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Para Tony Hawk, construção de novos espaços para o skate fomenta comunidade

Tony Hawk narrará as manobras do VPS 2019 - Divulgação
Tony Hawk narrará as manobras do VPS 2019 Imagem: Divulgação

Sté Reis

Colaboração para o Urban Taste, em São Paulo

26/06/2019 13h49

Em São Paulo na última semana, o skatista americano Tony Hawk desembarcou no Brasil pela terceira vez para narrar uma das etapas eliminatórias do mundial Vans Park Series, onde destacou o desempenho dos brasileiros na competição e relembrou uma visita à casa do mineiro Sandro Dias.

"A primeira vez que vim [para um X-Games], com certeza, foi a mais memorável, o público estava muito empolgado", diz em entrevista ao Urban Taste. "Lembro ter ficado doente e quando cheguei a galera estava insana. Eles meio que me levantaram. Na segunda vez, andei na rampa do Sandro Dias, há oito anos, e foi incrível."

Influência na cultura pop

Com 51 anos, profissional desde os 14, Tony Hawk é hoje o mais influente skatista da história. Com destaque para as suas conquistas no skate vertical, que lhe rendeu recordes marcantes: primeiro 900° da história, 12 mundiais de vert, 3 mundiais de street style e 10 X-Games. Hawk revolucionou o esporte com manobras ousadas e criativas e fomentou a contracultura levando o skate para o mainstream.

No universo pop, fez participações em programas de TV como Simpsons e CSI, além de ter sido o responsável por lançar a primeira série da produtora de jogos Actvision voltada para a cultura de rua: Tony Hawk Pro Skater, que completa 20 anos em 2019. "Acredito que o jogo tenha trazido uma nova audiência pro skate e algumas daquelas pessoas que amaram o jogo se inspiraram e começaram a andar", comenta. "Eu esperava que esse jogo representasse a cultura tão bem quanto é em todos os aspectos, na música, estilo de vida, moda. Mudou a minha vida, e também mudou o fator de reconhecimento do que é o skate."

Hoje com três filhos, Tony já não se arrisca em campeonatos, só se for para fazer um alongamento matinal dando um eggplant (manobra em que se apoia em um braço na borda e segura o skate no ar com os dois pés na base). Mesmo com o reconhecimento mundial na cena, ele brinca com a sua não-fama entre os mais jovens. Ativo no Twitter, toda semana ele conta histórias de pessoas que o confundem na rua e reconhecem o rosto famoso, apesar de não lembrarem que é. Onde ele age é nos bastidores, como no projeto Tony Hawk Foundation, em que celebra jovens talentos e participa da criação de pistas públicas nos Estados Unidos. "É importante dar à juventude a oportunidade de pelo menos tentar participar e construir uma comunidade ao redor", explica. "Não acho que seja sobre criar super estrelas ou profissionais. É mais sobre desenvolver uma comunidade de pessoas que têm um gosto em comum e compartilha os mesmos valores."

"Skate brasileiro é passional"

Ligado no que rola na cena pelo mundo, ele acompanha de perto a evolução de skatistas brasileiros. Só neste ano, o Brasil teve campeões na Street League, Dew Tour, Tampa Pro e agora no VPS, sendo um dos favoritos para as Olimpíadas. "O skate brasileiro tem sido super apaixonado, muito agressivo e com fome de vitória. Alguns dos melhores do mundo vêm do Brasil", diz. "Dois dos melhores park skaters do mundo são brasileiros, Pedro Barros e Yndiara Asp, com outros brasileiros brilhando em campeonatos."

Para ele, entre os diferenciais estão as condições de acesso a treinamento, patrocínio e novas pistas. "Esses talentos emergem do Brasil através das décadas e é um grande prazer acompanhar por que eles não são privilegiados (como nos Estados Unidos). Eles não têm diversas facilidades, e as que têm ainda não se equiparam as que existem fora. Então, eles aprendem como andar de skate em qualquer cenário e se destacam."

O que gera muito entusiasmo no pró é ver o desprendimento com que a nova geração está se colocando. "Um dos momentos mais emocionantes do VPS para mim foi na China, assistindo Roman Pabich, 17, crescer talvez sendo o mais fraco entre os competidores e saindo no primeiro lugar em Shangai. No Brasil ver os locais em São Paulo e a energia que eles trazem para ver seus atletas, é realmente contagiante."

Um dos destaques nacionais que chamou a atenção do atleta foi Rayssa Leal (leia entrevista com ela no Asfalto), a fadinha do skate. "Essa geração aprende as manobras mais difíceis muito cedo, como a Rayssa fez. O fato de ela ter novas pistas, social media e ser reconhecida instantaneamente é incrível. Isso é maravilhoso e o tipo de coisa que faz meu dia valer a pena."

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