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6 destinos que não gostam de turistas; Barcelona e Veneza estão na lista

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL

04/07/2018 04h00

Turistas são, quase sempre, sinônimo de dinheiro e, por isso, são desejados por qualquer lugar do mundo, certo? Nem sempre. Há locais que recebem multidões de estrangeiros todos anos, mas que, mesmo com as riquezas geradas por forasteiros, não estão completamente felizes com tantos visitantes. Aumento do custo de vida para a população nativa e prejuízos ao meio ambiente se encontram entre as razões que geram ojeriza e restrições aos viajantes. Abaixo, veja seis lindos lugares do mundo onde turistas podem não encontrar uma boa acolhida. 

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Ilha Phi Phi Leh, Tailândia

Mari Campos/UOL
Imagem: Mari Campos/UOL

Dona de uma paisagem paradisíaca, a praia de Maya Bay (localizada na ilha Phi Phi Leh, na Tailândia) ficou mundialmente célebre após ser usada como cenário do filme "A Praia", lançado em 2000 e estrelado por Leonardo DiCaprio. 

Desde então, o local começou a ser visitado por legiões de turistas atraídos por sua beleza e fama hollywoodiana. Recentemente, porém, autoridades ambientais tailandesas fecharam a orla do lugar para os viajantes, que costumavam chegar lá a bordo de barcos motorizados.

A razão para esta restrição: autoridades ambientais da Tailândia querem fazer uma avaliação das condições do ecossistema da área, que pode ter sido prejudicado pelo alto número de embarcações e forasteiros que chegavam diariamente a Maya Bay. 

Atualmente, os turistas podem navegar apenas até a entrada da baía, ficando impossibilitados de ingressar entre seus paredões rochosos e admirar toda a sua paisagem. A decisão, porém, é temporária: há previsão de que este destino litorâneo da Tailândia seja reaberto em setembro deste ano, depois das avaliações ambientais.

Boracay, Filipinas

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Outro lindo destino praiano da Ásia que se tornou restrito para turistas neste ano foi a ilha de Boracay, nas Filipinas. No último mês de abril, o governo do país fechou por seis meses o acesso de viajantes ao local, afirmando que a indústria do turismo de massa estaria prejudicando seu ecossistema. 

O presidente filipino, Rodrigo Duterte, chegou a dizer que Boracay estava virando uma "latrina". Em 2017, a ilha foi visitada por cerca de 1,7 milhão de pessoas, muitos chegando a bordo de navios de cruzeiro. 

Outra razão para o fechamento de Boracay é que muitos dos estabelecimentos hoteleiros do balneário estariam despejando seus dejetos diretamente no mar da região. O objetivo do governo das Filipinas é que práticas ecológicas sejam estabelecidas na ilha enquanto o local estiver com acesso restrito.

Barcelona, Espanha

Getty Images
Imagem: Getty Images

Ruas recheadas de lindos edifícios, vida noturna excelente, museus de primeira: não surpreende que Barcelona seja um dos mais famosos destinos turísticos da Europa, recebendo mais de 30 milhões de visitante por ano. Mas nem todo mundo tem se mostrado contente com algumas das consequências do alto número de viajantes que passam pela cidade (que tem cerca de 1,6 milhão de habitantes).

A começar pela prefeita barcelonesa, Ada Colau, cujo governo restringiu a abertura de novos hotéis e acomodações de Airbnb por lá, dizendo que isso estava aumentando os preços dos aluguéis para a população nativa. 

E muitos moradores de Barcelona, irritados com o alto de custo de vida gerado pelo turismo na capital catalã, adotaram atitudes mais radicais: não é raro ver muros da cidade pichados com frases como "turistas, voltem para casa!". Em 2017, um grupo de protestantes pichou e furou o pneu de um ônibus que leva turistas para passear pelos principais cartões-postais de Barcelona. 

San Sebastián, Espanha

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Outro destino espanhol onde o viajante tem alguma chance de encontrar ambientes hostis à sua presença é San Sebastián, na Espanha. Localizado no País Basco, à beira do mar e dono de uma excelente culinária, este destino foi palco, nos últimos anos, de protestos contra a presença massiva de turistas em suas ruas (aqui, a frase "turistas, voltem para casa!" também já apareceu em alguns muros). 

Assim como em Barcelona, os moradores locais reclamam que muitos edifícios das melhores localizações de San Sebastián estão sendo tomados por hotéis e, com isso, o aluguel para os nativos está subindo e expulsando muita gente para áreas mais afastadas da cidade. 

San Sebastián tem cerca de 190 mil habitantes e foi visitada por mais de 2 milhões de turistas em 2017. 

Veneza, Itália 

Getty Images
Imagem: Getty Images

Principalmente no verão europeu, é uma tarefa bem difícil circular por muitas das estreitas vias de Veneza, por causa das legiões de viajantes que chegam diariamente à cidade a bordo de trens, aviões e navios de cruzeiro. 

É um mercado altamente rentável para venezianos que trabalham com turismo, mas que tem aborrecido outros cidadãos locais.

Em abril deste ano, por exemplo, um grupo de nativos realizou um protesto para retirar postos de controle que haviam sido colocados na cidade para restringir o número de pessoas dentro de certas áreas turísticas locais. Segundo eles, a medida era um sinal de que a cidade estava se transformando em "um parque temático".  

Na pauta da manifestação, também estava o problema da moradia em Veneza: a existência de muitos estabelecimentos turísticos estaria deixando o custo dos aluguéis muitos caros para o venezianos. "Nosso prefeito quer uma cidade sem moradores. Nós não precisamos de postos de controle, mas de projetos de moradia. Veneza não é um parque temático", disse um dos manisfestantes.

Haia, Holanda

Divulgação/Mauritshuis
Imagem: Divulgação/Mauritshuis

Você é aquele turista que sonha em viajar para a Holanda só para fumar legalmente um baseado em um coffee shop? Se a resposta for sim, saiba que diversos habitantes desta nação europeia irão torcer o nariz para você.

Converse com holandeses e será possível perceber que muitos deles não gostam que pessoas visitem seu país unicamente por causa da maconha liberada, no chamado "turismo da droga".

E muitos políticos locais têm trabalhado para mudar esta realidade. Neste ano, a cidade de Haia (uma das mais importantes da Holanda) baniu o consumo de cannabis em sua região central e nos arredores de sua estação de trem. Segundo o jornal britânico "The Guardian", que entrevistou um porta-voz da prefeitura de Haia, a decisão foi motivada por reclamações de residentes da cidade, que estariam incomodados com o cheiro da fumaça da droga e o comportamento de alguns de seus usuários (que costumam, em boa parte, ser turistas). 

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