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Taise Spolti

Tomar probióticos realmente faz bem? Veja se vale investir na suplementação

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Taise Spolti

Taise Spolti é formada em educação física e, atualmente, estuda nutrição. Já foi fisiculturista profissional e hoje tem interesse em aliar sua rotina alimentar à gastronomia. Costuma dizer que não se satisfaz com pratos pequenos ou sabores comuns. Participou do programa ?Masterchef?, da Band, onde pode mostrar em rede nacional suas receitas.

Colunista do UOL

05/12/2021 04h00

A microbiota intestinal, que já foi chamada de flora intestinal, é um bioma de bactérias e micro-organismos, incluindo vírus, que fazem parte do nosso organismo e do bom funcionamento, principalmente, da nossa resposta imunológica. Não à toa, ficou tão presente nos assuntos citados durante a pandemia, já que exerce papel fundamental na disputa primária da entrada de vírus, bactérias e os outros micro-organismos.

Assim que uma bactéria entra no nosso organismo através da alimentação, a nossa microbiota será a primeira barreira contra a ação do microrganismo no nosso corpo, assim como ocorre com alguns vírus, fungos e protozoários. Microbiota não é somente o ambiente intestinal, temos microbiota da pele, microbiota oral, entre outras, que vamos adquirindo ao longo de toda nossa vida.

Já é comprovado que algumas coisas interferem diretamente na nossa microbiota antes mesmo do nascimento, pois nosso organismo vai criando barreiras conforme a alimentação da mãe, ainda durante a gestação. O segundo momento marcante para nossa microbiota é o nascimento, ou melhor, a via de parto, onde o parto pélvico tem grande vantagem sobre a passagem da microbiota da mãe para o bebê, de forma direta, passando para o bebê as primeiras e fortes barreiras conta muitos micro-organismos que foram criados no corpo da mãe durante a vida dela. Esta passagem se intensifica com o aleitamento materno, e depois com o contato com a natureza.

Este breve resumo dá uma ampla noção de que o contato com micro-organismos "do bem" nos fortalecem, moram no nosso corpo e fazem parte da nossa saúde, pois disputam espaço de sobrevivência, como uma concorrência, contra os micro-organismos nocivos à nossa saúde. Enquanto a nossa microbiota vencer, haverá equilíbrio, e menos infecções e doenças recorrentes teremos.

O papel da microbiota também é importante para a fabricação de nutrientes, como a síntese de vitamina K, assim como digestão de radicais livres, absorção de alguns minerais como ferro, e a produção de AGCC (ácidos graxos de cadeia curta), tão importantes para nosso metabolismo. Quando temos uma microbiota saudável, isso quer dizer que temos um equilíbrio bom e com maior quantidade de micro-organismos benéficos, tendo grande parte das principais: firmicutes e bacterioidetes.

Quando há desequilíbrio, temos o que chamamos de disbiose, ou seja, micro-organismos patogênicos estão em maior quantidade, gerando inflamação, infecções de recorrência, liberação de substâncias tóxicas, entre outras condições que estão ligadas principalmente ao câncer e a doenças metabólicas.

Muito se falou nos últimos tempos, então, sobre como a alimentação e a suplementação com probióticos poderiam ser uma saída para melhorar esse desequilíbrio e então agir na melhora da saúde do indivíduo. Porém ressalto aqui a grande confusão que pode ocorrer quando se trata da parte suplementar.

A alimentação é a principal forma de manter e equilibrar a microbiota intestinal de forma saudável, através de fibras e alimentos fermentados, multiplicando as boas bactérias que temos, que conseguem combater as patológicas. Antes mesmo de começar a suplementar, quero que você conheça alguns pontos:

- Como desequilibra a microbiota? Através do consumo alto de gorduras, refrigerantes, açúcar (e aqui um alerta: o consumo de açúcar na infância é o principal causador de desequilíbrio da microbiota infantil, trazendo maior risco não só de obesidade, mas também de infecções e inflamações seguidas na criança), álcool, cigarro e pouca fibra.

- O que são probióticos? São micro-organismos que podem ser apresentados liofilizados, em pó, cápsulas ou já dentro de alguns alimentos como iogurte. Eles precisam de prebióticos, ou seja, nutrientes que eles usam para sua alimentação e proliferação. Uma boa alimentação inclui alimentos prebioticos.

- O que são simbióticos? São produtos que contém pré e probióticos juntos na mesma preparação, muitos são manipulados ou em sachês nas farmácias. São eles que vocês encontram com mais facilidade.

Um grande fato é que grande parte da população hoje sofre com problemas gastrointestinais ligados ao seu estilo de vida. Sabemos que os hábitos estão em transição, temos um número grande da nossa população com sobrepeso e obesidade relacionado ao estilo de vida, e mesmo a parcela que está com o peso adequado ainda sofre com os efeitos de ter alimentação inadequada ou então dos excessos como álcool, cigarro, e o maior vilão da nossa vida atual: estresse. Será então que fazer uso de probióticos pode nos ajudar?

A resposta é: depende.

Ao fazer uso de probióticos, ainda que com disbiose e tendo a necessidade de melhorar a qualidade da nossa microbiota, o que pode ocorrer são as disputas entre as bactérias que temos instaladas no nosso intestino contra as que estão sendo suplementadas. Esta competição pode não aumentar a quantidade de bactérias benéficas, pois dependendo da quantidade de probióticos que está sendo ofertada em suplementação, ainda restará um ambiente patógeno e desequilibrado.

O grande fator não é sobre a quantidade de probióticos que você deve aumentar na suplementação, mas de como você oferta através da alimentação os nutrientes necessários para que aquela microbiota consiga combater os patógenos e se multiplicar. Para isso você deverá ficar atento ao alimento que está ofertando que favorecem a microbiota saudável, tal como: vinagres e alimentos fermentados, fibras, insulina, frutas e vegetais, e também evitar alimentos industrializados, reduzir o consumo de açúcares e gorduras.

Assim como ficar atento ao tipo de probiótico que você está usando, uma quantidade maior de suplementação de probióticos pode causar desconforto gástrico, então as doses tendem a ser menores e sempre aliadas ao bom hábito alimentar. Dentro dos grupos mais bem aceitos e com maior resultado estão: tipo lactobacilo (reuteri, ramoso e acidófilo são os mais procurados) e bifidobactérias. Outro fator é quanto ao tempo de uso, que deve ser orientado conforme a patologia ou condição que se encontra o indivíduo.

Se você está usando ou quer suplementar com probióticos, fale primeiro com o nutricionista ou médico que lhe acompanha para evitar desconfortos e ter os benefícios ao máximo que os probióticos podem trazer.