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Edmo Atique Gabriel


O coração das mulheres precisa de cuidados especiais

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Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), conselheiro de Comissão Nacional de Residência Médica do MEC (Ministério da Educação), especialista em cirurgia cardiovascular, com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic, e pós graduado em nutrologia médica pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia)

Colunista do UOL

20/10/2019 04h00

A doença aterosclerótica do coração que, até décadas atrás, atingia de forma inexorável predominantemente o sexo masculino, passou a acometer na mesma proporção o sexo feminino. As mudanças de paradigma cultural, no que tange a hábitos de vida como também hábitos alimentares, tornaram as mulheres extremamente frágeis e suscetíveis a maiores taxas de complicações cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Sabe-se, do ponto de vista fisiológico, que as estruturas cardiovasculares de uma mulher, como o coração e suas artérias/veias, são, em geral, de menor porte anatômico e apresentam menor resistência a fatores como sobrecarga e hipertensão arterial. A quantidade e sobretudo a qualidade da atividade física podem, gradativamente, equiparar o coração feminino a um padrão de coração masculino. Equiparar implica em um processo adaptativo e de condicionamento, no qual as fibras musculares do coração feminino adquirem comprimento e espessura cada vez maiores, permitindo suportar maior carga e adquirindo resistência adicional.

Hábitos modernos são adotados comumente visando seguir a moda do momento e cultivar prazeres. No entanto, nem sempre representam a manutenção de uma saúde cardiovascular condizente com a longevidade saudável. Um dos responsáveis por doenças letais e mortalidade feminina é o tabagismo e o cenário fica ainda pior quando há consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas.

Além disso, as mulheres, ao longo de sua vida, vivenciam diversas variações hormonais, destacadamente menstruação, gravidez e menopausa. Os hormônios femininos desempenham função protetora no coração e, desta forma, eminentemente na menopausa, quando ocorre decréscimo natural destes hormônios, instala-se período de risco cardiovascular aumentado. Na fase de menopausa, em virtude deste risco cardiovascular elevado, muitas mulheres necessitam de uma terapia de reposição hormonal, de acordo com orientação de seu ginecologista.

Para prevenir eventos cardiovasculares em mulheres de diferentes faixas etárias, recomenda-se visita semestral ao cardiologista a partir dos 40 anos. Além disso, nesta consulta cardiológica, é importante que as mulheres informassem se estão utilizando anticoncepcionais, os quais não são isentos de risco cardiovascular e como tais, deveriam ser utilizados em situações recomendadas pelos médicos.

Em resumo, a saúde cardiovascular de uma mulher precisa de atenção especial primeiramente por parte da própria mulher e também por parte de seu cardiologista, que tem a missão de prover orientação adequada acerca das particularidades que o coração feminino apresenta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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