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Capital da Bulgária, Sofia reúne o que há de melhor do ocidente e do oriente

Christine Ajudua

The New York Times Syndicate

12/01/2013 07h45

Primeiro chegaram os trácios, há cerca de 2.700 anos, seguidos dos romanos, do Império Bizantino, dos turcos otomanos e dos comunistas. Hoje, mais de duas décadas depois da queda da Cortina de Ferro e cinco anos depois de entrar para a União Europeia, a capital da Bulgária finalmente encontra sua identidade. O antigo monumento a Lênin foi substituído por uma estátua da santa padroeira da cidade – uma princesa que representa a fusão do Oriente com o Ocidente, do novo com o antigo. Sob seu olhar vigilante, uma energia criativa quase juvenil se reflete em Sófia, que quer o título de Capital Europeia da Cultura de 2019.

Sexta-feira

18h - Cores vivas nas ruas
As principais atrações de Sófia se encontram no centro, onde, ao contrário da rota para o aeroporto, pavimentada com blocos no melhor estilo soviético, as ruas são pintadas de um tom vivo de amarelo. O passeio Free Sofia (Palace of Justice, 2 Vitosha Boulevard; 359-88-699-3977; freesofiatour.com) dura duas horas e acontece duas vezes por dia (feito por estudantes de Ph.D. e voluntários), passa pela catedral Alexander Nevski e seu domo dourado; por uma casa de banhos do início do século 20, a Central Mineral Baths (fechado há mais de vinte anos, o prédio, com suas influências neobarrocas e neobizantinas, deve reabrir em 2014 com um spa e um Museu de História) e pela passarela subterrânea Serdika. Ali, relíquias da cidade antiga, descobertas recentemente, estão em exibição num complexo arqueológico que deve ser concluído em 2013.

20h - Churrasco búlgaro
O passado atribulado do país se reflete em sua gastronomia, que combina os sabores europeus com os da Ásia Central. No Skara Bar (12 Georgi Benkovski St. ou 2 Dimitar Grekov; 359-2-483-4431 ou 359-2-483-0696; skarabar.com), casa de churrasco com janelões retráteis, experimente o meshana skara (15.80 leva, cerca de US$ 10,40 com o dólar a 1,52 leva), espeto de carne de carneiro e linguiça e que inclui um delicioso kebapcheta de carne de porco apimentada. Os vinhos nacionais mais baratos saem por 19,90 leva a garrafa e as doses de rakia, digestivo à base de cana e ameixa, por 2,10 leva. No bistrô Lubimoto, "Favorite" (25 General Parensov St.; 359-88-477-8464; lubimoto.com), os clientes descrevem em prosa e verso o lombo de porco assado (8,49 leva). 

22h - A arte de bar em bar
O verde brilhante da Kraft Paints é o único sinal que marca a entrada do Hambara (6 Septemvri), um lugar secreto onde artistas e intelectuais se reuniam durante o regime comunista e ainda hoje é iluminado por velas – detalhe um tanto perigoso, já que seu interior é todo em madeira. Mais fácil de achar é o A:part:mental (68 Neofit Rilski St.; 359-87-878-7321), residência centenária que foi transformada em embaixada africana que foi transformada em galeria-café-bar e exibe a arte local servindo vinho de framboesa (5 leva) e bolos "saudáveis" (5 leva). Há dois anos, o Kino Vlaikova (11 Tsar Ivan Assen II; 359-87-985-5819; vlaikova.com), um cinema de 1927, virou uma casa onde se apresentam bandas indie e se reúnem os descolados apreciadores de Zagorka. Mais para o leste fica o elegante Kanaal (2 Madrid Boulevard; 359-88-2-856-346; kanaal.bg), inspirado na Holanda, que oferece cervejas Trappist (a partir de 5,50 leva) e exposições.

  • Jodi Hilto­n/The New York ­Times­

    A Central Mineral Baths é uma casa de banhos do início do século 20, que estava fechada há mais de vinte anos

Sábado

10h - O socialismo em exibição
Desde setembro de 2011, o governo reuniu o passado comunista do país no novo Museu de Arte Socialista (7 Lachezar Stanchev St.; 359-2-980-0071; nationalartgallerybg.org; 6 leva), na periferia da cidade. Ali estão reunidos as pinturas e trabalhos criados na Bulgária entre 1944 e 1989 e uma coleção de fotos em preto e branco. Num parque de esculturas estão espalhadas estátuas dos antigos líderes do Partido Comunista Búlgaro e primeiros-ministros como Georgi Dimitrov e Vasil Kolarov, além de Lênin. Bonés e camisetas com o tema estão à venda na lojinha de suvenires.

13h - E dá-lhe sopa
Acredite se quiser, mas dois dos restaurantes mais badalados da cidade servem apenas sopa. O Supa Star (8 Tsar Ivan Shishman St.; 359-88-290), decorado com obras de arte extravagantes e luminárias coloridas, oferece desde a tarator (2,70 leva) – receita clássica búlgara que leva pepino, nozes e iogurte – até sopa tailandesa de camarão (5 leva). O Soup Me (55 Neofit Rilski St.; 359-88-862-6525), onde uma escumadeira serve de maçaneta e panelas prateadas viraram luminária de teto, serve especialidades como o shkembe chorba, a famosa sopa de tripa (a partir de 3,80 leva).

Feito na Bulgária
Um dos segredos mais bem guardados de Sófia é o seu roteiro de compras. Kalina Petrova oferece produtos de beleza orgânicos num açougue reformado, o Shipka (23 Professor Asen Zlatarov; 359-88-952-2022; shipka.bg), que significa rosa rugosa; no andar térreo, entre os ganchos, você pode fazer suas próprias loções usando só ingredientes naturais. Ali perto, na Le Petit Salon (1 Tsar Ivan Asen II; 359-88-920-0558 ou 359-88-564-4170; lepetitsalon.eu) você encontra objetos/presentes cheios de estilo, como vestidos de linho bordados e as belas bonecas de cerâmica e papel machê feitas por uma das donas, Tita Koycheva. Se quiser colchas coloridas para as camas das crianças, além de brinquedos e camisetas, vá à Nenios (25 Solunska St.; 359-87-725-0257; nenios.com). Não deixe de conferir as canecas de porcelana da Tochka & Tochka na Galeria Testa (8 Tsar Shishman St.; 359-2-981-8363; testagallery.com), que também oferece joias feitas por artesãos locais.

19h - Hora do chá
As paredes vermelhas da Tea House (11 Georgi Benkovski St.; 359-88-705-1080; teahousesofia.com) atraem boêmios e expatriados com suas "jam sessions", leituras de poesia, comida vegana e mais de 60 tipos de chá (a partir de 1,90 leva). Instalada numa antiga fábrica de papel, conta também com um sebo só de livros em inglês.

21h - Clubes de cultura
Perto do extremo sul do Vitosha Boulevard fica um gigantesco (123 mil metros quadrados) complexo da era comunista: o Palácio Nacional da Cultura, conhecido como NDK. De convidativo o lugar não tem nada (há placas que dizem "Proibido Portar Armas"), mas fica lotado graças aos clubes e salas de concerto reunidos ali, principalmente o jazz bar Studio 5 (1 Bulgaria Square, entrada A3; 359-2-963-1254; clubstudio5.com), com dois espetáculos por noite, seja de um grupo de estudantes de ska-metal, ou do jazzista Theodosii Spassov, ou shows de tango e de comédia. Do outro lado do prédio, o Culture Beat (359-89-681-3234 ou 359-89-845-3400; culturebeatclub.com) é um lounge com ar cosmopolita e piso decorado com mosaicos.

23h - Dançando a noite inteira
Nas imediações do NDK, jovens casais passeiam admirando as exposições de fotos ao ar livre e a vista da Montanha Vitosha. A ponte Lovers' Bridge vai até o Palácio e se estende sobre uma passagem cheia de clubes noturnos. Um dos mais novos é o Horoteka (1 Cherni Vrah Boulevard; 359-88-850-5045; horoteka.bg; 5 leva) onde, animada pelos Shumenskos (2,50 leva), Red Bulls (5 leva cada) e um DJ competente, a garotada faz variações de horo, a tradicional quadrilha búlgara. Se quiser aprender os passos, faça uma aula em grupo (6 leva por pessoa) ou compre o DVD (12 leva) no bar.

  • Jodi Hilto­n/The New York ­Times­

    Um dos mais novos clubes noturnos é o Horoteka, onde, animada pelos Shumenskos, Red Bulls e um DJ competente, a garotada faz variações de horo, a tradicional quadrilha búlgara

Domingo

11h - No mercado
O Zhenski Pazar, ou Mercado das Senhoras (Stefan Stambolov Boulevard), e o Central Hall, em estilo neorrenascentista e neobizantino (25 Knyaginya Maria Luiza Boulevard), construídos em 1909 no lugar da fortaleza Serdika, são dois locais coloridos e caóticos (verdadeiros paraísos dos batedores de carteira) onde as babushkas encontram de tudo, de peças em cerâmica a banitsa – folhado de queijo degustado no café da manhã com boza, a bebida de malte favorita do país. A versão orgânica – ou bioboza (2,50 leva) – pode ser encontrada no +Tova (30 Marin Drinov; 359-88-720-3340; plustova.com), que também oferece quiches (4 leva) e exposições multimídia.

14h - Tesouros do Velho Mundo
Pegue um táxi e vá à igreja medieval Boyana (1-3 Boyansko Ezero St.; 359-2-959-0939 ou 359-2-959-2963; boyanachurch.org; 10 leva), considerada Patrimônio da Humanidade da Unesco, que fica no sopé da Montanha Vitosha, famosa por suas pinturas de ícones e afrescos. No Museu Nacional de História (16 Vitoshko Lale St.; 359-2-955-4280; historymuseum.org; 10 leva), antiga residência do último líder comunista do país, Todor Zhivkov, é possível admirar o esqueleto de um "vampiro" medieval, com uma estaca de ferro enfiada no peito, além de uma coleção de objetos trácios.

Se você for
Com sua fachada florida, restaurante no sótão e 31 quartos coloridos, o Les Fleurs (21 Vitosha Boulevard; 35-2-8-100-800; lesfleurshotel.com; diárias a partir de 100 euros, cerca de US$ 121) é uma opção de destaque entre os hotéis boutique da cidade. (Todos os preços são fornecidos em euros.) Se preferir um cenário mais histórico, hospede-se no Arena di Serdica (2-4 Budapeshta St.; 359-2-810-7777; arenadiserdica.com; diárias a partir de 110 euros), com 63 quartos espaçosos e um spa onde havia um anfiteatro romano. Parte das ruínas ainda pode ser vista no saguão, inclusive as pegadas que algum animal centenário deixou nas paredes de argila.

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