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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Hormese: aprenda a usar pequenas doses de estresse a seu favor

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Imagem: iStock
Silvia Ruiz

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Colunista do UOL

11/06/2021 04h00

Se o seu médico lhe desse uma lista das principais coisas que você deveria controlar para ter uma vida longa e saudável, o estresse certamente estaria no topo. Não faltam estudos apontando o quanto o estresse excessivo e crônico pode literalmente nos matar. Mas sabe aquelas máximas "o que não nos mata nos fortalece"? ou "o que faz o veneno é a dose"? Elas estão por trás de um processo que vem ganhando cada vez mais repercussão entre os profissionais de saúde: hormese. Muitos estudos científicos mostram que pequenas explosões de estresse podem realmente nos tornar mais fortes e resistentes e, portanto, contribuir com a longevidade.

"Sempre que nós temos um estresse e ele é suportável e positivo porque ele traz uma capacidade de regulação, é como se nós treinássemos o nosso corpo a desafios de superação com ganhos secundários. Esse processo traz mais saúde, juventude celular e resiliência", diz a endocrinologista e nutróloga Vânia Assaly, especialista em medicina do estilo de vida.

"Nosso corpo tem a capacidade de suportar essas ameaças, fazendo até um saldo positivo no nosso sistema de autorregulação, que vem de uma capacidade de inflamar e cuidar dessa inflamação, regenerando e ganhando tecidos, como quando fazemos um exercício intenso, breve, de alta intensidade", diz a médica.

A boa notícia é que nós podemos provocar esses picos de estresse suportável "do bem" com algumas práticas simples no dia a dia:

Jejum intermitente

"Quando fazemos um jejum, o corpo vai buscar respostas internas para que a gente possa superar esse desafio. Ao passar fome, o corpo busca ativar a síntese de energia, fazendo um aumento de enzimas antioxidantes e de uma série de elementos que buscam uma capacidade de geração de energia mesmo com a falta de alimento", diz Vânia. Já falei aqui sobre os benefícios do jejum, e esse é mais um bom motivo para praticá-lo (mas consulte seu médico, principalmente se tiver algum problema de saúde).

Choque térmico

Podemos provocar o estresse térmico com alterações bruscas de temperatura. Uma maneira eficaz de fazer isso é por meio da sauna, por exemplo, entrando depois num banho gelado. Mas é possível obter esse efeito também no chuveiro, com um banho quente seguido de uma ducha gelado. Já contei aqui da minha experiência com banho gelado também.

Exercícios de alta intensidade

Atividades físicas breves e de alta intensidade, como nos treinos de HIIT ou intervalados, causam um pico rápido de estresse que faz com que o corpo tenha que dar uma resposta. Aí entra o processo de hormese. Seria interessante, portanto, incluir esse tipo de prática em sua rotina de atividade física.

Alimentação colorida

Alimentos de cores fortes foram expostos ao ambiente e mudaram sua cor para se proteger de agressores ambientais. Essa coloração possui substâncias que funcionam como uma espécie de "veneno" contra insetos, fungos e bactérias, por exemplo. Mas, no nosso corpo, essa microdose de "veneno" dos fitoquímicos traz um efeito benéfico. Pense em alimentos como frutas vermelhas, uva, cúrcuma, brócolis e vegetais verde-escuro. O resveratrol, presente nas uvas, é um exemplo de fitoquimico que tem esse efeito que desejamos da hormese, por exemplo.