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Coração cansado pode levar a infarto ou insuficiência cardíaca

Coração cansado - iStock
Coração cansado Imagem: iStock
Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), conselheiro de Comissão Nacional de Residência Médica do MEC (Ministério da Educação), especialista em cirurgia cardiovascular, com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic, e pós graduado em nutrologia médica pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia)

Colunista do UOL

06/10/2019 04h00

Qualquer músculo do corpo humano pode apresentar estado de fadiga e isso ocorre frequentemente quando o trabalho deste músculo é excessivo e extenuante. As pessoas acabam se queixando de um espasmo do músculo, ou seja, aquilo que conhecemos como câimbra. São muito bem fundamentadas as câimbras do bíceps, tríceps, músculos das coxas e panturrilhas, após uma corrida extenuante, partidas de futebol desgastantes, etc.

Ora, se os músculos podem entrar neste estado de fadiga, nosso coração, cujo arcabouço principal nada mais é que um músculo, notadamente conhecido como miocárdio, também poderia extenuar? Existe câimbra do coração?

Para esclarecer esta controvérsia, alguns fatos concretos, de cunho médico, são dignos de nota. Primeiramente, o miocárdio consiste em um agregado de fibras musculares, dispostas de tal forma que o trabalho cardíaco se traduz por batimentos propulsivos, contínuos e persistentes desde a fase de concepção no útero materno até os últimos estertores de vida biológica. Estes batimentos são, na verdade, contrações do miocárdioena para bombeamento do sangue a todos os segmentos corpóreos.

Em segundo lugar, vale destacar que o miocárdio não é um músculo convencional; ao contrário, ele apresenta células condutoras de impulsos elétricos e possui dois ciclos perfeitamente harmônicos entre si: sístole quando contrai e diástole quando relaxa.

Cansaço agudo

Intrigantemente, nosso coração pode se cansar de forma aguda e muitas vezes irreversível ou pode ir gradativamente se cansando e perdendo suas forças e, neste último caso, pode-se reverter o quadro ou também muitas vezes é o fim da linha.

O infarto agudo do miocárdio é o exemplo clássico do que se depreende como coração cansado de forma aguda. Devido ao entupimento de artérias do próprio coração, o miocárdio ou mais especificamente um território do miocárdio recebe um aporte baixo de sangue e aquela harmonia contrátil entra em falência.

Em alguns casos, o miocárdio apresenta fadiga absoluta e cessam suas contrações, caracterizando a parada cardíaca e morte. Este cenário tenebroso é o que conhecemos como infarto fulminante. Por outro lado, existem os indivíduos sortudos, nos quais a evolução não é fatal, mas de qualquer forma acabam sendo encaminhados para algum procedimento invasivo, como angiopatia ou cirurgia para fazer cirurgia de ponte de mamária ou safena.

Cansaço crônico

O coração cansado de forma crônica significa um estado de insuficiência cardíaca, com histórico de longa data, de caráter progressivo e insidioso. A insuficiência cardíaca se contextualiza muito bem quando o indivíduo tem histórico de vários infartos do miocárdio, em caso de reumatismo das válvulas cardíacas (febre reumática), doença de Chagas em fase avançada e arritmias cardíacas.

Todas estas situações convergem para um desfecho clínico, caracterizado por limitação física, muita falta de ar, inchaço nas pernas, distensão abdominal, redução do fluxo urinário, alterações cognitivas e de memória, retenção excessiva de líquidos e, o mais marcante, a necessidade de utilizar grande quantidade de medicamentos em doses geralmente elevadas. Como impacto final, a qualidade de vida entra em descenso, gerando depressão e alterações de autoestima.

Como evitar esses problemas?

Considerando que o coração cansado, seja na forma aguda ou crônica, produz limitação e restrição, com o agravante da morte iminente, faz-se imperiosa a prevenção. E a prevenção se fundamenta em duas frentes de conduta: adotar hábitos salutares de vida e acompanhamento periódico com cardiologista.

No tocante aos hábitos salutares de vida, destacam-se alimentação balanceada, exercícios físicos, não fumar, não consumir bebida alcoólica em excesso, controlar fatores hereditários ou adquiridos como hipertensão arterial e diabetes e não consumir drogas ilícitas.

Na rotina cardiológica, exames como teste ergométrico e ecocardiograma são essenciais para diagnóstico, orientação terapêutica e, sobretudo, para prevenção do "coração cansado".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Edmo Atique Gabriel