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Taise Spolti

Veja alimentos e suplementos que podem auxiliar na síndrome da covid longa

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Taise Spolti

Formada em educação e em nutrição, Taise Spolti é ex-fisiculturista e participou do programa Masterchef, da Band. Em sua coluna, traz receitas que aliam ingredientes saudáveis à gastronomia, além de mostrar como a alimentação equilibrada, a prática de exercícios e outros bons hábitos são essenciais para trilhar o caminho da saúde e do bem-estar físico e mental.

Colunista do UOL

29/05/2022 12h18

Nos últimos meses, a busca pelo termo 'covid longa' aumentou, assim como nas conversas informais e até nos atendimentos em consultório. A síndrome acomete uma parcela de pessoas afetadas pela covid, que tem como característica a persistência dos sintomas da infecção pelo SARS-CoV-2 após 12 semanas.

Alguns autores descrevem a condição com terminologias distintas, e podemos então classificar elas em: covid pós-aguda e covid crônica. Dentro da classificação covid pós-aguda, encontramos a categoria covid-pós aguda subaguda ou persistente.

Sendo assim, cada fase que um paciente se encontra no período após a infecção pelo vírus é que determina a persistência dos sintomas, que são diversos e que estão aparecendo cada vez mais nas relações entre sinais e sintomas nas pessoas.

Segundo uma publicação oficial da OMS (Organização Mundial da Saúde), entre dezembro de 2020 e março de 2021, houveram 1,65 milhão de menções na internet com o termo 'long covid' (covid longa ou pós-covid), e isso já pode ter ultrapassado a marca dos 2 milhões neste ano.

O que é, então, de forma simplificada, a covid longa?

Após 12 semanas da infecção, tratamento e recuperação da doença, muitas pessoas apresentam características persistentes da doença, dentre as mais conhecidas e mais relatadas estão: tosse persistente, fadiga, dores musculares e articulares, queda de cabelo, e o que conhecemos como 'brain fog', um termo usado para a névoa mental que algumas pessoas possuem, como esquecimento, estado de confusão, pouca clareza e falta de foco.

Sobre o tratamento, já sabemos que cada paciente demandará uma prescrição e cuidados de forma individualizada, mesmo com protocolos para o estado agudo da doença.

No estado persistente, o paciente deve ser avaliado por uma equipe multiprofissional (envolvendo médico, cardiologista, traumatologista, neurologista, nutricionista, educador físico, fisioterapeuta, entre outros) e tratar de forma direcionada tais sintomas persistentes ou que ficaram como sequelas da doença.

Aqui no Brasil, um grande estudo realizado pela Fiocruz, com coordenação de Rafaella Fortini, avaliou os efeitos da doença ao longo do tempo, e como resultado observou-se que 50,2% dos infectados pela covid tiveram sintomas persistentes, pós-infecção —o que já classifica como covid longa.

Dentro da nutrição, o que mais debatemos e mais atingimos de forma imediata com o paciente e com toda a população é a importância do estado de saúde física pela alimentação e suplementação de alguns componentes que não conseguimos consumir apenas com a alimentação diária, como algumas vitaminas, minerais e ácidos graxos.

Vale ressaltar, antes de eu colocar aqui alguns dos mais importantes componentes a estarem presentes no seu dia a dia caso você esteja com covid longa, é que o acompanhamento profissional é indispensável.

Infelizmente, o que temos de maior certeza sobre este vírus é que sua infecção pode se manifestar de forma totalmente diferente entre grupos de pessoas. Depois disso, sabemos que cada indivíduo terá sua rotina única, seus hábitos únicos, sendo assim, suas características de recuperação ou de necessidade de tratamentos também serão únicas.

Um tipo de suplemento ou alimentação ou rotina de atividades físicas, por exemplo, poderá ser eficaz para algumas pessoas, mas poderão ser impossíveis de serem realizadas ou então ineficazes para outros grupos. Individualidade é também saber que cada um enfrenta realidades diferentes na nossa sociedade.

Abaixo, veja nutrientes que podem auxiliar nas diferentes manifestações da covid longa:

  • Ômega 3

Auxilia na redução de inflamações, dores articulares e musculares, além de diminuir o risco de tromboses, melhora na cognição e coadjuvante no tratamento do 'brain fog', fadiga física e mental. As principais fontes são sardinha, salmão selvagem, peixes de água fria que, no geral, contém grande e significante quantidade, ou pela suplementação.

  • Zinco

É um mineral amplamente utilizado nas reações metabólicas, além de necessário para a produção de ATP, nossa fonte de energia.

A suplementação pode estar associada a recuperação muscular e metabólica em indivíduos que retornaram para as atividades físicas e sentem sua performance diminuída ou com fadiga extrema.

É indicado ainda para pacientes com alterações na pele e queda de cabelo. As fontes alimentares mais fáceis de se encontrar são as amêndoas, camarão, carnes vermelhas, cacau, grão-de-bico e também de forma suplementar.

  • Vitamina C

É encontrada de forma abundante nas frutas cítricas e basta uma pequena porção ao dia para conseguir suprir a necessidade.

A vitamina C é essencial ao sistema imunológico, desempenha papel no estresse oxidativo, na recuperação metabólica, e auxilia, inclusive, nos pacientes que estão recuperando a microbiota intestinal após uso continuo de medicamentos.

Ela não precisa necessariamente ser suplementada, basta 1 laranja e 1 goiaba ao dia, ou outros alimentos como couve, limão, acerola, e até manga.

  • Vitamina D

Em outra matéria que publiquei aqui, explico como se dá exatamente a síntese da vitamina D no nosso corpo. Ela começa por via tópica, ou seja, necessita da exposição ao sol para que efetivamente tenhamos vitamina D ativa no nosso corpo, e que desempenhará suas funções metabólicas.

A suplementação via oral é eficaz, é necessária para a grande maioria dos pacientes, e também de pessoas que não tiveram infecção, mas que comprovadamente estão com baixos níveis de vitamina D.

Ela é essencial para muitas funções no nosso organismo, como na prevenção e também tratamento de doenças autoimunes, cognição, doenças neurodegenerativas, cardiovasculares, entre outras.

Na covid longa, ela desempenha um papel essencial como prevenção das complicações trombóticas, cardiovasculares, e melhora da absorção de minerais como cálcio e fosforo, além da recuperação muscular nos pacientes que tiveram grande perda durante a infecção, pacientes em fisioterapia e aqueles cuja performance diminuiu, em qualquer atividade diária.

  • Triptofano

O aminoácido pode melhorar a insônia em pacientes que tiveram alterações no sono ou na capacidade de recuperação durante a noite, no descanso.

Além de ser um aliado no humor e também no apetite do paciente que está com dificuldades alimentares na covid longa, seja por alteração de paladar ou no desejo por determinados alimentos. Pela alimentação, podemos encontrar em ovos, bananas, arroz integral, no cacau. Para doses mais elevadas, a suplementação pode ser eficaz.

  • Vitaminas do complexo B

No complexo B, como é conhecido, cada vitamina desempenha um papel necessário em cada ciclo metabólico ou reação metabólica.

Eles são essenciais para a recuperação, fadiga, cognição, síntese de proteínas, queda de cabelo, saúde cardiovascular e hepática, inclusive, para pacientes que estão enfrentando as dores articulares e musculares persistentes.

Na alimentação, está presente em uma lista imensa de alimentos, cada um com quantidades diferentes entre as vitaminas que compõe o complexo B, sendo assim, uma alimentação rica em verdes escuros, feijões, ovos, carne vermelha, oleaginosas e frutas poderá suprir a quantidade necessária, mas a suplementação de cada uma individualmente é muito eficaz.

Não deixe de procurar auxílio profissional. Esses são apenas alguns de uma lista bem importante de nutrientes que poderão ser suplementados ou adaptados dentro da sua rotina alimentar, junto ao tratamento médico e outras estratégias para a sua recuperação total.