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REPORTAGEM

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Varizes nas pernas podem surgir ou piorar com a idade; saiba como lidar

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Imagem: iStock
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Silvia Ruiz

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Colunista do UOL

30/07/2021 04h00

Fiz uma enquete informal no meu perfil no Instagram (me siga lá também: @silviaruizmanga) perguntando quem sofria com problemas de varizes ou vasinhos nas pernas: 76% das mulheres responderam que sim. Eu mesma estou dentro dessa estatística desde muito nova. Mas, nos últimos anos, principalmente com a aproximação da menopausa, a coisa piorou muito.

Estudos mostram uma prevalência média de 38% na população geral brasileira (proporção de até 2,3 mulheres para 1 homem), levando em consideração todas as faixas etárias. Mas, quanto mais envelhecemos, mais a situação se acentua. Cerca de 70% das pessoas acima dos 70 anos podem ter varizes.

Conversei com o cirurgião vascular Kasuo Miyake, reconhecido como um dos maiores especialistas no tratamento de varizes do mundo, para entender como a gente pode cuidar melhor das nossas veias na maturidade.

"A primeira coisa que tanto mulheres quanto homens precisam entender é que depois dos 45 anos, mesmo que não exista nenhuma veia à vista, não quer dizer que não existe um problema com elas. Por isso é importante fazer uma avaliação, incluir na rotina de checkup", recomenda o médico.

Ele diz que as mulheres costumam buscar ajuda primeiro porque se incomodam com as veias visíveis nas pernas, mas que os homens também devem se preocupar com o assunto. "Além disso, idade é um ponto de atenção. Tem gente que teve a perna lisinha a vida toda e começa a reparar nos vasos aparecendo aos 50."

O que causa o problema?

Existe uma predisposição genética, ou seja, herdada da família, mas os grandes fatores que causam as varizes são:

  • Gravidez;
  • Uso de anticoncepcional e terapia de reposição hormonal;
  • Obesidade;
  • Passar muito tempo por dia em pé;
  • Passar muitas horas sentado (ponto de alerta para os tempos de pandemia e trabalho em home office);
  • Vida sedentária.

Esses fatores, e frequentemente uma combinação deles, vão debilitando as veias das pernas, e o sangue deixa de fazer seu trajeto correto em direção ao coração. As veias são como túneis que levam o sangue e existem válvulas para impedir que o líquido volte para trás. Mas, com o tempo, elas podem perder sua função e ficam tortuosas e inchadas com esse sangue que volta para baixo. "A panturrilha é o coração da nossa perna. Ela faz esse bombeamento do sangue para cima e precisa funcionar bem", diz o especialista.

Como tratar

A primeira coisa é tirar da frente os fatores que pioram o problema. Cuidar do peso, fazer atividade física e manter uma rotina saudável são fundamentais. Depois de avaliar os vasos superficiais e veias profundas (hoje já existem até exames de realidade aumentada que permitem que o médico veja o caminho que as veias estão percorrendo mesmo invisíveis a olho nu), pode ser feita a definição da melhor estratégia.

O tratamento pode ir da escleroterapia (injeções de substâncias que 'secam" os vasinhos e veias) ao laser endovenoso. Em alguns casos é preciso recorrer à cirurgia.

E por que muitas vezes o problema volta? "É preciso tratar de dentro para fora, não apenas aquelas veias e vasos aparentes. Temos que investigar as veias que alimentam essas varizes para tratá-las e evitar que elas voltem", diz Myiake.

Para aliviar o inchaço e sensação de peso nas pernas e ajudar a panturrilha a bombear o sangue, o uso de mais de compressão, que devem ser colocadas de maneira correta, ajudam muito.

Risco de vida

Cuidar das varizes está longe de ser apenas uma questão de vaidade feminina. As varizes aumentam em cinco vezes o risco de trombose venosa, a formação de um coágulo nos vasos sanguíneos profundos que podem provocar uma embolia pulmonar, se não tratado.

Se você já passou dos 45, procure um especialista. Segundo Miyake, é importante que seja feito o exame clínico, mas também o ultrassom para avaliar as veias profundas.