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Taise Spolti

'Toma um remedinho': pare de descontar nele os erros cometidos ao seu corpo

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Taise Spolti

Taise Spolti é formada em educação física e, atualmente, estuda nutrição. Já foi fisiculturista profissional e hoje tem interesse em aliar sua rotina alimentar à gastronomia. Costuma dizer que não se satisfaz com pratos pequenos ou sabores comuns. Participou do programa ?Masterchef?, da Band, onde pode mostrar em rede nacional suas receitas.

Colunista do UOL

12/09/2021 04h00

Já viu aquelas pessoas que para tudo e todas as situações sempre têm um "remedinho" guardado?

A farmacodependência mais do que nunca se fez em evidência nesse período pandêmico, assim como o uso de redes sociais, consumo de bebidas alcoólicas e sedentarismo tiveram seus índices aumentados. O uso de outras muletas para controle emocional aumentou, como no caso da farmacodependência, na qual o indivíduo, sem perceber, faz uso de um ou dois medicamentos para cada situação do seu dia a dia.

Veja alguns exemplos:

  • Dor de cabeça gerada pelo estresse, má qualidade do sono, cansaço físico e emocional, TPM ou outra causa: um analgésico;
  • Dor em alguma parte do corpo pelo sedentarismo, perda de peso descontrolada, fraqueza muscular, ganho de peso, encurtamento de membros: mais um analgésico ou relaxante muscular;
  • Falta de ânimo, energia baixa, sem foco e concentração, alteração de humor pelo excesso de tarefas, brigas pessoais, desentendimentos: um energético, uma cafeína sintética ou um estimulante do Sistema Nervoso Central;
  • Não consegue dormir, qualidade de sono baixa, não desliga o cérebro e os pensamentos para poder dormir com qualidade, estresse elevado, ansiedade descontrolada: um calmante e um outro medicamento para dormir;
  • Descontrole na comida, tristeza e baixa energia, alguns ataques compulsivos, frustrações: outro calmante e um inibidor de apetite;
  • O intestino não funciona, fica dias sem ir ao banheiro, constantemente gripado ou resfriado, ataques alérgicos constantes, rinite, sinusite, dermatites: mais algum anti-inflamatório e outro que ajude no trânsito intestinal.

Nem coloquei na lista os opioides, medicamentos usados off-label para emagrecimento, mas uma coisa é certa: você provavelmente identificou alguém que conhece aqui nessa pequena lista —ou você mesmo se identificou com ela.

Obviamente que o objetivo da matéria não é alertar quimicamente sobre os efeitos colaterais individualmente de cada droga. Eu sou uma profissional da saúde que defende o avanço que a medicina teve ao longo da nossa história e não creio que tudo seja negativo ao nosso organismo. Se determinadas drogas foram criadas, é porque houve uma necessidade emergente sobre ela. O grande perigo está na dependência de uma muleta química para absolver a culpa ou realizar um efeito tampão em algum efeito colateral do nosso corpo frente aos comportamentos que temos e pelo nosso estilo de vida nada saudável.

Conhecido como farmacodependência, esse comportamento leva a um indivíduo usar e abusar dos medicamentos por tempos mais prolongados ou por uma frequência mais elevada do que a margem segura de uso; muitas vezes pratica a automedicação e emenda um medicamento no outro rotineiramente e sem perceber.

Para os efeitos que comentei acima, provavelmente você, que lê minhas matérias há algum tempo, já antecipou que muitas das alterações que levam o indivíduo a usar um medicamento podem facilmente ser resolvidas com atitudes mais benéficas ao corpo, evitando mal-estar, evitando dores e fraquezas, evitando dores de cabeça, melhorando a qualidade do sono, e uma cascata de coisas benéficas que acontecem ao corpo daqueles que mantêm hábitos saudáveis.

A começar pela alimentação e pela ingesta adequada de água, a dor de cabeça e muitos episódios de enxaqueca são reduzidos exponencialmente, assim como a dor atrás dos olhos, a falta de ânimo e energia, e a frequência com que ficamos resfriados e doentes.

Partindo para uma melhor qualidade do sono, respeitando uma rotina e um despertar organizado, sem excessos de tela antes de dormir, é possível adequar o sono sem uso de medicamentos a longo prazo e, com ele, a energia, o humor e principalmente a regulação hormonal, que serão os pontos-chave da saúde e resposta metabólica e inflamatória.

Finalizando com hábitos físicos, como o exercício, o não sedentarismo oferece desde a oferta de mais energia para o corpo e para o cérebro, diminuindo dores, resposta inflamatória, manutenção do peso, até a capacidade de tratar doenças, prevenir e modular até o comportamento compulsivo e as emoções —e aqui já faço o gancho para a campanha linda do VivaBem #ExercícioÉRemédio, com muitas dicas, entrevistas, matérias e vídeos para auxiliar você a sair do sedentarismo e se manter ativo.

Esteja certo de que o uso exacerbado de medicamentos se torna tóxico ao seu organismo, causa efeitos colaterais de médio e grande porte, e também a curto ou longo prazo. Os medicamentos são drogas excepcionais para determinadas situações, patologias e circunstâncias que são controladas pelo seu médico, mas que sem a atitude tomada de fora, para a resolução de vez do problema que o levou a ter aquela necessidade medicamentosa (como um infarto, AVC, câncer, doenças crônicas etc.), apenas se tornarão uma muleta química e mais tóxica ao seu corpo, levando ele a uma outra lista de patologias resultantes dos efeitos colaterais.

Antes de fazer uso de qualquer medicamento, consulte o seu médico, entenda o motivo que o levou àquela situação, e tome atitudes e comportamentos saudáveis para controlar e diminuir cada vez mais o uso da droga, e essas atitudes e estratégias devem estar também acompanhadas de profissionais como educador físico e nutricionista, levando você ao que tanto aclamamos: saúde e bem-estar.