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Cristiane Segatto

Que tal trocar as resoluções de Ano Novo por coisas que melhoram o mundo?

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Cristiane Segatto

Cristiane Segatto é jornalista e mestre em gestão em saúde pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP). Durante as últimas duas décadas, cobriu saúde e ciência na Revista Época e nos jornais O Globo e Estadão. Foi colunista da Época online e comentarista da Rádio CBN. Suas reportagens especiais sobre o universo da saúde conquistaram mais de 15 prêmios nacionais e internacionais. Entre eles, dois prêmios Esso de Jornalismo na Categoria Informação Científica, Tecnológica ou Ambiental. Em 2012, com a reportagem ?O paciente de R$ 800 mil? e, em 2014, com o trabalho investigativo ?O lado oculto das contas de hospital?, ambos publicados na Revista Época. Em 2015, foi finalista do Prêmio Gabriel García Márquez. Participa de projetos liderados por organizações e pessoas que acreditam no valor da informação precisa e das histórias bem contadas.

Colunista do VivaBem

30/12/2020 04h00

Fechar para balanço é sempre um bom programa. Ao final de um ano tão duro, essa pausa se torna vital. Limpar as gavetas, abrir espaço para o novo, ouvir o silêncio, não fazer nada. Adoro e assim aproveito esses dias.

É dessa lentidão que surge o movimento, o impulso para o passo seguinte. Ele pode ser mais amplo, mais firme ou apenas diferente.

Por esses dias surgem resoluções de Ano Novo. Para muitos, elas naufragam nas águas de março. Para outros, viram projetos duradouros. O que faz a diferença?

Para o psicólogo Richard Ryan, professor da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, resoluções de Ano Novo não são inúteis. Segundo ele, qualquer período que seja um convite à reflexão sobre a vida é algo positivo.

Pesquisador da motivação humana há mais de 40 anos, Ryan afirma que nenhuma resolução de Ano Novo garante tanta satisfação quanto metas que envolvam doar algo aos outros.

"Se você quer definir metas que realmente o deixem feliz, pense em formas de contribuir para o mundo", diz Ryan. "Além de ajudar outras pessoas, aumentará o seu próprio bem-estar porque vai conseguir satisfazer três necessidades psicológicas básicas". Elas são a autonomia, a competência e o relacionamento.

Nesse contexto, autonomia significa envolver-se em atividades por vontade própria e encontrar valor pessoal ao realizá-las. Competência é perceber que consegue fazer algo e ter um sentimento de realização. Relacionamento significa trabalhar com outras pessoas e se sentir conectado a elas.

Além de trazer satisfação pessoal, fazer coisas que melhorar o mundo continua a ser extremamente necessário diante do agravamento da pandemia de covid-19 no Brasil e em tantos outros países. "Há muita angústia por aí. Se pudermos definir metas que visam ajudar os outros, elas também contribuirão para o nosso bem-estar", afirma o professor.

Em entrevista publicada pela Universidade de Rochester, Ryan explica como dar uma chance de sucesso às resoluções de Ano Novo. Os pontos principais:

Ser autêntico

Muitas das resoluções de Ano Novo nascem de pressões externas. Elas são uma tentativa de parecer melhor, aliviar a culpa ou seguir padrões dos outros. Se o objetivo não for autêntico e vindo de seus próprios valores e interesses, a energia para persistir acaba rápido.

Entender suas prioridades

Algumas resoluções não trazem mais felicidade, mesmo quando alcançadas. O objetivo de ganhar dinheiro, por exemplo, pode obrigar a pessoa a trabalhar demais. O custo disso pode ser perder a autonomia sobre coisas do dia a dia ou reduzir o contato com pessoas queridas. Isso pode nos tornar menos felizes. Objetivos que funcionam são aqueles que proporcionam real satisfação ao atingi-los.

Escolher metas concretas

Evite objetivos abstratos. Em vez de pensar em melhorar sua saúde, escolha algo concreto como aumentar seu número de passos diários ou beber água em vez de refrigerante. Depois isso, trace um plano realista para transformar essas mudanças em hábito. Quanto mais você conseguir se divertir com esse objetivo ou estiver verdadeiramente motivado, mais você conseguirá persistir.

Planos muito difíceis de alcançar podem ser desencorajadores. Com quase todas as metas de longo prazo, a melhor estratégia é traçar pequenos objetivos incrementais. Antes de decidir escalar o Everest, comece a se preparar para alcançar os primeiros passos em direção ao acampamento base.

Aprender com os tropeços

2020 foi um ano de muitas perdas. Contribuir para que 2021 seja mais generoso não é um objetivo para poucos como o pico do Everest. Toda nova meta envolverá, inevitavelmente, contratempos e fracassos.

Quando isso acontecer, lembre-se de ter compaixão por si mesmo. Em vez de cair na armadilha do autojulgamento severo, observe o que você pode aprender com os erros e tombos. Remova as pedras do caminho e recomece.

Dar um tempo

Dedicar um tempo para pensar sobre o que está indo bem em nossas vidas e sobre o que realmente importa ajuda a identificar coisas que poderíamos mudar. É hora de ouvir aquele pequeno sentimento incômodo. Sintonize com esse sinal interno de forma aberta e não defensiva e considere as possibilidades e escolhas à sua frente.

Abraçar a generosidade

Quando as pessoas estão focadas em fazer o bem, elas experimentam um nível de satisfação mais profundo do que quando estão voltadas a si mesmas. Quanto mais estreitas e egoístas são as preocupações de uma pessoa, menos feliz ela tende a ser. Alguns experimentos sugerem que ajudar alguém eleva nossa energia e bom humor. Isso acontece mesmo quando não sabemos quem será beneficiado por nossos atos.

Enquanto houver vida, há formas de melhorá-la. O prazer de alcançar a meta fica maior quando dividimos o pódio com mais gente.

Obrigada pelo interesse e participação ao longo do ano. Um 2021 mais leve, generoso e rico em bons encontros. Com vacina e cuidado de todos para todos. (segatto.jornalismo@gmail.com)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL