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Aquecimento global transforma tradicional esqui nos Alpes

Resort de esqui Garmisch-Partenkirchen, na Alemanha - iStock
Resort de esqui Garmisch-Partenkirchen, na Alemanha Imagem: iStock

Catherine Bosley e Boris Groendahl

16/01/2020 08h13

No extremo norte dos Alpes, as pistas de esqui ficam perto do pé da montanha mais alta da Alemanha, descendo as encostas marrom-esverdeadas em estreitas faixas brancas de neve artificial.

Como outros resorts em altitude relativamente baixa, o aquecimento global deixou sua marca em Garmisch-Partenkirchen — o local dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1936 —, colocando em risco a identidade e a riqueza da cidade. É janeiro, e há tão pouca neve natural que aumenta a ansiedade sobre a possibilidade de novas corridas de esqui.

Em Garmisch e nos Alpes, o turismo é fundamental para as economias locais. Na vizinha Áustria, representa pouco mais de 6% da produção, enquanto na região montanhosa do Tirol a participação supera 18%. A proporção é semelhante para o cantão suíço de Graubünden, graças a resorts como St. Moritz, Klosters e Davos.

Na região de Auvergne-Rhône-Alpes, na França, lar de Courchevel e Val d'Isere, os gastos de turistas totalizaram 21 bilhões de euros (US$ 23 bilhões) em 2018, gerando quase um décimo do PIB e 171 mil empregos.

Essa fonte de renda está sob ameaça. A mudança climática deve custar ao turismo austríaco 300 milhões de euros por ano, de acordo com uma das principais organizações de proteção ambiental do país. Na França, as autoridades de Tignes atrasaram o início da temporada de esqui em várias semanas, citando os efeitos do aquecimento global na geleira Grande Motte.

"Se as emissões de gases de efeito estufa continuarem no mesmo nível, a neve quase desaparecerá em níveis mais baixos até o final do século", disse Marc Olefs, chefe do departamento de pesquisa climática do Instituto Central de Meteorologia e Geodinâmica de Viena.

A uma altitude de 800 metros, Garmisch — conhecida por seu famoso salto de esqui — tem poucas perspectivas de manter seu status de meca dos esportes de inverno.

Entre os visitantes, as condições instáveis são aceitas com resignação silenciosa.

Juergen Hilla, professor de uma escola nos arredores de Frankfurt, previu que o esqui e outros esportes de inverno podem não ser viáveis em Garmisch a longo prazo e que ele e sua esposa talvez precisem considerar alternativas para as férias de esqui.

"Provavelmente em 20 ou 30 anos, não terá o mesmo papel que tem agora", acrescentou após um dia nas pistas. As pistas mais altas estavam boas, mas as mais baixas precisavam de canhões pulverizando neve artificial para que pudessem ser usadas, disse Hilla.

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