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8 iniciativas de ativismo urbano para conhecer e apoiar na capital paulista

Laíse Guedes

Colaboração para o Urban Taste, em São Paulo

15/07/2019 13h23

Voluntários do Olhe o Degrau, no Jardim Angela. - Reprodução/Vidade Ativa
Voluntários do Olhe o Degrau, no Jardim Angela.
Imagem: Reprodução/Vidade Ativa

Transformar o espaço urbano não é missão fácil, mas é o caminho que muitos ativistas urbanos encontraram para promover cidades mais democráticas e acessíveis, especialmente em grandes centros. Das hortas urbanas à revitalização de espaços de passagem degradados, os desafios são diversos. E não faltam ideias e iniciativas com criatividade, que repensam a forma tradicional de viver e conviver nas cidades.

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Para quem quer fazer parte da transformação, é possível colaborar colocando a mão na massa ou até mesmo por meio dos crowdfundings, as famosas vaquinhas online. Confira algumas iniciativas de ativismo urbano e veja como contribuir:

Olhe o Degrau: colocando as escadas na rota da cidade

Escadaria revitalizada em ação do movimento Cidade Ativa, em São Paulo - Reprodução/Cidade Ativa
Escadaria revitalizada em ação do movimento Cidade Ativa, em São Paulo
Imagem: Reprodução/Cidade Ativa

As escadarias das cidades, geralmente abandonadas e degradadas, são vistas muitas vezes pela população como um local de passagem inseguro. Mas há quem enxergue nelas o poder de conectar a comunidade a um espaço de lazer onde as pessoas possam se encontrar, relaxar e se exercitar. É o que propõe a iniciativa "Olhe o Degrau", da organização Cidade Ativa, que surgiu em 2013 para trazer um novo olhar para escadarias da cidade e estimular uma mudança em seu uso.

"Através de intervenções simples e participativas, a iniciativa revela para as pessoas o potencial que as escadarias escondem, que permitem que esses lugares possam se reintegrar à rede de mobilidade a pé e sejam utilizados novamente como espaços públicos", conta a arquiteta urbanista Mariana Wandarti, conselheira do projeto.

As ações do "Olhe o Degrau" ocorrem, geralmente, por demandas apontadas pela comunidade local. Até hoje já foram realizadas cinco ações na cidade de São Paulo -- a sexta está em andamento no bairro de Higienópolis, e os idealizadores querem expandir o projeto para outras cidades brasileiras. "Estamos sempre abertos a nos reinventar para colaborar, cada vez mais, na construção de cidades para pessoas."

Como apoiar?
Para colaborar com a iniciativa, é possível fazer uma doação de recursos financeiros e de materiais, como tinta, madeira e pneus usados. Também dá para se voluntariar, seja colocando a mão na massa na transformação das escadarias, oferecendo algum serviço de acordo com a sua habilidade, como marcenaria e fotografia, seja repassando os aprendizados para novos voluntários. "Um dos resultados da iniciativa é a disseminação dos métodos aprendidos ao longo das ações, permitindo que projetos futuros possam ser liderados por qualquer pessoa em qualquer comunidade", explica Mariana.


Quebrada Sustentável: orgânicos mais baratos na periferia

Entre as principais feiras de alimentos orgânicos localizadas na capital paulista, nenhuma estava mapeada na periferia. Mas o Ponto de Cultura Socioambiental "Quebrada Sustentável" veio para mostrar que também é possível desenvolver espaços de convivência e agroecologia na periferia das cidades.

Criado durante a urbanização da favela União de Vila Nova, em São Miguel Paulista, Zona Leste de São Paulo, o projeto possui um terreno que abriga centenas de árvores frutíferas, hortas, flores, viveiro de mudas e composteiras. Ali são realizadas oficinas de agroecologia e também de marcenaria e bioconstrução. A ideia é que os moradores apliquem em suas casas e no cotidiano as técnicas aprendidas no viveiro. Atualmente, eles não apenas plantam para a própria subsistência, como também acabam revendendo parte da produção do alimento em seu bairro a um preço popular e acessível, em uma kombi que percorre outros bairros da Zona Leste.

De acordo com o coordenador do Quebrada Sustentável, Marcos Vinícius de Moraes, o projeto atualmente capacita jovens em periferias de outras cidades, como Guarulhos e Suzano (SP). "Como já incubamos e empoderamos um local, estamos na busca de outro espaço para replicarmos a experiência", conta.

Como apoiar?
Marcos Vinicius explica que a iniciativa tem foco no diálogo com os moradores e na mobilização comunitária. Segundo ele, o voluntariado sempre fez parte do projeto, principalmente nas ações de mutirões, como a bioconstrução, por exemplo. "Esperamos aprofundar a relação de pessoas interessadas em vivenciar mais a comunidade e também gerar renda para o projeto". Para mais informações, basta acompanhar o Facebook do projeto.


SP Invisível: capturando a essência das pessoas em situação de rua

O SP Invisível foi criado para conscientizar as pessoas por meio dos relatos de quem vive em situação de rua. Nos últimos 5 anos, o projeto já contou mais de 800 histórias de homens e mulheres que estão nas ruas, redigidas pelas pelas mãos dos amigos André Soler e Vinicius Lima em seus perfis no Instagram, Facebook e YouTube.

A ideia surgiu quando a dupla propôs a um grupo de trinta adolescentes que saíssem para fotografar nas ruas de São Paulo tudo o que considerassem invisível. Após capturarem de prédios a pessoas de idade, se deram conta de que as pessoas em situação de rua eram as mais invisibilizadas. "Eles não eram só invisíveis porque o rosto estava tapado por um cobertor, mas a história deles também era invisível. Então a gente decidiu dar mais visibilidade para essas pessoas, tirando uma foto delas e contando as histórias nas redes sociais", diz André, um dos responsáveis por registrar os retratos e os depoimentos em primeira pessoa.

Desde maio, o SP Invisível aposta em um novo projeto, o SP Cast. A cada quinze dias, o podcast vai conversar com pessoas que trabalham, vivem, convivem e são ativistas na cidade, mostrando o contexto e as complexidades por trás de cada história contada.

Como apoiar?
O SP Invisível já mobilizou centenas de seguidores em ações como o Natal e Páscoa Invisíveis. "A gente percebeu a necessidade de criar ações sociais porque as pessoas que nos seguiam queriam participar mais. Elas não queriam apenas escutar, mas também contar as histórias que elas viveram", explica o fotógrafo. Em 2019, a ação de inverno, o SP Sem Frio, chegou a sua quarta edição após um financiamento coletivo. Com o resultado, voluntários irão distribuir nas ruas de São Paulo cerca de 800 kits de inverno e 150 moletons. Outra forma de apoiar o projeto é por meio de uma campanha de financiamento recorrente, em que é possível contribuir com valores a partir de 10 reais mensais.


Outras iniciativas para acompanhar de perto

Arquitetura na Periferia

Uma Mestra ou uma Deusa?

Uma publicação compartilhada por Arquitetura na Periferia (@arquiteturanaperiferia) em

O projeto "Arquitetura na Periferia" ensina mulheres a construir suas casas e surgiu em 2014, a partir de uma tese de mestrado da então estudante de arquitetura Carina Guedes. A iniciativa oferece capacitação e microfinanciamento para mulheres que vivem em territórios com déficit de habitação e infraestrutura, como favelas, comunidades periféricas e ocupações.

Mapa de Afetos

A relação entre memória e ocupação urbana é abordada pelo projeto Mapa de Afetos, desenvolvido por Natalia Mallo, Gabi Gonçalves e Bernardo Loureiro (Medida SP). A plataforma de mapa colaborativo está no ar desde 2018 e reúne diversas experiências vividas em São Paulo, identificando o local em que aconteceram.


Moradores de Rua e Seus Cães

Há 7 anos, o fotógrafo de pets Edu Leporo decidiu andar pela cidade com sua câmera para saber como era a vida dos cães que vivem nas ruas. Assim surgiu o projeto "Moradores de Rua e Seus Cães" e, desde então, registra as histórias em seu Instagram e leva doações e serviços de higiene para centenas de cães e seus donos.

Rios e Ruas

O urbanista José Bueno e o geógrafo Luiz de Campos Jr. acreditam que os paulistanos podem voltar seu olhar para os rios e árvores da cidade. Desse sonho, surgiu o projeto "Rios e Ruas", que desde 2010 já mapeou centenas de nascentes na capital e organiza expedições para mostrar que as águas correm vivas embaixo das ruas da cidade.

Ruativa

Em 2015, o skatista João Yumoto e o amigo Ricardo di Lazaro formaram o coletivo Ruativa, que sai pelas ruas para reformar ou criar espaços para andar de skate. A iniciativa faz parte de um movimento de skatistas de todo o país que, de forma independente, trabalham para criar uma infraestrutura mais eficiente que a oferecida pela iniciativa pública.

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