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Nísia Floresta (RN) tem praias para diferentes tipos de públicos

ELAINE KAWABE

Colaboração para o UOL Viagem, do Rio Grande do Norte

29/08/2011 16h30

De um lado a literatura. De outro as rendas. Atividades do passado e do presente se destacam na cidade de Nísia Floresta (RN), situada a 40 km de Natal e rica em belezas naturais, como praias e lagoas de águas cristalinas, e em patrimônios culturais.

Originariamente, o município tinha o nome de Papary, mas, em 1948, passou a chamar-se Nísia Floresta, em homenagem à escritora, educadora e poetisa Dionísia Gonçalves Pinto, nascida no local, em 1810.

Uma das primeiras mulheres a escrever artigos em jornais do país em 1831, Dionísia Gonçalves Pinto, conhecida pelo pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta, saiu de sua terra natal e percorreu os estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro atuando como educadora em colégios e escrevendo artigos sobre a condição feminina no Brasil e a liberdade dos escravos.

Aos 39 anos, viúva, mudou-se para a França, a fim de tratar a saúde da filha, que se acidentara numa queda de cavalo - cogita-se, no entanto, que outro tenha sido o motivo de sua partida: afastar-se dos críticos que repudiavam suas ideias libertárias. Em Paris, publicou textos e livros, entre eles o "Opúsculo Humanitário", obra que recebeu elogios de Auguste Comte, pai do Positivismo. Em 1885, Nísia faleceu aos 75 anos e foi sepultada em Bonsecours. Quase 70 anos depois da sua morte, seu corpo foi trasladado para a terra natal e alojado na igreja Nossa Senhora do Ó até a construção do mausoléu da poetisa.

Tradição da arte das labirinteiras

No pequeno povoado de Campo de Santana, em Nísia Floresta, um grupo de 26 mulheres se reúne todas as tardes numa casa para produzir um tipo diferente de renda que lembra o bordado, chamado de labirinto. A labirinteira Cida explica. “Você tem que passar a linha intercalando os fios do tecido num sentido e depois tem que fazer o caminho de volta desviando do trajeto da ida”. Por ser um trabalho minucioso, uma colcha de cama de casal pode levar até quatro meses para ficar pronta.

Passada de geração a geração, a técnica do labirinto agradou o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, que visitou uma feira de artesanato realizada em São Paulo. Curiosamente, o político norte-americano comprou um jogo americano de 12 peças feitas pelas labirinteiras de Nísia Floresta. Além do labirinto, as mulheres confeccionam cestos de diversos tamanhos e formatos com a fibra do coco.

Viagem gastronômica

No horário do almoço, pessoas de diversas partes chegam à estação de trem Papary. Ansiosos, aguardam sentados nas cadeiras espalhadas na plataforma. Mas nenhum sinal do trem. Em instantes, surgem duas pessoas: uma distribuindo um menu aos clientes e a outra, a responsável pelo local, desejando boas-vindas a todos. Assim começa a viagem no tempo e no mundo de sabores.

  • Elaine Kawabe/UOL

    Falésias da Barra de Tabatinga, em Nísia Floresta

Há 16 anos, Graça Bezerril instalou seu restaurante especializado em frutos do mar na estação ferroviária Papary, desativada desde a década de 1980 e tombada pelo patrimônio histórico nacional. Construída em estilo neoclássico pelos ingleses em 1881, a estação Papary era local de embarque e desembarque de pessoas e de cargas para os municípios da região potiguar. Em 1981, encerrou suas atividades e, em 1995, a estação foi restaurada.

A igreja e o baobá

Construída em estilo barroco brasileiro no início de 1702 pelas famílias de portugueses, a igreja de Nossa Senhora do Ó é um dos patrimônios histórico-culturais do município de Nísia Floresta.

O altar, com adornos banhados a ouro, realça as imagens de São Benedito e da padroeira Nossa Senhora do Ó, ambas vindas de Portugal. Tão belas quanto as esculturas são as vestimentas sacerdotais, datadas do início do século 19, guardadas num roupeiro de madeira maciça confeccionado no século 18. Cada um dos trajes chega a pesar quatro quilos, em virtude dos fios de ouro entrelaçados na trama do tecido.

Descendo a rua da igreja, o visitante se depara com outra relíquia da cidade: o baobá. A árvore de origem africana impressiona com o tamanho: altura de 19 metros, diâmetro de 4 metros e 13 metros de circunferência. A placa indica que a gigantesca árvore foi plantada em 1877, mas, segundo relatos do célebre folclorista natalense Câmara Cascudo (1898-1986), o baobá já era centenário naquela época. Presume-se que ele deva ter mais de 200 anos de vida.

Lagoas cristalinas e praias paradisíacas

Nísia Floresta também agrada aos amantes das belezas naturais. O município possui 26 lagoas, dentre as quais destacam-se, pela transparência das águas, as lagoas de chuva Arituba e Carcará. Ambas possuem infraestrutura para o turismo, com diversos quiosques que oferecem lanches e petiscos de frutos do mar.

Praias belas e para todos os gostos também não faltam por lá. Búzios e Pirangi do Sul são as que concentram o agito. Para quem prefere contemplar à paisagem, as opções são Barra de Tabatinga e Tabatinga, cercadas por falésias. Uma praia mais recomendada para as famílias é a Camurupim, que tem águas calmas, represadas por uma longa barreira de recifes. Em um trecho da praia, os recifes e as pedras formam pequenas cachoeiras quando a maré começa subir.

Depois de Camurupim, a praia de Barreta é a opção para aqueles que curtem tranquilidade. Semi-deserta e procurada por pescadores, suas águas também são represadas pela barreira de recifes que avança na direção da região de Pipa.

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