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Nostálgico e cultural, o Rio de Macalé tem gosto de infância e adolescência

Jards Macalé no ensaio do álbum Besta Fera - Leo Aversa/Divulgação
Jards Macalé no ensaio do álbum Besta Fera Imagem: Leo Aversa/Divulgação

Kamille Viola

Colaboração para o Urban Taste, no Rio de Janeiro

26/06/2019 17h53

Jards Macalé nasceu na Muda, sub-bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio. Aos 5 anos, sua família se mudou para Ipanema, onde ele gostava de brincar no Jardim de Alah e na Praça Nossa Senhora da Paz, na infância, e ia à Praia do Arpoador para ficar com a galera quando adolescente. Também viveu em Botafogo, em Santa Teresa e, há mais de 30 anos, o cantor e compositor parou no Jardim Botânico.

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De suas andanças pela cidade veio o roteiro que ele listou para o Urban Taste, com seus programas preferidos no Rio. Passeio pela Floresta da Tijuca e pelo Jardim Botânico, café da manhã na padaria de seu bairro, cervejinha num boteco tradicional e visitas a um centro cultural estão entre eles. Macalé atualmente está em turnê com "Besta fera", seu primeiro disco de inéditas em 21 anos, lançado em março deste ano. O álbum traz 12 canções, algumas em parceria com nomes da nova geração da música brasileira, como Ava Rocha, Tim Bernardes, Rodrigo Campos, Rômulo Fróes (que assina a direção artística), Kiko Dinucci e Thomas Harres (esses dois responsáveis pela produção musical). Ele também musicou poemas de Capinam, Clima, Ezra Pound e Gregório de Mattos.

Apesar de lamentar a atual situação da cidade e do país, aos 76 anos revela que não consegue deixar sua cidade: o mais longe que chegou disso foi quando passou dois anos em Penedo, distrito de Itatiaia a pouco mais de 170 quilômetros da capital do Rio. "Já tentei morar em vários outros lugares, mas não consegui. Apesar de adorar São Paulo, não posso passar um mês longe do Rio. Você quer sair daqui - porque a cidade pacífica e amorosa que você ama já não é a mesma - mas, apesar de tudo, não consegue", explica.

Floresta da Tijuca

Alexandre Macieira/Riotur
Imagem: Alexandre Macieira/Riotur

Parte do Parque Nacional da Tijuca, a floresta, com 3.972 hectares, é uma das maiores áreas verdes urbanas do mundo. Grande parte de sua vegetação é oriunda de reflorestamento feito na época do Segundo Reinado, no Brasil Império, em substituição às fazendas de café que ocupavam a região. Possui espaços para a prática de esportes, como ciclismo, corrida e montanhismo, e trilhas que levam a cachoeiras, grutas, morros e picos. Também tem praças com brinquedos para crianças, espaços para churrascos e confraternizações, além de restaurantes. Outros pontos que merecem a visita são a Capela Mayrink (com um tríptico de Cândido Portinari), o Lago das Fadas, o Mirante do Excelsior, o Jardim dos Manacás (com a Fonte Wallace) e o Açude da Solidão. A paixão de Macalé pelo lugar vem da infância. "Como eu nasci na Tijuca, na Muda, onde morei até pouco antes dos 5 anos, o meu parque preferido, mais amplo e mais verde, era a Floresta da Tijuca. Costumava passear lá com minha família, ir nas cachoeiras, a coisa toda", lembra ele.

Vai lá:

Estrada da Cascatinha, 850, Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro.
Todos os dias, das 8h às 17h (18h no verão).
Telefone: (21) 2492-2253
Mais informações no site do Parque Nacional da Tijuca.

Praia do Diabo

Pedro Kirilos/Riotur
Imagem: Pedro Kirilos/Riotur

Incrustada entre a Praia de Copacabana e a do Arpoador, a Praia do Diabo já foi um segredo escondido na paisagem da cidade. Hoje, já figura como dica em guias de turismo. Fica à esquerda do Arpoador (do ponto de vista de quem olha para o mar). Antes de descer para a areia, há uma praça. Diz-se que o nome vem do fato de que o mar é muito agitado no local, podendo tornar-se perigoso para os banhistas. Recomenda-se que ela seja frequentada na maré baixa: é quando a faixa de areia se torna visível e as ondas são um pouco mais calmas. Durante a maré alta, o mar engole tudo. Lua Nova ou Minguante são as épocas mais propícias. De qualquer forma, é preciso ficar atento à sinalização no lugar.

O hábito de frequentar a praia veio dos tempos em que o cantor morou com a família em Ipanema. "Mais moleque, já crescendo, eu ia muito ao Arpoador, onde se pescava e ficava por ali com o pessoal pegando jacaré (que é quando o banhista entra de peito na onda e se deixa levar até a areia) ou então jogando bola. Eu gosto muito de ir até hoje ao lado, na Praia do Diabo, o que é sempre um desafio, porque o mar é mais bravio", conta ele.

Vai lá:
Rua Francisco Otaviano, s/nº, Ipanema, Rio de Janeiro.
Mais informações sobre a qualidade da água no site Praia Limpa.

Jardim Botânico

Alexandre Macieira/Riotur
Imagem: Alexandre Macieira/Riotur

Foi fundado em 13 de junho de 1808, pelo então príncipe regente português D. João. Hoje, é também um dos mais importantes centros de pesquisa mundiais nas áreas de botânica e conservação da biodiversidade. Possui cerca de 6.500 espécies de plantas (algumas ameaçadas de extinção), distribuídas por uma área de 54 hectares, ao ar livre e em estufas, contando com um orquidário, um bromeliário e plantas insetívoras. Tem também um jardim sensorial, onde as plantas podem ser tocadas pelos visitantes, destinado principalmente aos deficientes visuais. Outro destaque é o Memorial Mestre Valentim, que homenageia o artista, autor das primeiras obras em metal fundidas no Brasil, com peças provenientes da demolição da antiga Fonte das Marrecas, no Passeio Público (1905). Para comer, conta com o Jarbô Café, ao lado da Praça do Teatro (ele fica ao lado da entrada principal, então não é necessário pagar entrada para ir lá), e o Garden Café, ao lado do Centro de Visitantes.

Macalé também se apaixonou pelo passeio ainda criança, quando ia ao lugar com a família. "Íamos da Floresta da Tijuca ao Jardim Botânico ali por cima (pelas estradas que cortam o Parque Nacional da Tijuca). Passávamos inevitavelmente na Mesa do Imperador, onde fazíamos piquenique, e dávamos uma visitada na Vista Chinesa, duas das vistas mais lindas do Rio de Janeiro. Descendo por ali, você vai dar no Jardim Botânico, onde gosto de ir até hoje. É uma visita maravilhosa, aquelas plantas todas, com o cartazinho (sic) com os nomes, lanchar. Adoro ficar o dia quase todo passeando ali", se derrete.

Vai lá:
Rua Jardim Botânico, 1.008, Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
Segunda, das 12h às 18h.
Terça a domingo, das 8h às 18h.
R$ 15 e R$ 7,50 (meia). Grátis para crianças de até 5 anos.
Telefone: (21) 3874-1808

Bar Rebouças

Em meio a uma rua onde predominam restaurantes requintados, o pé-sujo permanece firme e forte desde 1957. O clima é descontraído, com mesinhas na calçada e muita gente em pé. O garçom Jorginho, simpático, é considerado um dos melhores da cidade. Macalé costuma marcar presença por lá. "É um point do pessoal, costumo ir lá e a gente conversa muito. Não costumo beber, mas ontem eu estava bebendo uma cervejinha, com um croquete maravilhoso de aipim com carne-seca. Muita gente da área vai, mas também quem não é da região", diz.

Vai lá:
Rua Maria Angélica, 197/loja 2, Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
Segunda a sábado, das 7h às 2h.
Telefone: (21) 2286-3212

Panificação Lagoa

Fundada em 1963, é tradicional na região. O ambiente é simples. Além de pães de diversos tipos, doces e frios, possui um mercadinho útil para compras de emergência. O café da manhã pode ser servido nas mesinhas ou no balcão. Também conta com bufê de almoço. O artista é habitué do lugar. "É a padaria oficial dessa área do bairro. Gosto de ir lá para tomar café da manhã", conta.

Vai lá:
Rua Jardim Botânico, 153, Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
Segunda a sábado, das 6h às 22h.
Domingo e feriado, das 6h às 21h.
Telefone: (21) 2266-4436

A Padaria

O lugar se chamava Le Pain Du Lapin e, no ano passado, mudou de nome. Há poucos meses, passou a ocupar metade do espaço. Mas o cardápio continua o mesmo, com pães artesanais, sanduíches e doces, como mil-folhas e pain au chocolat. Passar por lá é parte da rotina do cantor. "Gosto de ir de manhã, para tomar um café da manhã, ou depois de ir na Padaria Lagoa, para tomar um cafezinho e ler o jornal do dia. A rua Maria Angélica tem toda uma extensão gastronômica", explica ele.

Vai lá:
Rua Maria Angélica, 197, Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
Todos os dias, das 7h às 20h.
Telefone: (21) 2527-1503

Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB)

Alexandre Macieira/Riotur
Imagem: Alexandre Macieira/Riotur

Um dos espaços culturais mais importantes do país, o CCBB ocupa um prédio histórico no Centro que começou a ser construído em 1880 e foi inaugurado em 1906, como sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Na década de 1920, passou a pertencer ao Banco do Brasil, que o reformou e o transformou em sua sede. Teve essa função até 1960, quando virou Agência Centro do Rio de Janeiro e depois a Agência Primeiro de Março. Em 1989, foi inaugurado o centro cultural. Já abrigou exposições emblemáticas como "'O mundo mágico de Escher", "Mondrian e o Movimento de Stijl" e "Jean-Michel Basquiat - Obras da Coleção Mugrabi", entre muitas outras. Possui salas de teatro, de cinema e de vídeo, biblioteca, uma filial da Confeitaria Colombo e outra do Lilia Café. O artista é fã da grade cultural. "Adoro ir lá ver as exposições, tem uma programação muito legal, aquilo é uma beleza! Gosto muito de ir e ficar por aquela área. O MAM (Museu de Arte Moderna) também, aquela região toda", elogia Macalé.

Vai lá:
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro.
Quarta a domingo, das 9h às 21h.
Telefone: (21) 3808-2020

A mureta do Bar Urca

Reprodução
Imagem: Reprodução

Um verdadeiro clássico carioca. O bar em si é pequeno, o que não o impede de atrair muita gente. A mureta em frente, no entanto, é disputadíssima, com sua vista privilegiada para a Baía de Guanabara e o Cristo Redentor - o pôr do sol visto dali é um deslumbre, principalmente agora no outono. Do balcão, saem cervejas em garrafa e petiscos como bolinho de bacalhau, casquinha de siri, empadas e pastéis diversos. No segundo andar, o restaurante serve pratos à base de peixes e frutos do mar. Em 2019, o lugar completa 80 anos de existência. Jards Macalé é mais um apaixonado pela paisagem. "É um point, reúne muita gente. Gosto de sentar ali na mureta, é uma vista maravilhosa do outro lado do Rio", se derrete.

Vai lá:
Rua Cândido Gaffrée, 205, Urca, Rio de Janeiro.
Segunda a sábado, das 11h30 às 23h.
Domingo, das 11h30 às 20h.
Telefone: (21) 22958744

Corcovado

Alexandre Macieira/Riotur
Imagem: Alexandre Macieira/Riotur

"Também gosto dos lugares tradicionais: quando eu posso, vou ao Corcovado ou ao Pão de Açúcar. Dá na telha e vou subir o Corcovado, em horários menos concorridos. É lindo", elogia o artista. Um dos principais cartões-postais da cidade, o Morro do Corcovado tem 710 metros de altura e também faz parte do Parque Nacional da Tijuca, o que significa que ele é cercado pela Mata Atlântica. Desde em 1931, o morro tem em seu topo o Cristo Redentor, que em uma votação popular de 2007 foi escolhido uma das sete maravilhas do mundo moderno. A estátua, a maior no estilo art déco no mundo, tem 38 metros de altura, sendo oito do pedestal. Em 2012, passou a fazer parte da paisagem do Rio de Janeiro incluída na lista de Patrimônios da Humanidade da Unesco. Com uma das vistas mais bonitas da cidade, é o ponto turístico mais visitado do Rio.

A subida é feita pelo Trem do Corcovado, que sai de uma praça no bairro do Cosme Velho, ou pelas vans oficiais, com pontos de embarque no Largo do Machado, Copacabana (Praça do Lido), Barra da Tijuca (Shopping Cittá América) ou Paineiras (Centro de Visitantes Paineiras), com preços diferentes em cada local. O acesso de carro pode ser feito apenas até o Centro de Visitantes.

Vai lá:
Rua Cosme Velho, 513, Cosme Velho (estação do Trem do Corcovado), Rio de Janeiro.
Todos os dias, das 8h às 19h (saídas a cada meia hora).
Ingressos no Centro de Visitantes Paineiras custam de R$ 8 (idoso brasileiro ou residente no país) a R$ 44 (adulto em alta temporada). De trem, os preços variam de R$ 25,50 (idoso brasileiro ou residente no país) a R$ 79 (adulto em alta temporada).
Telefone: (21) 2558-1329
Mais informações no site do Trem do Corcovado.

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