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Taise Spolti

Mães e constipação: é muito comum e com sérias consequências à saúde

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Imagem: Getty Images
Taise Spolti

Taise Spolti é formada em educação física e, atualmente, estuda nutrição. Já foi fisiculturista profissional e hoje tem interesse em aliar sua rotina alimentar à gastronomia. Costuma dizer que não se satisfaz com pratos pequenos ou sabores comuns. Participou do programa ?Masterchef?, da Band, onde pode mostrar em rede nacional suas receitas.

Colunista do UOL

11/04/2021 04h00

Você já sentiu dificuldade em ir ao banheiro? Fazer seu intestino funcionar como um reloginho? Se a resposta for sim, saiba que você faz parte de um grande grupo de adultos que sofrem com a constipação, ou com a síndrome do intestino irritável, a qual quero dar atenção em outra matéria, pois estima-se que 20% da população ocidental tenha essa condição.

A constipação é uma doença com várias causas, tem maior prevalência em mulheres adultas e em mulheres que já tiveram uma gravidez. Ela é difícil de se explicar, já que a constipação pode ser definida por um paciente pela dificuldade em evacuar, outros relatam evacuar a cada três dias, alguns relatam dores e outros não. Mas o consenso de definição sobre o que é uma constipação é a própria avaliação e relato do paciente, que envolve queixas como: evacuação insatisfatória, esforço excessivo para evacuar, evacuação incompleta, fezes endurecidas e em cíbalos, período muito distante entre uma e outra evacuação, a sensação de ânus estreito, associados ou não à distensão abdominal com flatulência.

Dentro do que envolve a constipação, venho mediando em meu Instagram uma conversa franca sobre o problema na mulher, já que o mês das mães está chegando, grupo de mulheres mais afetadas em comportamento, cultura e alterações fisiológicas pelo período da vida em que estão passando, e é aqui que eu gostaria de firmar o assunto da matéria.

O autor e pesquisador Julio Cesar Monteiro, em uma matéria publicada em 2005 na Revista Brasileira de Coloproctologia, descreve como o comportamento na educação e na cultura da mulher desde a infância pode se tornar fator decisivo que envolve o processo de constipação:

"A criança do sexo feminino, em nosso meio, aprende a regular as funções fisiológicas para dejeção somente em situações sempre especiais, jamais usam, por orientação, o vaso sanitário de lugares públicos (escola, cinema, restaurante, hotéis etc.) e mesmo o de outro lar que não o seu. Além disso, a menina aprende a ver o ato de urinar e evacuar ou eliminar gases como práticas rejeitadas que não se enquadram no contexto cultural da boa educação. O quadro é mais notável com a progressiva expansão das atividades femininas fora do lar, na medida em que a mulher passa a assumir um papel social duplo, dividindo como o homem o trabalho e o sustento da casa. Essa nova tarefa não lhe facultou o direito de abandonar a educação dos filhos e nem a gerência das atividades domésticas, mas a tornou assoberbada de obrigações. Dentro desse quadro, as necessidades fisiológicas que requerem 'um ambiente especial' vão sendo postergadas em favor dos extraordinários. O desejo de evacuar que é a sensação de conteúdo retal e dependente do trânsito que se torna lento desaparece progressivamente, na medida da maior contrariedade, da maior complacência retal e da elevação consequente do limiar de sensibilidade dos receptores da ampola do reto e musculatura circunjacente".

Ainda pensando na mulher, mais especificamente as mães, as quais quero concentrar as atenções neste mês, notamos a dificuldade em ter no próprio lar o centro do relaxamento para promover a rotina de evacuações, pois, analisemos bem, a mãe muitas vezes sequer consegue ir ao banheiro por muitos minutos sozinha, tomar um banho demorado, e durante a gravidez há também a constipação natural da gestação, que ocorre durante um período mas que, espera-se, diminui após os meses pós-parto.

Sabendo então os sintomas, o que envolve a constipação, e os grupos que mais sofrem com essa condição, vamos aprender um pouco então sobre os malefícios que essa condição patológica pode acarretar à nossa saúde, afinal muitos somatizam anos até a procura de um especialista para o tratamento eficaz:

  • Desconforto contínuo: tanto desconforto físico quanto emocional, a pessoa com constipação experimenta constantemente o mal-estar de estar em diferentes locais e ter que alternar entre o humor e o relaxamento para evacuar ou não naquele momento, isso se aplica principalmente para as mulheres como já vimos no texto.
  • Dor física: dor aguda, como se fossem 'pontadas' tanto na região da lombar quanto do abdômen se propagam muitas vezes durante dias, essa dor nitidamente atrapalha o humor e o bem-estar de um indivíduo.
  • Alterações de humor: não se sabe ao certo quais as causas definitivas dessa alteração de humor, porém o que se sabe é que uma pessoa constipada de fato possui alteração de humor, que está relacionada a outras áreas afetadas da vida, como qualidade do sono, alimentação desregulada.
  • Pode ser sinal de câncer, diabetes e até hipertensão: a constipação crônica pode ser o primeiro sinal que o corpo dá quando falamos em câncer, diabetes e hipertensão. Sabe-se que essas doenças levam a alterações metabólicas e intestinais, levando então à constipação e, sendo assim, deve ser investigado com um profissional.
  • Alterações da microbiota, levando à disbiose: a dificuldade em evacuar, somado a fezes endurecidas e com permanência de alguns dias na região colorretal, altera a microbiota, somatiza alterações de proliferação de micro-organismos na região e que podem alterar negativamente o equilíbrio entre os micro-organismos, e isso afeta não somente a saúde gastrintestinal, mas a saúde no geral, já que a microbiota, como sabemos e como eu já escrevi aqui, possui papel fundamental na saúde imunológica, inflamatória, estrutural, protetora, e metabólica.

Pra finalizar, não somente para as mães, mas para mulheres, homens, idosos, todo mundo, o que fazer para evitar ou diminuir os riscos?

- Estar atento às alterações emocionais e de humor, principalmente para quem está no período de desfralde de uma criança, se atentar ao respeito e a educação não privatória;

- Ingerir ao menos 25 g de fibras ao longo do dia, distribuídos em diferentes alimentos, como: frutas com casca, verduras, folhas, farelos, abóbora, mandioca, lentilhas, feijões (lembre-se sempre de deixar em remolho), cereais como aveia e psillyum;

- Aumentar a ingestão de água para, ao menos, 35 ml por kg de peso corporal ao dia;

- Realizar atividade física;

- Consumir boas fontes de gordura e carboidratos integrais.

Você conhece alguma mãe, mulher, ou alguém que esteja com algum sinal ou sintoma que relatei nessa matéria? Manda para ela!

E me conta o que achou no Instagram @taisespolti.

Fontes pesquisadas:

https://www.sbcp.org.br/revista/nbr251/P79_93.htm

Revista Brasileira de Coloproctologia

Revista Brasileira de Nutrição

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