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Fora do óbvio: turismo tem desde mergulho com tubarões a templo dos ratos

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL

29/04/2019 04h00

Fugir da rotina é o objetivo de muitas pessoas que decidem viajar para um lugar diferente. Mas, ao redor do mundo, há países que oferecem experiências capazes de superar as expectativas de qualquer turista em busca de novas emoções.

São locais com atrativos que prometem não apenas surpreender os visitantes, mas, também, chocar aqueles de estômago ou ânimos mais sensíveis.

A seguir, conheça 10 locais que proporcionam algumas das experiências de viagem mais únicas (e, alguns casos, malucas) do planeta.

Templos dos ratos (Índia)

iStock/Getty Images
Imagem: iStock/Getty Images

País que abriga inúmeras crenças, a Índia tem um sítio religioso que deixa muitos turistas boquiabertos (e, às vezes, profundamente enojados).

Trata-se do templo hinduísta de Karni Mata, localizado em Deshnok, na região do Rajastão e onde as pessoas veneram ratos.

E, aqui, não estamos falando de adoração a estátuas destes bichinhos: no local, existem centenas de roedores cinzentos correndo pra lá e pra cá, passando sobre os pés dos fiéis e ganhando tigelas de leite deles.

Segundo a fé hinduísta, os ratos do templo são descendentes de Karni Mata, uma mulher que viveu no século 14 e que era uma encarnação de uma deusa chamada Durga, de grande importância para os hindus. É por isso que os animais são venerados em Deshnok.

Este lugar é aberto a visitas turísticas, mas prepare-se: para entrar lá, é preciso tirar os sapatos. Espere ver ratinhos passando entre suas pernas.

Pompoarismo turístico (Tailândia)

Getty Images
Imagem: Getty Images

Capital da Tailândia, Bangcoc é marcada por enormes áreas de prostituição que, além de homens em busca de sexo pago, atraem multidões turistas curiosos para ver de perto o famoso "ping pong show".

Este é o nome dado às apresentações de técnicas de pompoarismo realizadas dentro de boates das regiões de Patpong e Soi Cowboy, espécies de "distritos da luz vermelha" da cidade tailandesa.

São exibições nas quais mulheres seminuas sobem em um palco e expelem, de seus órgãos genitais, bolinhas de pingue-pongue em direção ao público e dardos na direção de balões. Elas também tiram, lá de dentro, bichos como passarinhos e peixinhos dourados (estes últimos caem diretamente dentro de aquários). Além disso, usam canetas para escrever, com a vagina, frases em um pedaço de papel.

É um espetáculo bem bizarro, mas que é parada obrigatória para muitos turistas (tanto homens quanto mulheres) que visitam Bangcoc.

Alimentando hienas (Etiópia)

Getty Images
Imagem: Getty Images

A cidade de Harar, na Etiópia, é famosa por ter sido lar, no século 19, do aclamado poeta francês Arthur Rimbaud.

Mas, lá, além de entrar em contato com histórias da vida deste gênio, o turista pode participar de uma atividade assustadora: ficar cara a cara com hienas para alimentá-las.

É uma atividade realizada no começo da noite, quando guias reúnem viajantes ao lado de um descampado e começam a assoviar em direção ao mato. Não demora para que as hienas apareçam do meio da escuridão.

Os turistas, então, são encorajados a dar carne para os bichões usando um pequeno pedaço de pau, ficando a poucos centímetros de suas ameaçadores mandíbulas.

Toda a "brincadeira" é visivelmente perigosa (dada a natureza violenta destes bichos), mas os guias costumam dizer: "as hienas têm muito alimento nesta área da Etiópia. Elas não sentem vontade de morder as pessoas".

Mergulho com tubarões (África do Sul)

Divulgação/South African Tourism
Imagem: Divulgação/South African Tourism

E que tal ficar cara a cara com um dos mais temidos predadores do oceano?

Isso é possível na África do Sul, onde turistas entram em gaiolas e são imersos em um mar onde vive o Carcharodon carcharias (também conhecido como grande tubarão-branco).

O animal chega a ter seis metros de comprimento e seus dentes afiadíssimos podem ser vistos com nitidez pelos viajantes.

Mesmo com a segurança prometida pelas empresas que organizam estes tours, é quase impossível não se assustar com esta experiência.

A região de Gansbaai, a 160 km da Cidade do Cabo, é um dos melhores lugares para entrar no mar e chegar perto do predador.

Campo de tiro na selva (Vietnã)

NeonJellyfish/Getty Images
Imagem: NeonJellyfish/Getty Images

Quer entrar na atmosfera de guerra que ainda existe nas selvas do Vietnã, onde, nos anos 60 e 70, ocorreu o famoso conflito armado envolvendo os Estados Unidos?

A aproximadamente 50 quilômetros da Cidade de Ho Chi Minh (a antiga Saigon), turistas pagam algumas dezenas de dólares para sentar o dedo no gatilho de armas como AK-47 e M16 dentro um tosco campo de tiro, no meio de uma área de floresta. As armas ficam acopladas a um muro de cimento dilapidado e quase não dá para enxergar, lá longe, as superfícies atingidas pelas balas.

Mesmo assim, muitos viajantes se divertem com a experiência.

E não para por aí: lá perto, o público tem a chance de cruzar parte dos claustrofóbicos Túneis de Cu Chi, nos quais os vietcongues (guerrilheiros que defendiam o ideal socialista do Vietnã do Norte contra os americanos) estocavam armas, se escondiam de bombardeios aéreos e preparavam emboscadas mortais contra soldados dos Estados Unidos que estavam em terra.

Tours para esta área podem ser organizados na Cidade de Ho Chi Minh.

Estrada da Morte (Bolívia)

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

A Bolívia abriga a Estrada da Morte, que muitos chama de a "rodovia mais perigosa do mundo".

Mas não pense que este é um título que afasta turistas. Pelo contrário: viajantes de todos os cantos do globo contratam agências para descer de bicicleta a Estrada da Morte, que conecta a área conhecida como a La Cumbre, a aproximadamente 4.700 metros acima de nível do mar, à região do vale dos Yungas, a menos de 1.200 metros de altitude.

No trajeto, que começa rodeado por montanhas nevadas e termina no meio de densas matas e cachoeiras, os aventureiros cruzam trechos de estrada não asfaltada extremamente estreitos, passam ao lado de precipícios que não têm barreira de proteção e fazem curvas acentuadas com potencial para gerar adrenalina.

A maioria dos turistas consegue viver a experiência sem sofrer danos físicos. Mas há casos de viajantes que já morreram ao encarar esta empreitada.

É possível organizar tours pela Estrada da Morte na cidade de La Paz.

Cidade dos Mortos (Egito)

REUTERS/Amr Abdallah Dalsh
Imagem: REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

Depois de explorar as Pirâmides de Gizé, os templos de Luxor e o rio Nilo, há turistas no Egito que decidem visitar a Cidade dos Mortos, um local da cidade do Cairo pouco conhecido pelo público estrangeiro.

Trata-se de um cemitério onde vivem milhares de pessoas (não há consenso sobre um número certo, mas há estimativas que chegam a 500 mil habitantes), em casas construídas entre túmulos e, às vezes, sobre os próprios jazigos.

Parte da ocupação desta necrópole por gente viva ocorreu a partir dos anos 1960, quando o Cairo teve um grande aumento populacional, mas não criou condições econômicas para que todos pudessem pagar para ter uma residência (muitos dos moradores, aliás, não têm nenhuma relação familiar com os defuntos que estão enterrados sob suas casas).

Ao circular pela área, os visitantes veem cenas como pessoas estendendo roupas em varais presos entre lápides e mulheres fazendo a comida em cozinhas montadas junto a túmulos centenários.

A Cidade dos Mortos não é um local visitado pelo turismo de massa e há egípcios que falam que é perigoso para um estrangeiro caminhar por lá. Se você quiser visitar, vá com um guia confiável.

Comendo insetos (Ásia)

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Já pensou em enfrentar desafios gastronômicos em uma viagem ao exterior?

Pois saiba que a Ásia é um dos melhores lugares do mundo para provar comidas que, a olhos brasileiros, irão parecer exóticas (e, para muita gente, nojentas).

No Camboja, é possível comprar, em barracas de rua e até em restaurantes, tarântulas fritas.

Já em Bangcoc, na Tailândia, vendedores ambulantes cruzam os arredores da via turística Khao San Road comercializando uma grande variedade de bichos fritos, como gafanhotos, besouros, larvas e grilos (que vêm temperados, para serem comidos como salgadinhos).

A China, por sua vez, abriga mercados turísticos onde viajantes provam espetinhos de escorpiões e cavalos-marinhos.

E no Japão, há restaurantes que servem peixes, polvos e lulas fatiados ainda vivos para os clientes, que agrada quem gosta de comida com o máximo de frescor.

Turismo em área de conflito (Israel e Cisjordânia)

Marcel Vincenti/UOL
Imagem: Marcel Vincenti/UOL

No Oriente Médio, viajantes podem entrar em um tour para um dos lugares mais tensos do conflito entre judeus e palestinos: a cidade de Hebron, localizada na Cisjordânia e que abriga o Túmulo dos Patriarcas, onde estariam os restos mortais de Abraão e que, por causa disso, é considerado sagrado tanto por judeus como por muçulmanos.

O "passeio" é organizado pela Breaking the Silence, entidade formada por ex-soldados israelenses que, hoje, são críticos ao tratamento dispensado aos palestinos por Israel.

Na visita a Hebron (que fica a cerca de 40 km de Jerusalém), eles mostram como a população árabe local foi impedida de circular por várias vias da cidade por causa de uma comunidade judaica que vive na área e falam sobre episódios trágicos que já aconteceram por lá: em 1994, por exemplo, o médico judeu Baruch Goldstein entrou na mesquita do Túmulo dos Patriarcas e matou a tiros 29 muçulmanos que rezavam no local.

É uma área com altos níveis de tensão (e que também é palco de protestos violentos realizados pela população palestina), mas que fascina pessoas que querem conhecer as realidades do Oriente Médio e gostam de sensação de aventura.

Piscina do Diabo (Zâmbia)

paulafrench/Getty Images/iStockphoto
Imagem: paulafrench/Getty Images/iStockphoto

A Devil's Pool (ou Piscina do Diabo, em português) é uma piscina natural que se forma no local de onde despenca parte da água das Victoria Falls, na Zâmbia, continente africano.

Turistas mergulham no local e ficam à beira de um precipício com cerca de 100 metros de altura. Além de vertigem, este lugar proporciona lindas vistas das cataratas, que, por sua imponência natural, são consideradas Patrimônio Mundial pela Unesco.

A melhor época para visitar este destino é, geralmente, entre os meses de agosto e janeiro, quando há uma diminuição no nível do rio Zambezi (que alimenta as Victoria Falls), permitindo que sua água se acumule em um terreno erodido sobre as cataratas e forme a piscina natural.

Mas é um lugar com potencial para dar medo em muita gente (e não completamente livre de riscos de queda).

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