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Edmo Atique Gabriel


Emoções também podem afetar a saúde do coração

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Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), conselheiro de Comissão Nacional de Residência Médica do MEC (Ministério da Educação), especialista em cirurgia cardiovascular, com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic, e pós graduado em nutrologia médica pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia)

Colunista do UOL

08/09/2019 04h00

Yuval Harari, renomado historiador israelense, defende, em sua Teoria do Impacto, que os seres humanos apresentaram diversos mecanismos de enfrentamento às condições adversas. Trata-se de uma resposta adaptativa, intrinsecamente relacionada aos nossos hormônios. Sabemos que as sensações de angústia e ansiedade, sobretudo quando acentuadas e duradouras, ocasionam impacto deletério na saúde cardiovascular e mental. A somatização destas sensações torna-se progressivamente proeminente, causando disfunções orgânicas e comportamentais

Os sentimentos são plenamente capazes de impactar a saúde e o equilíbrio cardiovascular. Basta uma desilusão amorosa ou vivenciar uma traição para que sintomas cardíacos apareçam, muitas vezes exigindo internação e investigação por meio de exames específicos.
Dizer que nós, seres humanos, estamos devidamente preparados para enfrentar um problema de relacionamento amoroso ou uma instabilidade na vida conjugal, não é verdade. As pessoas se envolvem num contexto amoroso, vislumbrando a perfeita harmonia entre dois indivíduos, com muita tolerância, compreensão e desprovimento. No entanto, na prática, sabemos que isto não ocorre e, nos dias atuais, por razões comportamentais, sociais e até legais, corromper valores morais e cair na tentação da traição tornou-se algo fácil, simples e corriqueiro.

Embora pareça excessivamente filosófico, o coração humano ''sofre'' bioquímica e metabolicamente diante de um quadro emocional de labilidade na vida amorosa. Da mesma forma que existem substâncias promotoras do bem-estar, há aquelas que são liberadas na circulação sanguínea em situações de tensão, desespero e profunda tristeza. E são justamente estas substâncias que desencadeiam diversos efeitos deletérios em nosso coração, como crise hipertensiva, arritmias e dor no peito.

Alguns autores japoneses descreveram uma entidade clínica denominada de síndrome de Takotsubo, também conhecida como síndrome do coração partido, na qual os sintomas citados aparecem em relevante magnitude, após situações de estresse emocional. No contexto bioquímico e hormonal da síndrome do coração partido, o achado fundamental é a liberação na circulação sanguínea de quantidade significativa de substâncias estimulantes, como a noradrenalina e adrenalina. Além disso, nota -se que existem níveis distintos de predisposição a esta liberação de substâncias estimulantes, ou seja, podemos inferir que os indivíduos toleram o impacto de um estresse sentimental de formas absolutamente variadas.

Diante da ocorrência destes sintomas, as pessoas procuram os serviços de emergência, sendo necessária a realização de exames para descartar doenças mais graves como é o caso do infarto do miocárdio. Mesmo não se confirmando o infarto, são necessárias várias horas ou até dias de internação, muitas horas de apreensão por parte da família e utilização de grande quantidade de medicamentos.

Não se deve subestimar os sintomas provenientes de uma desilusão amorosa, pois os mesmos são capazes de alterar nosso equilíbrio cardiovascular e aumentar o risco de eventos mais preocupantes como uma crise hipertensiva e um infarto do coração. Na vigência destes sintomas, é primordial procurar um cardiologista e realizar exames específicos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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