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Taise Spolti

Como diminuir a ansiedade por meio da alimentação

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Imagem: Getty Images
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Taise Spolti

Taise Spolti é formada em educação física e, atualmente, estuda nutrição. Já foi fisiculturista profissional e hoje tem interesse em aliar sua rotina alimentar à gastronomia. Costuma dizer que não se satisfaz com pratos pequenos ou sabores comuns. Participou do programa ?Masterchef?, da Band, onde pode mostrar em rede nacional suas receitas.

Colunista do UOL

26/09/2021 04h00

A ansiedade, assim como a depressão, foram os assuntos mais procurados nos últimos meses na internet —termos 'como' e 'ansiedade' tiveram aumento na busca em diferentes plataformas. Não precisamos ir muito longe na ciência ou dados para notar que pessoas ao nosso redor, incluindo nós mesmo, foram afetados pela pandemia no que diz respeito às emoções, comportamento, sentimentos, seja pela perda de parentes, amigos e conhecidos, seja pela instabilidade financeira ou insegurança alimentar de toda a população.

A ansiedade é um sentimento de antecipação, ou seja, sentimos na pele os efeitos de uma ação do futuro, em termos mais simples de se entender. Ela vem daquilo que está no futuro, mas que pode também estar associado a traumas do passado. Um exemplo é a perda de emprego, que no passado pode ter sido extremamente traumático, e que no período que estamos passando causou um transtorno de ansiedade em quem antecipa a dor de uma possível perda de emprego no futuro.

Até mesmo sem um trauma prévio, a ansiedade está associada a um distúrbio mental, e ela deve ser tratada como tal, sem jamais usar alguma mensagem diminutiva de 'está sofrendo à toa' para com pessoas que sofrem dessa condição.

A ansiedade, inclusive, quando em excesso ou sem a devida atenção, pode levar a quadros mais graves de outros distúrbios, como o obsessivo compulsivo, depressão, ansiedade generalizada (quando está relacionada a absolutamente tudo, sem um único motivo aparente, mas constante e permanente), entre outros transtornos relacionados. Um deles está no comportamento alimentar alterado, uma típica procura pelo comer emocional, que conhecemos por não estar relacionado à fome ou necessidade alimentar, mas pela procura em 'solucionar' um problema ou emoção por meio da comida.

Para ajudar, não somente nisso, mas em todas as condições de saúde que conhecemos, a nutrição oferece o conhecimento necessário para que nós consigamos adquirir dela os nutrientes e ativos que auxiliam no combate à ansiedade ou, ao menos, diminuir os efeitos. Separei uma pequena, mas importante, lista:

  1. Ovos: são grandes fontes de triptofano, um aminoácido que auxilia na produção de serotonina, principal neurotransmissor regulatório do humor, comportamento, memória e, principalmente, o sono;
  2. Melissa e valeriana: não somente em chá, mas em muitos casos podendo ser manipulados como fitoterápicos, a melissa mantém os níveis de GABA elevados e em atividade por mais tempo (ele é responsável por manter o controle da ansiedade no sistema nervoso central); e a valeriana atua exatamente da mesma forma no organismo;
  3. Ashwagandha: uma raiz conhecida também como ginseng indiano tem capacidade de controlar a ansiedade, fadiga e melhorar a concentração e o foco. Pode ser manipulado com a fitoterapia;
  4. Chocolate amargo: capaz de reduzir os níveis de ansiedade por meio da alta concentração de magnésio. Não somente no chocolate amargo, mas também presente em outros alimentos, o magnésio é um importante mineral responsável pelo controle das emoções, tanto na ansiedade quanto na depressão. Em casos mais específicos, é necessária a suplementação do mineral --com a recomendação de um nutricionista. O magnésio também está muito presente no amendoim, na aveia em flocos e na banana.

Importante salientar que esta lista é um pequeno apanhado do que a nutrição e a ciência podem oferecer por meio dos elementos naturais. Porém sempre com supervisão e orientação, pois na grande maioria dos casos de ansiedade e depressão, é extremamente necessário e importante o acompanhamento profissional e a utilização de fármacos que auxiliem no processo.

Saber respeitar a ansiedade como tal, assim como a depressão, e entender que é necessário ajuda, em vez de negligenciar, minimizando as sensações e os sentimentos, é o primeiro passo para um tratamento eficaz. Neste setembro amarelo, mas não somente neste mês, quando há grande conscientização sobre o suicídio, entenda que, com o devido auxilio, com alimentação adequada, hábitos saudáveis, e manutenção do seu bem-estar, você pode vencer a ansiedade.