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Taise Spolti

Desnutrição e perda de peso não são indicativos de sucesso no emagrecimento

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Taise Spolti

Taise Spolti é formada em educação física e, atualmente, estuda nutrição. Já foi fisiculturista profissional e hoje tem interesse em aliar sua rotina alimentar à gastronomia. Costuma dizer que não se satisfaz com pratos pequenos ou sabores comuns. Participou do programa ?Masterchef?, da Band, onde pode mostrar em rede nacional suas receitas.

Colunista do UOL

22/08/2021 04h00

Quando falamos em esquema de emagrecimento, englobamos estratégias que envolvem dietas, treinamentos e até terapias medicamentosas que visam a perda de gordura —ou seja, a eliminação de tecido adiposo com melhora de doenças crônicas já existentes, assim como evolução de quadro clínico geral e qualidade de vida. Isso é o que seria um esquema considerado ideal para emagrecer.

Mas o que encontramos no dia a dia da nossa realidade digital, com grande disseminação de informações, úteis e inúteis, verdadeiras e falsas, é que dois fatores acabam sendo os mais procurados pelo público que "deseja emagrecer" (entre aspas pois quero relevar o fato de que emagrecimento não é regra, nem obrigatório, nem meio de encaixe em padrões): comer pouco (aquele típico 'fechar a boca', ou até "passar fome"); ou então exclusivamente a perda de peso.

Independente de qual motivo leva um indivíduo a escolher e entrar em um processo de emagrecimento, é importante ponderar que essas duas escolhas citadas acima acabam não trazendo a satisfação ideal. Num primeiro momento, elas até podem gerar uma satisfação transitória, mas inevitavelmente teremos o momento do "depois", quando o peso já não é mais um problema e vem a necessidade da manutenção.

Alguns exemplos bem claros são: dificuldade de manter o peso, recidivas em cirurgias plásticas ou bariátricas, doenças associadas a desnutrição pela falta de planejamento da alimentação equilibrada, desregulação hormonal, dificuldades em engravidar, dificuldades emocionais e de humor, problemas estéticos e estruturais (como dores, fraqueza, flacidez, estrias, desgastes articulares). Todos esses problemas podem ser associados às dietas restritivas prolongadas ou à perda de peso sem acompanhamento ideal.

E o motivo é um só: desnutrição.

Emagrecer é justamente o contrário daquilo que se mostra na internet ou se contempla em perfis de "emagreça rápido para o verão e seja feliz" (como se a felicidade estivesse unicamente atrelada ao fato de ser gordo ou magro). Emagrecer é oferecer melhores aspectos físicos, bioquímicos e clínicos ao paciente e que vão melhorar a qualidade de vida dele, a mobilidade, o sono, o metabolismo, o sistema hormonal e o seu relacionamento com suas dores, seus traumas e até a forma como se comporta em torno da alimentação (e que pode ter causado a obesidade e doenças crônicas relacionadas).

Quem procura a perda de peso geralmente procura uma resposta rápida a um anseio que o incomoda, e quem procura isso por meio de condutas duvidosas geralmente recorre ao que já falamos sobre comer pouco, fazer jejum excessivo, passar fome, desregular completamente seus sistemas para um único fim: perda de peso.

Nesse processo, perde-se água, desregulam-se sistemas endócrinos, metabólicos, neurológicos e comportamentais, provocando desnutrição falta de proteínas quando levadas a grandes períodos. E então vemos aqueles quadros que conhecemos bastante: o indivíduo perde bastante peso e imediatamente começa a ter problemas problemas endócrinos, metabólicos e estruturais como pele flácida, dores articulares, sensação de fraqueza, apatia, letargia, unhas enfraquecidas, queda de cabelo, dentes fracos, ossos fragilizados, intolerâncias alimentares, transtornos de imagem ou de comportamento, desregulação do sono, desregulação hormonal (mulheres geralmente sentem isso na menstruação).

Aqui você já deve estar concordando comigo: não vale a pena, e você com certeza conhece pessoas que passaram por isso, ou passam por isso todo ano perto do verão.

A perda de peso alcançada por meio dessas condutas não necessariamente está relacionada à perda de tecido adiposo e melhora do metabolismo energético e oxidação de gordura, mas sim à perda de proteínas, água e peso muscular.

Emagrecimento eficiente é exatamente o contrário disso. Dizemos que o sucesso de um esquema de emagrecimento existe quando, além da perda de peso controlada, o paciente teve melhora de todos os outros aspectos citados acima, ou seja, sua disposição melhora, sua energia melhora, seu sono, sistema endócrino, respostas inflamatórias, humor, movimentos e mobilidade, dores, e tantos outros aspectos, melhoram exponencialmente, devolvendo àquele paciente a qualidade de vida que ele merecia experimentar.

Só que esse tempo para que isso aconteça pode variar, já que depende de quem é o paciente, de quanto peso é necessário eliminar em gordura, de como será o acompanhamento emocional, terapêutico, físico e clínico, além do nutricional. O sucesso ocorre quando este mesmo indivíduo permanece nos resultados esperados, evitando o efeito sanfona, recidivas pós-bariátricas, ou descontrole de transtornos compulsivos alimentares.

Se você está em um esquema de emagrecimento, procure sempre se manter em contato com os profissionais que o acompanham, esteja sempre alerta aos sinais e sintomas do seu corpo. Um processo de emagrecimento é o combate a toda a problemática que a obesidade pode acarretar ao seu corpo, e não um objetivo estético.

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