

Certamente o final de ano é a época de maior convívio familiar, festas de confraternização e também período de muitas extravagâncias no âmbito da alimentação .Os cardápios mudam freneticamente, tudo em geral é permitido pelo fato de ser fim de mais um ano.

As pessoas entendem que podem ingerir todos os tipos de alimentos, consumir bebidas desregradamente, sempre com a esperança de um ano vindouro que possa compensar e eliminar todos os excessos.

No entanto, as doenças cardiovasculares não escolhem datas para acontecer e, surpreendentemente, estas doenças costumam ter preferência pelo final de ano. Um dos fatores desencadeadores disto é exatamente o fato de as pessoas abusarem mais nesta época, consumindo mais gorduras, frituras, doces e bebidas alcoólicas.

Mas então o que pode e não pode nesta época do ano? Na verdade, pode tudo, com algumas ressalvas é claro. O ponto de partida deve ser o conceito de que alguns alimentos podem contribuir positivamente para uma melhor saúde cardiovascular ou, eventualmente, outros podem ser o caminho mais rápido para se desenvolver ou agravar quadros de hipertensão arterial, arritmia cardíaca, infarto miocárdico e AVC (acidente vascular cerebral). O limite é muito tênue entre estas duas possibilidades.

Dentre as carnes mais consumidas no fim de ano, temos a carne de peru, que possui baixo teor de gordura, é fonte proteica considerável e rica em vitaminas. A carne de peru pode ser um bom alimento para esta época, além dos peixes, sobretudo aqueles oriundos de águas frias. As carnes de porco e carneiro, por outro lado, devem ser consumidas com maior moderação, visto que ofertam maior teor de gorduras saturadas. Aquelas pessoas que apresentam placas de gorduras em algumas artérias do corpo e que estão sendo acompanhadas periodicamente devem comer preferencialmente carne de peru e os peixes.

Para aquelas pessoas que são diabéticas, as principais restrições são a ingestão de doces, principalmente os que levam muito creme e recheio, e o consumo de bebidas alcoólicas. O diabetes tem relação direta com a doença cardiovascular, tanto como fator causal como também fator complicador. Assim, uma descompensação do diabetes, possivelmente causada pelo consumo excessivo de doces e bebidas alcoólicas, pode desencadear arritmias cardíacas, retenção hídrica, crise hipertensiva e até mesmo algo mais sério como um infarto.

Uma das principais recomendações para esta época do ano, sobretudo no tocante aos benefícios cardiovasculares, é priorizar alimentos da dieta mediterrânea. As frutas cítricas, ricas em vitamina C e as frutas vermelhas, ricas em antocianina, favorecem a eliminação de toxinas orgânicas e têm propriedades antioxidantes. Analogamente, alguns tipos de castanhas, como nozes, amêndoas e avelãs, ricas em óleos vegetais ômegas, vitamina E e selênio, são importantes para atenuar os efeitos inflamatórios de uma alimentação mais copiosa e contribuem para regularidade da função tireoidiana.

A hidratação vigorosa é fundamental, como forma de compensar o consumo de alimentos gordurosos, doces e ricos em temperos processados. Esta hidratação pode ser obtida pelo consumo de água mineral, água de coco, sucos naturais, chás e também algumas frutas, cujo teor hídrico é muito significativo, como melão, melancia e pêssego. Na verdade, a verdadeira hidratação não é somente na forma líquida, mas também sob a forma destas frutas e até de alguns vegetais.

Não é exagero afirmar que muitas pessoas que já acumulam antecedentes cardiovasculares costumam descompensar mais no final de ano, na época das festas natalinas e de Ano Novo. Devido ao descontrole alimentar, muitos agravos cardiovasculares aparecem com maior frequência. O coração, mais especificamente a saúde cardiovascular, precisa ter paz nesta época do ano, tanto do ponto de vista sentimental como metabólico . O coração precisa suportar as festas de fim de ano.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Edmo Atique Gabriel