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O Rio do humorista Yuri Marçal vai do subúrbio à Zona Sul

Thiago Jesus
Imagem: Thiago Jesus

Kamille Viola

Colaboração para o Urban Taste, no Rio de Janeiro

20/08/2019 11h00

Sucesso nas redes sociais - são mais de 230 mil seguidores no Instagram -, o comediante carioca Yuri Marçal vem conquistando mais público a cada dia com uma vertente ainda pouco difundida no Brasil: o humor afrocentrado. Com piadas que exaltam a cultura negra brasileira, sobretudo a do Rio de Janeiro, ele viu sua popularidade ir além da internet. Depois de abrir a turnê do humorista Whindersson Nunes, atualmente é a atração que antecede shows do rapper Djonga e vem lotando teatros Brasil afora com seu espetáculo de stand up solo, "Acendam as Luzes". Além disso, acaba de lançar um grupo com outros humoristas negros, o Guetto, que estreia dia 30 de agosto no Teatro Bangu, no Rio.

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Boa parte de seus programas gira em torno da cultura negra. Ele frisa a importância de fortalecer eventos realizados por pessoas pretas (no Brasil, começa a ganhar força o movimento "black money", ou dinheiro preto, que estimula que o consumo e a prestação de serviço entre pessoas negras). Além disso, em geral, se sente muito em casa nesse tipo de lugar. "Até a pessoa preta que não tem tanta consciência racial, quando chega nesses lugares, se identifica muito: a música, o ambiente, a energia do local, dificilmente tem briga. Parece que é genético", diz.

Yuri, de 26 anos, passou grande parte de sua vida em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, mais especificamente na Favela da Carobinha. Há quase dois anos, se mudou para Laranjeiras, na Zona Sul, por conta da proximidade do aeroporto, da rodoviária e dos teatros. Entre os novos hábitos adquiridos estão as idas à Praça São Salvador, que é rodeada por bares e fica lotada à noite.

A maior parte do que ele gosta de fazer fica mesmo é no subúrbio carioca, como as visitas à sede do Jongo da Serrinha e os chopes na Rua do Rio, no Shopping Nova América, ou no Armazém Bar e Chopperia, em seu bairro de origem. Mas ele manja da cidade toda. "Quando eu era criança, a minha mãe andava tudo, então eu sei chegar em qualquer lugar da cidade", garante. Veja abaixo os lugares preferidos do Yuri no Rio, incluindo atrações afrocentradas, para se sentir em casa com a cultura preta:


Yolo Love Party

Reprodução
Imagem: Reprodução

Fundada em 2016, a festa foi inspirada no Afropunk, festival de cultura negra norte-americano. As atrações são sempre cantores e DJs negros, e o som vai do soul ao funk carioca, passando pelo axé, charme, afrobeat e trap. Também conta com afroempreendedores. Já chegou a reunir três mil pessoas no Clube 4 Linhas, em Bento Ribeiro, na Zona Norte do Rio. A próxima edição está prevista para 7 de setembro e tem show de Ludmilla. E, pela primeira vez, a Yolo vai acontecer em um estádio de futebol: o Engenhão, no Engenho de Dentro. "Gosto muito de ir. E, pelo fato de não ser todo fim de semana, cria uma expectativa quando acontece. É sempre temática, à fantasia, a galera vai toda bem a caráter, manda fazer roupa com dois meses de antecedência. É bem legal", diz.

Vai lá:
Estádio Nilton Santos (Engenhão) - Rua José dos Reis, 425, Engenho de Dentro, Rio de Janeiro.
A próxima edição é sábado, 7 de setembro, às 22h.
Mais informações pelo Facebook da Yolo.

Jongo da Serrinha

Alexandre Macieira/Riotur
Imagem: Alexandre Macieira/Riotur

O jongo (também chamado de caxambu) é uma dança afro-brasileira que influenciou fortemente a música nacional. Desde o fim dos anos 1960, o Jongo da Serrinha preserva e difunde esse legado. Em 2000, o grupo abriu uma ONG, com sede no pé do Morro da Serrinha, e realiza oficinas e eventos culturais diversos. Tia Maria do Jongo, uma das fundadoras do Império Serrano e jongueira mais antiga do grupo, morreu em maio deste ano, aos 98 anos, enquanto assistia a uma aula na sede. Yuri Marçal é fã do lugar. "É também voltado para a nossa galera, é patrimônio cultural da cidade. Fim de semana sempre tem uma atração, a galera preta vai em peso. O Jongo da Serrinha é um quilombo", compara. "O pessoal fica muito à vontade, já sai dali e tem um samba. A Portela é próxima, Império Serrano é próximo. É sempre bom", elogia o comediante.

Vai lá:
Casa do Jongo - Rua Silas de Oliveira, 101, Madureira, Rio de Janeiro.
Segunda a sexta, das 9h às 17h.
Sábado e domingo: consultar programação.
Telefone: (21) 3457-4176

Lapa

Bloco Besame Mucho, na Lapa, durante o Carnaval 2018 - Luciola Villela/UOL
Bloco Besame Mucho, na Lapa, durante o Carnaval 2018
Imagem: Luciola Villela/UOL

Cartão-postal do Rio com seus arcos, a Lapa é um dos bairros mais famosos da cidade por causa de sua boemia. Conta com casas de show populares, como o Circo Voador e a Fundição Progresso, além de inúmeros bares e barracas de bebida e comida, onde boa parte dos frequentadores se diverte ao ar livre. É o caso de Yuri. "Não é tão voltado para galera preta, mas a gente se identifica por ter a cara suburbana, favelas ao redor e a coisa da rua. Você não necessariamente tem que entrar num lugarzinho mais gourmetizado, um barzinho fechado: não, Lapa é rua. Cansou, vai para outra esquina. Cansou, entra num boteco. Cansou, vai para um samba que está do lado", conta. Ele gosta de tomar batida de morango numa barraca da Rua Joaquim Silva, que tem até fila. "Para comer, podrão ou alguma besteira nas barraquinhas", conta Yuri.

Vai lá:
Lapa, Rio de Janeiro.
O principal movimento na rua é nas noites de sexta e sábado.

Praça São Salvador

Reprodução
Imagem: Reprodução

Cercada de bares, a praça fica entre os bairros do Flamengo e Laranjeiras e sempre tem movimento à noite por ali. Ambulantes vendem cerveja de diversos tipos (inclusive artesanais) e caipirinha. Aos domingos, das 11h às 14h, a roda de choro Arruma o Coreto acontece há 12 anos, além de ter uma feirinha que surgiu a reboque. Também na praça se organizou o Bloco Bagunça Meu Coreto, em 2005. "Esse lugar falo com um pouco de vergonha, confesso, porque não tem absolutamente nada a ver - acho que é o oposto, quase, da galera preta. Mas sou muito preguiçoso, entende? E é do lado minha casa", explica. Fora isso, o ponto é fonte de inspiração para seu trabalho. "Sempre reúno a galera ali para beber, rir, até para escrever material de comédia mesmo. E é mais tranquilo pelo fato de quase ninguém fazer ideia de quem eu sou. Quando alguém me reconhece geralmente é mina, mas é mais raro", diz.

Vai lá:
Praça São Salvador, Laranjeiras

Rua do Rio

Reprodução
Imagem: Reprodução

Com uma área de três mil metros quadrados e capacidade para 2.600 pessoas, é um espaço do Shopping Nova América, em Del Castilho, com bares e restaurantes. A arquitetura homenageia o Rio de antigamente, mas não é coberta, então não vá quando chover. "É meio gourmetizado, mas eu gosto de ir. Parece muito a Lapa, só que com lugares caros. Tem lugar também de boa. Quando quero dar um rolé com alguém, gosto de ir para lá: tem o ambiente de shopping e tem essa rua externa, que é muito Rio de Janeiro. Normalmente, vou no Boteco do Manolo", conta.

Vai lá:
Shopping Nova América - Avenida Pastor Martin Luther King Junior, 126, Del Castilho, Rio de Janeiro.
Telefone: (21) 3083-1000
Todos os dias, das 10h à 1h (o horário varia em cada bar).


Armazém Bar e Chopperia

Flash Drawn Entertainment
Imagem: Flash Drawn Entertainment

Yuri morou a vida quase inteira em Campo Grande e, mesmo tendo se mudado de lá, ainda gosta de frequentar atrações no bairro. Uma de suas regiões preferidas é o sub-bairro Magali, que tem uma concentração de bares e ambulantes. Ele também é fã do Armazém Bar e Chopperia, onde se apresentam rodas de samba e shows de sertanejo. "Meu primo toca pagode com o grupo dele lá. Fica cheio, a galera preta de Campo Grande vai para cima. É numa rua com vários bares, quase que rola uma disputa de som, mas é bem bom", elogia.

Vai lá:
Estrada Guandú do Sapé, 345, Campo Grande, Rio de Janeiro.
Terça-feira a domingo, das 16h às 5h.
Telefone: (21) 99677-9677

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