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Instituto Inhotim, em Minas Gerais, integra arte à natureza e surpreende visitantes com experiência sensorial única

MARCEL VINCENTI

Colaboração para o UOL, de Brumadinho (MG)

20/06/2011 14h59

Assim como as 500 obras de arte contemporânea de seu acervo, o Instituto Inhotim transcende a qualquer tipo de definição. Localizado em uma área verde de 100 hectares na cidade de Brumadinho (MG), a 60 quilômetros de Belo Horizonte, o lugar não é um museu, apesar de ser a arte o que move as suas engrenagens. Tampouco é só um jardim botânico, embora exista, entre suas alamedas e viveiros, mais de 4.500 plantas, árvores e flores provenientes de todo o mundo. E seria leviano dizer que o local é apenas uma junção das duas coisas.


O Inhotim, como gostam de destacar seus gestores, é mais do que tudo isso: "somos um espaço aonde as pessoas vêm ter experiências especiais, que ultrapassam o ato de admirar um quadro ou entrar em contato com a natureza", diz o diretor da instituição, Júlio Pires. "Aqui o público ganha novas perspectivas artísticas, ambientais e de convivência, e aprende a ver arte de outra forma".

O instituto abriu suas portas para o público em 2004 e, desde então, já recebeu a visita de mais de 500 mil pessoas. Seu projeto paisagístico teve o toque de Roberto Burle Marx e, ao redor de suas trilhas e lagos, encontram-se uma das maiores coleções de palmeiras do mundo (cerca de 1500 espécies) e o maior acervo de aráceas do Hemisfério Sul (mais de 450 espécies), além de espaços que recriam os ambientes da floresta amazônica e da mata atlântica.

Tal natureza é cenário e parte integrante das cinco centenas de obras que estão espalhadas - ao ar livre e em galerias - pelo espaço do instituto. Extremamente visuais, mas também sonoros, táteis e olfativos, os trabalhos são assinados por artistas de mais de 100 nacionalidades, como o estadunidense Chris Burden, o tailandês Navin Rawanchaikul, a japonesa Yayoy Kusama e os brasileiros Hélio Oiticica, Tunga e Cildo Meireles.

Muitas das obras foram erguidas a partir o método site-specific, em que o trabalho do artista dialoga com o cenário que o cerca. E o resultado não poderia ser melhor: visitar o Inhotim tornou-se um passeio palatável para idosos, adultos e crianças, que, enquanto caminham dentro de edifícios de arquitetura arrojada ou interagem com construções espelhadas, também podem admirar um lago cheio de cisnes ou famílias de árvores com mais de 30 metros de altura.

Arte com paisagem

Um dos grandes exemplares dessa integração entre arte e natureza é a obra 'Pavilhão Sônico', do artista estadunidense Doug Aitken. Ele perfurou um poço tubular com 202 metros de profundidade em uma das colinas do parque e ali inseriu seis microfones. Conectou-os então a aparelhos de amplificação sonora, que foram colocados, já na superfície, dentro de uma construção feita com aço de vidro, cuja forma lembra muito a de um disco-voador.

O visitante se senta no interior do edifício e, enquanto admira uma belíssima vista panorâmica do Inhotim, ouve os sons - quase sempre parecidos com ventos e sussurros - provenientes das profundezas terrenas. Se der sorte, pode ainda escutar o eco das explosões feitas dentro das minas que operam na região de Brumadinho.

Outro trabalho interessante é o 'Beam Drop', do estadunidense Chris Burden, realizado em dos pontos mais altos do parque: o artista subiu em um guindaste e, de uma altura de 45 metros, soltou 71 vigas (média de 10 metros de altura, todas colhidas em ferros-velhos de Belo Horizonte) em direção a uma vala recheada de cimento fresco. Todas ficaram em pé, em posição caótica, formando um interessante contraste entre sua ferrugem e o verde vivo das árvores que as rodeiam. Com o olhar no horizonte, o visitante ainda se deslumbra com as imponentes montanhas do Vale do Paraopeba.

  • Marcel Vincenti/UOL

    Na obra 'Jardim de Narciso', da japonesa Yayoy Kusama, 500 esferas de aço inoxidável flutuam sobre um espelho d'água


O Inhotim também possui 17 galerias (algumas com 1.000 m²) que oferecem ao público temas extremamente instigantes e, por vezes, bem polêmicos. Na galeria Rio Branco, o artista espanhol Miguel Rio Branco mostra em vídeos e fotografias, com crueza chocante, a rotina dos miseráveis que vivem na região do Pelourinho, na cidade de Salvador (BA). Já a galeria Cosmococa reúne instalações desenvolvidas pelos brasileiros Hélio Oiticica e Neville D'Almeida, onde o visitante pode assistir, entre colchões, redes e bexigas, a slides montados pelos dois artistas: as projeções mostram imagens de ícones pop como Marilyn Monroe cobertas com traços de cocaína, exibidas ao som da guitarra de Jimi Hendrix ou de uma sanfona de forró.

O público do Inhotim, por outro lado, pode optar por realizar uma imersão total no mundo da botânica. O instituto tem um espaço batizado de Viveiro Educador, com 25 mil m², onde é possível conhecer árvores da mata atlântica (como o jacarandá-da-baía e o palmito-juçara, ambas ameaçadas de extinção), plantas tóxicas (como a erva-do-diabo) e um ambiente típico da floresta tropical: com temperatura média de 30°e 90% de umidade relativa do ar, a chamada Estufa Equatorial abriga dezenas de espécies encontradas na Amazônia.

"É difícil encontrar em espaço verde que reúna tantas opções de diversão", opina a mineira Karine de Paiva, que passou um sábado inteiro andando pelo Inhotim com a família. "Para mim foi uma experiência interessante, pois aqui se aprende sobre arte e se entra em contato com a natureza, tudo ao mesmo tempo. É sem duvida um passeio bem diferente". No carrinho ao lado, seu filho de dois anos dorme profundamente, provando que a experiência de estar no Inhotim é também, e acima de tudo, intensa.

Hospedagem na cidade de Brumadinho

Pousada Lafeví
Rua Padre Antônio Guilherme, 179 - Bairro Lourdes.
(31) 3571-1375
pousadalafevibrumadinho@gmail.com
Distância do Inhotim: 3 km
Pousada Saumar
Rua José Sampaio, 108 – Bairro Santa Cruz
(31) 3571-1210
pousadasaumar@gmail.com
Distância do Inhotim: 4 km
Pousada Nossa Fazendinha
Rodovia MG-040, km 48
(31) 3571-1104
www.nossafazendinha.com.br
Distância do Inhotim: 6 km
Pousada Dona Carmita
Rodovia MG-040, km 49
(31) 9843-4510
vanisimoreira68@hotmail.com
Distância do Inhotim: 5 km

Como chegar
O Instituto Inhotim está localizado na cidade de Brumadinho (MG), a cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte. Na saída da capital mineira, o motorista deve pegar a rodovia Fernão Dias (BR-381) no sentido da cidade de Betim. Deve então seguir até a saída 501 (na frente do posto da Polícia Rodoviária de Betim) e lá entrar na estrada que vai até a cidade de Brumadinho.

Os ônibus da empresa Saritur saem de terça a domingo (e feriados) da rodoviária de Belo Horizonte com destino ao Instituto Inhotim. Veja os horários em www.saritur.com.br

Horário de funcionamento
Reserve pelo menos dois dias para visitar o Inhotim. O lugar é enorme e reúne centenas de atrações. Embora o instituto ofereça transporte motorizado para as obras localizadas em lugares mais distantes, o visitante irá caminhar bastante pelo parque. Portanto, vista roupas e tênis confortáveis.

O Inhotim funciona das 9h30 às 16h30 entre terça e sexta-feira, e das 9h30 às 17h30 aos sábados domingos e feriados. O valor da entrada é acessível: R$ 20 (entrada inteira). Pagando mais R$ 10 o visitante tem direito de usar o transporte motorizado dentro do instituto.

Alimentação

Ao visitar o Inhotim, o público não precisa se preocupar em levar o famoso lanchinho na bolsa. O instituto oferece nove locais de alimentação, com preços e ingredientes variados. Há desde o sofisticado restaurante Tamboril até quiosques que servem pizzas e cachorros-quentes. Vale a pena provar a comida a quilo do restaurante Oiticica, cheia de opções saudáveis.

 

SERVIÇO
Rua B, 20 - Brumadinho (MG)
(31) 3227-0001
www.inhotim.org.br

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