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Chocolate, quadrinhos e cerveja em 36 horas em Bruxelas

Mappa Mundo, o epicentro social da moda da Place St. Géry, em Bruxelas - Jock Fistick/The New York Times
Mappa Mundo, o epicentro social da moda da Place St. Géry, em Bruxelas Imagem: Jock Fistick/The New York Times

24/09/2010 20h35

Como sede da União Europeia, Bruxelas tem sua cota de ternos cinzas desembarcando do Eurostar. Felizmente, as gravatas são retiradas após o trabalho. Sob a fachada séria há uma capital animada que segue suas próprias tendências de moda, é indulgente em sabores decadentes (especialmente quando envolvem cerveja) e exibe um senso de humor inteligente, até mesmo amalucado. Que outra cidade ergueria um museu inteiro dedicado a uma única série em quadrinhos? Ou a um artista famoso por pintar homens sem rosto em ternos cinzentos?

 

Sexta-feira

 

16h - Alto chocolate

A cidade é conhecida pelo chocolate e não dá para andar uma quadra no centro histórico sem encontrar um confeiteiro. Siga seu nariz até La Maison des Maîtres Chocolatiers (Grand Place 4; 32-2-888-66-20; mmcb.be), uma nova butique que dá a 10 mestres chocolateiros o tratamento de chef-celebridade. Seus estilos variam enormemente. Laurent Gerbaud cria bombons de aspecto rústico recheados com pistaches inteiros e frutas vermelhas persas, enquanto Jean-Philippe Darcis faz elegantes amêndoas e avelãs confeitadas com seu nome assinado em rosa. Dê uma passada para provar gratuitamente ou leve para casa uma caixa souvenir (22 euros, ou US$ 26, com o euro cotado a US$ 1,20).

 

19h30 - Caviar e arte

Paris fica a uma hora e 20 minutos de distância de trem, mas o novo restaurante Kwint (Mont des Arts 1; 32-2-505-95-95; kwintbrussels.com) fica ainda mais perto. Um joint venture de dois fornecedores parisienses, Caviar Kaspia e La Maison de la Truffe, o restaurante destaca ingredientes ricos como ovo pochê com trufa (9 euros), salmão defumado do Mar Báltico (18 euros) e caçarola de mexilhões com creme de trufa (25 euros). O salão de jantar parecido com uma catedral é emoldurado por arcos simpáticos e uma escultura metálica do designer belga Arne Quinze, oferecendo um cenário de fundo dramático para os jantares de poder dos eurocratas e gourmets endinheirados.

  • Jock Fistick/The New York Times

    A cidade é conhecida pelo chocolate e não dá para andar uma quadra no centro histórico sem encontrar um confeiteiro. Siga seu nariz até La Maison des Maîtres Chocolatiers, uma nova butique que dá a 10 mestres chocolateiros o tratamento de chef-celebridade

21h30 - Cervejas aos milhares

A Bélgica é um reduto cervejeiro desde a Idade Média. Entre as mais novas fortalezas bem estocadas está o Délirium Café (Impasse de la Fidélité, 4A; 32-2-514-44-34; deliriumcafe.be), situado em um beco sem saída atrás da Grand-Place. O bar subterrâneo esfumaçado, que abriu em 2004, subiu mais dois andares para oferecer um total de cerca de 2 mil opções de cerveja. Se você for incapaz de escolher, experimente o chope com toque cítrico Rulles Blond por 3,50 euros. Espere uma clientela universitária aglomerada em torno das mesas de barris de cerveja disputando a atenção dos barmen.

 

Sábado

 

10h - Abundância de chapéus-coco

As aparências podem enganar nesta cidade. Um exemplo: um prédio neoclássico do século 19 que abriga uma homenagem ao absurdo. O Musée Magritte Museum (Rue de la Regence 3; 32-2-508-32-11; musee-magritte-museum.be), que abriu em 2009, é uma baderna de chapéus-coco, pássaros estranhos e outros ícones associados a René Magritte, o surrealista belga que morou em Bruxelas durante grande parte de sua vida. Apesar da ausência de muitas pinturas famosas, esta é uma das maiores coleções do mundo da obra do artista, com cerca de 250 trabalhos. Há também artefatos malucos, como um filme caseiro mostrando o artista e amigos interpretando “Alice no País das Maravilhas”. A menos que você seja um historiador da arte, ignore a rota prescrita, que começa no segundo andar e serpenteia por cinco níveis, e vá direto ao porão, onde um filme esperto de 45 minutos fala sobre a vida de Magritte e seus marcos artísticos.

 

12h30 -  Almoço com dois canecos

Desde 1928, os moradores se encontram no À La Mort Subite (Rue Montagne aux Herbes Potagéres 7; 32-2-513-13-18; alamortsubite.com), um café do Velho Mundo que significa “morte súbita” em francês, o nome de um jogo de cartas que interrompia a diversão do meio-dia e enviava os banqueiros de volta ao trabalho. Ele agora é mais conhecido como o nome da cerveja de garrafa da casa, mas funcionários de escritório e pós-graduados artísticos procuram toda tarde pelos sanduíches abertos conhecidos como “tartines” (tartare de carne, 5,20 euros) e um copo de kriek, ou cerveja com sabor de cereja (4,10 euros).

 

14h30 -  Caminhada fashion

Apesar de Bruxelas ficar atrás de Antuérpia quando se trata de moda, a capital belga conta com seu próprio grupo de estilistas locais, alinhados convenientemente ao longo da Rue Antoine Dansaert, a poucas quadras da Grand-Place. Olivier Strelli (Rue Antoine Dansaert 44; 32-2- 512-78-53; www.strelli.be) vende vestidos românticos finos como películas para mulheres e jaquetas cáqui para homens. Nicolas Woit (Rue Antoine Dansaert 80; 32-2-503-48-32; nicolaswoit.com) oferece saias e vestidos românticos inspirados nos anos 40 (a partir de 160 euros). Christophe Coppens (Rue Leon Lepage 2; 32-2-512-77-97; christophecoppens.com) faz chapéus e acessórios como alfinetes de lapela gigantes (165 euros). E a Stijl (Rue Antoine Dansaert 74; 32-2-512-03-13), que parece um loft, exibe estilistas mais conhecidos como Dries van Noten, da rival Antuérpia.

  • Jock Fistick/The New York Times

    Délirium Café está situado em um beco sem saída atrás da Grand-Place. O bar subterrâneo esfumaçado, que abriu em 2004, oferece um total de cerca de 2 mil opções de cerveja

17h30 - Pedalando pelo santuário

Faça a expiação de suas indulgências e prepare-se para as próximas explorando o Parc du Cinquantenaire em duas rodas. A área verde de 30 hectares, desenhada em estilo clássico para celebrar os 50 anos da independência belga, possui caminhos margeados por cercas-vivas para pedalar livre de carros. Monte em uma bicicleta Villo amarela (www.villo.be), parte de um programa de empréstimo de bicicleta iniciado em maio de 2009, com 180 pontos pela cidade. Um passe de um dia custa 1,50 euro, mais 1,50 euro pelos primeiros 90 minutos de queima de calorias (um valor adicional por cada meia hora após isso).

 

20h - Banquete real

A culinária e o design exagerado belga se encontram no aptamente chamado Belga Queen (Rue Fossé aux Loups 32; 32-2-217-21-87; belgaqueen.be). O proprietário, Antoine Pinto, dirige uma série de restaurantes elegantes bem-sucedidos. E o Belga Queen, o principal, abriu em 2002 sob o teto abobadado de um banco do século 19 e é apreciado pelo público que gosta de ver e ser visto. O cardápio celebra a indulgência: um medley de pato preparado de três formas, incluindo um terrine e fígado ao estilo foie-gras (23 anos), escargot ao molho de creme, servido sobre uma massa fofa (22 euros). Entre os pratos, você pode ir ao porão, onde o antigo cofre do banco agora dá lugar a um clube de charuto.

 

22h - Hora do swing

Toque a campainha para entrar no L’Archiduc (Rue Antoine Dansaert 6; 32-2-512-06-52; archiduc.net), um lounge aconchegante que parece uma caixa de joias art déco, com um bar de madeira polida, banquetas com padrões e sacada de metal com filigranas.A música ao vivo mistura jazz, country e creole. Para um ambiente mais de clube, passe pelo porteiro e entre no Mappa Mundo (Rue du Pont de la Carpe 2-6; 32-2-13-51-16), o epicentro social da moda da Place St. Géry. Aqui é o local onde a boemia de Bruxelas, descansando em banquetas almofadadas, exala anéis de fumaça e o playlist cosmopolita vai de house a música latina.

 

Domingo

 

9h -  Histórias em quadrinhos

A cidade parece não se cansar de desenhos. Os Smurfs nasceram aqui, há murais coloridos por toda a cidade e agora há outro museu dedicado a essa forma de arte. Tintin, o jovem reporter com topete laranja dos quadrinhos, é o tema do Musée Hergé (Rue du Labrador 26; 32-10-488-421; www.museeherge.com), um museu de três andares que leva o nome do criador de Tintin, Georges Prosper Remi, que assinava como Hergé. O museu moderno, que abriu no ano passado na cidade próxima de Louvain-la-Neuve, passa cronologicamente por toda sua carreira, da publicidade ao comando de um pequeno império dedicado a tudo envolvendo Tintin, de filmes para cinema a chaveiros.

  • Jock Fistick/The New York Times

    Tintin, o jovem reporter dos quadrinhos, é o tema do Musée Hergé, um museu de três andares que leva o nome do criador de Tintin, Georges Prosper Remi, que assinava como Hergé

Meio-dia - Coisas antigas

Há muitos mercados de antiguidades pela cidade, mas o mais diverso pode ser o mercado de pulgas na Place du Jeu de Balle, no distrito Marolles. O mercado diário, realizado em uma praça de concreto, incha aos domingos e está repleto de tudo, de refrigeradores e cadeiras de rodas até roupas antigas e vidro lapidado. Se você cansar de revirar as caixas de pinturas a óleo, caminhe pela adjacente Rue Blaes, uma rua cheia de lojas onde vários antiquários, incluindo a Stef Antiek (Rue Blaes 63 com Place de la Chapelle 6; 32-2-540-81-42; stefantiek.com), já selecionaram as coisas para você, como uma cidade conhecida pela burocracia faria.

 

O básico

 

O Hotel Amigo (Rue de l’Amigo 1-3; 32-2-547-47-47; hotelamigo.com) com 173 quartos, logo atrás da Grand-Place, parece uma casa de fim de semana de luxo com toques de humor, como as gravuras de Tintin nas paredes do banheiro. Quartos a partir de 199 euros, cerca de US$ 240.

 

Aberto em outubro, o Odette en Ville (25 rue du Châtelain; 32-2-640-26-26; chez-odette.com), com oito quartos, é um hotel butique chique próximo da rua de comércio de luxo Avenue Louise. Quartos a partir de 250 euros.

 

Para estilo a bom preço, o da moda Welcome Hotel (23 Quai au Bois a Bruler; 32-2-219-95-46; hotelwelcome.com) baseia cada um de seus 17 quartos em um país, do Congo ao Vietnã. Quartos a partir de 95 euros.

 

Tradução: George El Khouri Andolfato

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