PUBLICIDADE

Topo

Taise Spolti

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Veja mitos e verdades sobre fortalecer a imunidade por meio da alimentação

iStock
Imagem: iStock
Taise Spolti

Taise Spolti é formada em educação física e, atualmente, estuda nutrição. Já foi fisiculturista profissional e hoje tem interesse em aliar sua rotina alimentar à gastronomia. Costuma dizer que não se satisfaz com pratos pequenos ou sabores comuns. Participou do programa ?Masterchef?, da Band, onde pode mostrar em rede nacional suas receitas.

Colunista do UOL

28/02/2021 04h00

Se tem um assunto que está em vigor e sempre em alta, nesse ultimo ano principalmente, é a imunidade. Com certeza você já se deparou com, pelo menos, duas matérias ou propagandas só hoje, seja na televisão ou na rede social, falando em imunidade.

É reforço de imunidade para lá, reforço de imunidade para cá, terapias, suplementos, os conhecidos "superalimentos" e muitas outras soluções que prometem aumentar ou reforçar sua imunidade.

Mas cabe alertar que nem tudo é o que parece, e que num momento tão delicado como esse que estamos vivendo, você deve estar munido de informação para não cair em furadas ou investir seu dinheiro em algo que não é verdadeiro.

Para começar, fiz um resumo do que é imunidade:

O sistema imunitário, ou sistema imunológico, é complexo (sim, tudo dentro da gente é complexo, pois envolve muitas reações em cadeia para funcionar direitinho) e envolve ações de resposta inata ou adquirida.

A imunidade inata é o sistema natural do nosso organismo, está sistematicamente envolvida com nossas reações desde a concepção e formação da primeira célula do nosso ser. Esta é uma resposta que não se pode modificar, pois está codificada no nosso DNA.

A imunidade inata é representada com barreiras físicas, químicas e biológicas, células especializadas e moléculas solúveis, presentes em todos nós, independentemente de contato anterior com agentes agressores e, o principal, não se altera após o contato, nem em quantidade nem em qualidade de resposta (se tornando mais eficiente ou menos eficiente a tal contato).

Esse é o caso de infecções ou reações de fagocitose no nosso corpo, que são imediatamente moduladas pelo nosso sistema imune inato através dos macrófagos e neutrófilos (conseguimos ver alterações através do exame hemograma, que é simples e tão eficiente).

Já a resposta imunológica adquirida, ou adaptativa, é uma forma de defesa do nosso organismo que se molda a depender do estimulo, ou seja, é preciso ter contato com o antígeno ou agente sinalizador (que pode ser alimento, toque, picadas de inseto e, obviamente, os vírus) para que nossas células especializadas façam o reconhecimento, memória, especialização da resposta de forma especifica.

Sendo assim, é dependente de um bom organismo que não esteja passando por um processo de inflamação ou patologias que afetam diretamente as defesas do nosso organismo. Esta sim, cabe lembrar, é o tipo de imunidade que queremos buscar 'reforço'.

Mas e então dá para reforçar a imunidade, sabendo que para ela ter resposta devemos ter contato com o agente?

Aqui é o que chamamos de 'pulo do gato', pois para vírus, já que estamos falando desse assunto em plena pandemia de covid-19, o único jeito de conseguir adquirir essa resposta adaptativa é necessário termos contato, e por isso existem as vacinas, para que tenhamos segurança ao lançar em nosso organismo à codificação de uma resposta imunológica mais leve e sem riscos, mas que nos faça criar memória e reconhecimento e, assim, termos resistência à doença, ou melhor, resposta eficiente a ela sem riscos à saúde.

E por meio da alimentação, é possível reforçar a imunidade?

Quando nosso organismo está com inflamações instaladas, principalmente de forma crônica, que são os casos de pessoas com sobrepeso e obesidade (mediadores de inflamação entre as células adiposas), com patologias crônicas, ataques diretos ao organismo como fumo, poluição, agentes químicos (principalmente através da alimentação pobre de nutrientes e rica em alimentos industrializados), álcool, medicamentos de uso prolongado, entre outros, o sistema de defesa inato está sobrecarregado —e aqui entram as reações em cadeia, já que, se um não consegue por estar sobrecarregado, o outro (adquirido) terá que dar conta.

Nossos parâmetros bioquímicos estarão alterados, isso quer dizer que se torna muito mais fácil sofrer as consequências de uma nova infecção por qualquer agente nocivo e antígenos, obviamente criando danos a nossa saúde e ao nosso bem-estar.

Na nutrição é comum indicarmos uma alimentação rica e fortalecedora do nosso sistema metabólico e imunológico, principalmente através de alimentos específicos e atitudes que possuem comprovação científica em resposta imunológica, como é o caso do exercício físico, que causa adaptações diretas. Já nos alimentos, alguns são responsáveis por modular a resposta inflamatória, dando, assim, reforço ao sistema imunológico de forma indireta.

E por fim, falando em imunonutrição, que é o que procuramos cada vez que pensamos em nutrição eficiente ou reforço de imunidade através da alimentação, é o uso de nutrientes específicos através do alimento ou, na falta dele, em suplementos, que possuem eficácia comprovada, mas com terapia especifica, ou seja, consumidos em quantidades maiores ou até profiláticas (para prevenção), a fim de restabelecer a saúde e resposta imunológica do indivíduo.

Imunonutrientes são, então, os nutrientes que buscamos dentro de uma alimentação a fim de ter essas respostas e chegar ao tão esperado reforço da imunidade.

Os principais: arginina, glutamina e ômega 3. Estes são tanto adquiridos através de uma alimentação rica e eficiente quanto com o uso de suplementação. Além destes, comprovadamente a vitamina D (e consequentemente sua falta), vitamina C, E, A, magnésio, ferro e zinco são essenciais.

Por fim, para te ajudar a incluir esses nutrientes de forma eficaz na sua rotina, separei alguns alimentos importantes, além dos hábitos que você já conhece, como ser ativo, manter uma alimentação limpa e equilibrada, reduzir ou parar com álcool e fumo e pegar um sol de leve sem protetor solar:

Carne vermelha, leite, frutas cítricas, ovos, nozes e castanhas, peixes, cogumelos, brócolis, espinafre, leguminosas, sardinha, atum, gergelim, cereais integrais como o arroz e aveia, entre outros.

Para finalizar, você deve ter analisado esses alimentos e pensado: mas só isso?

Pois é, quanto mais simples, rica, variada e limpa for sua alimentação, mais eficiente será sua nutrição e os benefícios que seu corpo terá através dela, e nem por isso você deverá investir muito dinheiro em terapias que não surtirão efeito, assim como o uso de alguns suplementos, caso você seja uma pessoa que está constantemente atacando seu organismo com atitudes maléficas ou pela negligência com atitudes saudáveis.

Agora que você conhece os alimentos mais procurados e indicados para se ter na sua rotina alimentar, saiba que para um bom uso de suplementação, você deve procurar um profissional nutricionista para te guiar quanto à necessidade, quantidade e usos corretos, dentro de uma patologia ou como prevenção.

Gostou? Me conta o que achou aqui no meu Instagram

@taisespotli

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL