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REPORTAGEM

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Ingrid Guimarães: 'Não me preparei para os 50 anos'

Jairo Goldflus
Imagem: Jairo Goldflus
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Silvia Ruiz

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Colunista do UOL

20/05/2022 04h00

Toda a vez que eu olho para a Ingrid Guimarães, não deixo de ver a menina que me encantava no início dos anos 90 como estrela de Confissões de Adolescente. Quando a gente conversou esta semana sobre a chegada dos seus 50 anos, e apesar dos meus próprios 51 anos, eu pensei: "mas já? Ninguém me avisou!". E, pelo jeito, ninguém avisou a ela, também: "Eu confesso que esse número tem sido muito assustador para mim. Comecei a pensar: e agora? Eu vou ser a vovó engraçada? Humor tem muito a ver com atualidade. E eu me sinto jovem, internamente. Mas me dei conta de que esse medo vem do fato desse assunto ser muito pouco falado." Uma coisa não mudou. Ingrid continua sendo aberta, transparente, confessional mesmo, falando de suas questões, como envelher.

O nome do medo que nós mulheres temos da idade é etarismo. Afinal, desde cedo a gente ouve que temos data de validade. E os 50 são uma espécie de marco desse prazo no inconsciente coletivo. "Aos 46 me ofereceram um papel de uma mulher gostosa numa novela. E um amigo falou: 'aceita! Porque vai ser uma das últimas vezes que seu telefone vai tocar. Aos 50, o telefone para de tocar", conta a atriz. "Isso me marcou."

Mas Ingrid não aceitou. E acontece que o telefone não parou de tocar. Até porque, como ela diz, ele nunca tocou. "Eu passei a vida toda correndo atrás do que queria. Eu não sou o padrão de beleza, eu sempre estive fora do que as pessoas esperavam. Então desta vez não ia ser diferente." Pois foi agora, aos 50, que Ingrid deu uma das maiores viradas de chave da carreira. Deixou a Rede Globo, onde passou décadas, para fechar um contrato considerado revolucionário com a Amazon Prime Video. Será a primeira mulher no Brasil a ocupar o cargo de showrunner na plataforma de streaming "Estou feliz porque o tamanho do lugar (minha contratação) indica novos tempos, novos olhares".

Sobre os 50

"Eu pensei muito sobre isso. Eu não me preparei para os 50. Eu envelheci na frente das câmeras, as pessoas me conhecem desde a adolescência. Então resolvi fazer uma grande festa para comemorar. Eu pensei: caramba, eu cheguei aqui, o Paulo Gustavo não chegou. A gente tem que mudar essa visão sobre envelhecer primeiro dentro da gente. Eu vejo que minhas amigas mais velhas já estão em paz com isso, é uma questão de olhar e superar essa visão equivocada que a gente tem desse marco dos 50. O que eu sofro é com as limitações que me impõem. E é por isso que eu também agora vou passar a criar conteúdo para esse público"

Menopausa

"A menopausa chegou para mim no meio da pandemia, junto com a minha saída da Globo e a morte do Paulo Gustavo. Não poderia ser num momento mais intenso. Fui à endocrinologista e ela me indicou reposição hormonal. É intenso, o corpo muda, a sensação é de que você 'seca' por dentro. E eu não sou uma pessoa seca! A reposição me salvou. Também há um momento de vida muito incrível que é minha filha menstruando, e eu parando. Mas de fato a gente muita coisa muda. Estou mais cansada, tenho que malhar sempre para me sentir bem."

Mulher vaidosa

"Eu sou uma mulher vaidosa, minha família toda é, minha mãe. Gosto de me cuidar. Eu nunca tive uma beleza padrão, e sempre gostei de cuidar do cabelo, do corpo. Estar bem com meu corpo me faz sentir bem comigo. Eu comecei a malhar tarde, mas hoje não vivo sem, até porque senão estaria cheia de dores. Eu pretendo me cuidar, sim. Cada uma envelhece como quiser, e acho que o feminismo também está aí. Eu vou a dermatologista, eu acordo e tomo 15 capsulas para me ajudarem na saúde e bem-estar (risos)."

Saúde mental primeiro

"Sou vaidosa, quero ser bonita do meu jeito. Mas muito mais importante do que isso para mim é minha saúde mental. E a vida espiritual. Cada vez mais isso é o que me move."

Personagens maduras

"Eu sou muito cria de Sex and The City. Mas não gostei de como as personagens apareceram no revival da série, And Just Like That. Não me vi representada naquelas mulheres. Eu quero falar de menopausa, mas com profundidade, não como foi falado ali. É isso que me interessa agora, fazer papéis que discutam essas mulheres. E eu vou criar para elas"

E a gente já está esperando ansiosamente pelos conteúdos que Ingrid promete trazer na Amazon colocando as mulheres 50+ no seu devido lugar (que é onde ela quiser estar). E com muito senso de humor, é claro.