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Dar a volta ao mundo é menos difícil do que você pensa; veja dicas

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL

28/09/2019 04h00

No século 16, Fernão de Magalhães realizou a façanha de iniciar a primeira circum-navegação do globo. Já no milênio em que vivemos, dar a volta ao mundo (desta vez de avião) virou uma empreitada possível para muitas pessoas.

Atualmente, companhias aéreas vendem passagens que permitem que o turista circunde o planeta voando e, durante o trajeto, faça múltiplas paradas em diversos continentes.

Tive o privilégio de me jogar em uma jornada assim, que durou exatamente um ano e durante a qual visitei 25 países, como Nova Zelândia, Japão, Alemanha e Egito.

É uma viagem cara? Com certeza.

Mas a aventura pode ser menos custosa e mais factível do que muita gente imagina. E digo mais: tem tudo para ser uma das experiências mais intensas e recompensadoras da sua vida.

A seguir, veja dicas para realizar este sonho (todos os preços citados estão sujeitos a alterações).

Tempo de viagem flexível

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Imagem: Getty Images

Muita gente pensa que é necessário largar o emprego e tirar um ano sabático para voar ao redor do globo. E, de fato, há passagens que permitem que o passageiro viaje durante um ano inteiro, pingando de país em país neste período.

Mas também existem opções para quem não tem tanto tempo disponível: hoje, há bilhetes de volta ao mundo que oferecem itinerários com duração de um mês (e até menos). Ou seja, dá para realizar esta empreitada durante as férias.

Com a empresa Oneworld, por exemplo, é possível comprar um bilhete de volta ao mundo com validade de 28 dias, com saída do aeroporto de Guarulhos e que oferece paradas em Santiago (Chile), Sydney (Austrália), Hong Kong (Região Administrativa Especial da China), Doha (Qatar) e Londres (Inglaterra), antes de retornar a São Paulo.

Já imaginou visitar cinco países de quatro continentes em menos de um mês?

Custo-benefício

doomu/Getty Images/iStockphoto
Imagem: doomu/Getty Images/iStockphoto

Como mencionado anteriormente, fazer uma volta ao mundo está longe de ser barato.

A passagem citada acima, por exemplo, custa aproximadamente R$ 19 mil (com taxas inclusas).

Mas, ao desembolsar esta grana, você irá pegar seis voos diretos (sem conexões) e pousar em países estrangeiros de quatro continentes (alguns deles são nações extremamente distantes do Brasil, como a Austrália).

Há um bom custo-benefício aí: nos dias de hoje, só o bilhete de ida e volta entre São Paulo e Sydney chega a custar mais de R$ 8.000 (preço que corresponde a mais de 40% do valor do bilhete de volta ao mundo que mencionamos, mas que só dá direito a conhecer um território estrangeiro).

Visite destinos baratos

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Imagem: Getty Images

Para compensar o preço salgado de uma viagem de volta ao mundo, você pode dar prioridade, ao montar seu itinerário, para países que sejam baratos ou de custo de vida médio, como destinos da África, Ásia e América do Sul.

Em minha jornada que deu a volta no globo, fiquei um enorme tempo no Oriente Médio (onde está o econômico Egito e a relativamente barata Jordânia) e no Sudeste Asiático, onde há nações baratíssimas e fantásticas como Tailândia (na foto), Laos e Camboja.

São locais com um custo de vida mais baixo do que o do Brasil: no meu dia a dia nestes locais, eu gastava bem menos do que em São Paulo.

É possível montar roteiros de volta ao mundo que pulem a Europa ou a América do Norte, o que deixa a jornada mais em conta.

Tenha espírito de mochileiro

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Imagem: Getty Images

Para deixar a viagem o menos custosa possível, você também pode adotar o espírito mochileiro e frequentar estabelecimentos de baixo-custo durante a jornada.

Quase todos os países do mundo (pelo menos suas grandes cidades) possuem hostels, onde é possível pagar diárias baratas para dormir em quartos compartilhados (em Bangcoc, por exemplo, há hostels com diárias custando menos do que R$ 50. Já em Lisboa, uma cama em um quarto compartilhado chega a custar menos do que R$ 70).

O mesmo se aplica à comida: em restaurantes simples da Ásia, da América do Sul e da África é possível comer bem gastando menos de R$ 30.

Você perderá no quesito conforto, mas a carteira irá agradecer.

Viaje acompanhado

Vasyl Dolmatov/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Vasyl Dolmatov/Getty Images/iStockphoto

Convença algum amigo, parente ou parceiro romântico a realizar uma viagem de volta ao mundo com você.

Viajar acompanhado significa economizar uma boa quantia de dinheiro.

O preço do bilhete de volta ao mundo não pode ser dividido entre duas pessoas. Mas alimentação, hospedagem e transporte podem.

Na companhia de alguém, você pode rachar a corrida do táxi na hora de ir para o aeroporto ou compartilhar aquele prato grandão em um restaurante que serve refeições fartas.

Isso ajuda (e muito) a não quebrar a conta bancária durante a viagem.

Seja um nômade digital

grinvalds/Getty Images/iStockphoto
Imagem: grinvalds/Getty Images/iStockphoto

Consegui realizar uma viagem de volta ao mundo de um ano porque levei meu trabalho comigo (durante a viagem, eu produzia matérias de turismo sobre os lugares que visitava para o UOL).

Se você tem o sonho de passar um longo tempo realizando uma viagem de volta ao mundo, por que não tentar virar, também, um nômade digital?

Viagens de volta ao mundo rendem grandes histórias, lindas fotos e vídeos incríveis. Não é impossível, portanto, que você consiga montar um perfil turístico popular nas redes sociais e ganhar uma graninha com isso.

E, se você faz parte da grande quantidade de profissionais que trabalha em home office hoje em dia, por que não falar com o chefe e perguntar se ele não deixa você fazer seu trabalho da estrada (mesmo que seja por um mês ou dois)?

Regras das passagens

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Imagem: Getty Images

As passagens de volta ao mundo impõem algumas regras aos viajantes. Geralmente, o ponto de início e de término da jornada tem que ser o mesmo país.

A rota da viagem, por sua vez, deve, via de regra, seguir a mesma direção: se você decolar do Brasil e voar em direção oeste, a viagem deverá atravessar o oceano Pacífico rumo ao oceano Atlântico, até retornar ao território brasileiro. Não é possível cruzar de volta um destes dois oceanos.

Há também um limite de aterrissagens que o viajante pode fazer em seu roteiro.

Quando fiz minha viagem ao redor do globo, meu bilhete me dava o direito de desembarcar em oito países.

Mas isso não quer dizer que eu só pude conhecer oito nações.

Após descer nos aeroportos que faziam parte do meu roteiro, eu explorava os seus respectivos países e, depois, pegava ônibus ou trem para conhecer territórios vizinhos.

Na Ásia, por exemplo, aterrissei em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Reservei dois meses para ficar na região e, durante este tempo, viajei de ônibus desde a Malásia rumo à Tailândia, Laos, Vietnã e Camboja. Depois, regressei a Kuala Lumpur para pegar o voo seguinte marcado na minha passagem e seguir em frente com o meu tour aéreo global.

Para fazer isso, entretanto, é preciso ter bastante tempo para viajar.

Onde comprar

Sinenkiy/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Sinenkiy/Getty Images/iStockphoto

Atualmente, há três grandes organizações vendendo passagens de volta ao mundo: a Star Alliance, a Oneworld e a SkyTeam.

Cada uma delas tem diferentes possibilidades de roteiros ao redor do planeta. Vale a pena pesquisar detalhadamente os itinerários que estas empresas oferecem.

E uma dica importante: após descobrir quanto custa o bilhete de volta ao mundo que mais combina com seus sonhos de viagem, faça uma pesquisa na internet, em sites como Skyscanner e Kayak, para saber quanto você iria gastar caso comprasse cada um dos trechos aéreos desejados separadamente.

Há casos em que você pode pagar menos do que adquirindo uma passagem de volta ao mundo.

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