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Festas, shows e aulas de coreano: como o k-pop conquistou os brasileiros

A banda coreana BTS - Divulgação
A banda coreana BTS
Imagem: Divulgação

Isabela Marinho

Colaboração para o Urban Taste

23/08/2018 04h00

O k-pop explodiu na Ásia no fim da década de 1990. Cresceu, tomou forma e mostrou que veio ao mundo para ser muito mais do que apenas um ritmo da moda. Vinte anos depois – já maduro e estabelecido – cruzou a fronteira para o Ocidente, onde tem público cativo. No Brasil, o pop coreano teve adesão não só musicalmente, como tem transformado muito o interesse dos jovens, principalmente, que buscam aprender o idioma e a cultura daquele país.

As buscas dos brasileiros por k-pop cresceram vertiginosamente no Google – 217% de 2004 para cá (este número chegou a 303% em 2012 no comparativo com 2004). A plataforma também registrou um crescimento de 80% no interesse dos brasileiros em aprender a língua dos astros do gênero coreano.

A indústria, que movimentou cerca de 5 bilhões de dólares em 2016, de acordo com Korea Creative Content Agency, teve como precursora a Seo Taiji & Boys, banda que estourou ao se apresentar em um programa de caça-talentos musicais na TV, em 1982, na Coreia do Sul. As letras das músicas foram consideradas ousadas para o momento político do país, porque, antes de Seo Taiji, os hits das rádios sul-coreanas faziam propaganda ufanista de apoio ao governo.

O controle das músicas que iam ao ar nas rádios e nos programas de TV era imposto pelo ditador Park Chung Hee e perdurou mesmo depois de seu assassinato, em 1979. Isso até a chegada dos pioneiros do k-pop, que despertaram o interesse em usar os astros para exportar a cultura sul-coreana para o resto do mundo.

Nesse contexto, Seo Taiji & Boys representou uma ruptura cultural ao levar para a Coreia coreografias e letras de rap, vestimentas largas e descoladas — inspiradas no hip hop americano —, que faziam a cabeça dos adolescentes locais. Desde então, o -pop se reinventou e teve o seu auge com o hit "Gangnam Style", do cantor Psy.

O sucesso foi tanto que o videoclipe foi o primeiro a conquistar 2 bilhões de visualizações no YouTube e obrigou a plataforma a expandir seu contador da métrica. O espírito da música, um hit bem-humorado com coreografias, perdurou no k-pop, mas não é a única vertente do estilo musical.

Desde que Psy quebrou o contador do YouTube, as visualizações dos top 200 artistas de k-pop triplicaram. Em 2016, esses vídeos foram assistidos 24 bilhões de vezes, com 80% das visualizações vindas de fora da Coreia do Sul, de acordo com a plataforma.

Nova geração do k-pop

O Seo Taiji & Boys dos anos 2010 têm nome: BTS. A boy band coreana, formada em 2013, estreou seu álbum "Love Yourself: Tear", em maio deste ano, no primeiro lugar na lista da Billboard 200. No mesmo mês, a BTS ficou em 10º lugar na Billboard Hot 100 Chart, marcando o primeiro Top 10 do Hot 100 para um grupo de k-pop. Fora isso, os ídolos coreanos têm mais visualizações no YouTube do que nomes de peso da música norte-americana como Lady Gaga, Selena Gomez e Drake.

No Brasil, esse furor se materializou no desejo dos fãs de aprender coreano. Segundo Edson Fukumitsu, diretor pedagógico do Instituto Multicultural & Idiomas (IMULTI), o perfil do aluno de coreano mudou desde 2012, quando começou a ser ministrado na escola. Inicialmente houve uma procura maior de aulas de coreano por pessoas com finalidade acadêmica, para estudar na Coreia do Sul, e também por executivos e funcionários de empresas coreanas estabelecidas no país. "Nos últimos anos houve um aumento significativo de jovens estudando a língua por terem interesse na cultura coreana”, observa.

Embora uma fatia significativa dos alunos tenha entre 31 e 37 anos, atualmente a faixa etária majoritária dos estudantes do IMULTI e de 13 a 26 anos. O k-pop influencia esses números. "De fato este é o principal motivo para [os jovens] estudarem o idioma coreano. Também aprendem para acompanhar as últimas notícias de seus principais ídolos, e muitos têm grande interesse em conhecer a Coreia do Sul", conta Fukumitsu.

Além do interesse linguístico, o k-pop fez crescer no Brasil – sobretudo em São Paulo – uma cena cultural que engloba baladas, shows, encontro de fãs, bazares com roupas e acessórios similares aos usados pelos ídolos e até uma parada para unir os fãs das diversas tendências do pop coreano. Para te ajudar, reunimos eventos para você conhecer e curtir essa tendência.

A-Party Brasil

A festa A-Party é dedicada ao pop asiático - JC Fernandes / Divulgação - JC Fernandes / Divulgação
A festa A-Party é dedicada ao pop asiático
Imagem: JC Fernandes / Divulgação

A A-Party é uma festa 100% dedicada ao pop asiático, que, desde 2012, traz de forma itinerante os ritmos k-pop, j-pop (japonês) e c-pop (chinês) para as noites de São Paulo. Em suas primeiras edições, a A-Party era uma festa pop que tocava, entre outros gêneros, o asiático. Mas com o sucesso e a pedido do público, abriu mão dos outros estilos, se tornando a maior festa dedicada 100% ao pop oriental. Desde a estreia na capital paulista até a última edição, o público da festa cresceu 400%.

Vai lá:
Estação Marquês Eventos - Avenida Marquês de São Vicente, 412, Barra Funda
Sábado, 25 de agosto, das  23h30 às 5h30.
Mais informações na página do evento.

SF9

O grupo SF9 vem ao Brasil pela primeira vez em agosto. O grupo ganhou a competição de um reality show idealizado pela FNC Entertainment, chamado "Dance or Band". O disco "Feeling Sensation", de 2016, ficou entre os 100 mais vendidos na Coreia naquele ano

Vai lá:
Tropical Butantã - Avenida Valdemar Ferreira, 93, Butantã
25 e 26 de agosto, às 18h30 (abertura dos portões às 16h30)
Classificação: até 13 anos, apenas acompanhado de pais ou responsáveis legais; a partir de 14 anos, desacompanhados.
Ingressos variam entre R$155 e R$ 400.
Mais informações sobre os ingressos.

24K

Banda coreana 24K - Caroline Dadalto / Divulgação - Caroline Dadalto / Divulgação
Banda 24k se apresentará no Brasil novamente
Imagem: Caroline Dadalto / Divulgação

A banda 24K, que esteve no Brasil em dezembro de 2016 para um fanmeeting (ou seja, para conhecer os fãs), volta para cá no fim de agosto para (finalmente!) fazer um show por aqui. A turnê Still With 24U tem shows do novo álbum do grupo, "Bonnie N Clyde". O 24K foi criado em 2012 e está em sua segunda formação.

Vai lá:
Estação Marquês Eventos - Avenida Marquês de São Vicente, 412, Barra Funda
29 de agosto, às 20h.
Ingressos variam entre R$ 70 e R$ 300.
Mais informações sobre os ingressos.

K-Parada

Voltado para fãs das diversas vertentes do pop asiático, este evento promover concurso de covers, jogos, encontro com YouTubers e bate-papo entre os fãs (fandons).

Vai lá:
Av. Paulista, 287, Bela Vista
2 de setembro.
Grátis.
Mais informações no Facebook.

Mamamoo

Grupo de k-pop Mamamoo - Divulgação - Divulgação
Grupo de k-pop Mamamoo vem ao Brasil pela primeira vez
Imagem: Divulgação

O grupo Mamamoo vem ao Brasil em setembro, com breve turnê. Formado por HwaSa, WheeIn, Solar e MoonByul, a banda estreou em 2014 com a música" Mr. Ambiguous". Sua música de trabalho mais recente, "Egotistic", abraçou a influência latina e se alinhou com a tendência global, integrando pela décima vez o top 10 da Billboard norte-americana. Além do evento principal, o público pode pagar para tirar foto individual ou em grupo com a banda, participar de sessão de autógrafos ou assistir à passagem de som.

Vai lá:
Tropical Butantã - Avenida Valdemar Ferreira, 93, Butantã.
9 de setembro, às 19h30.
Ingressos variam entre R$135 e R$420.
Mais informações sobre os ingressos.

KARD

Após turnê pelo Brasil em 2017, o KARD volta para cá em setembro e vai fazer shows no Rio de Janeiro e em São Paulo. Além das duas apresentações, a turnê inclui três sessões de autógrafos em Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. O KARD começou a carreira em 2016 com o single "Oh Na Na". O grupo é formado por duas cantoras, Jeon Somin e Jeon Jiwoo, e por dois cantores, BM e J.seph. Com videoclipes que somam mais de 200 milhões de visualizações no YouTube, o grupo conquistou rapidinho o público brasileiro.

Vai lá:
Espaço das Américas - Rua Tagipuru, 795, Barra Funda
30 de setembro, às 20h (abertura de portões às 18h).
Menores de 14 anos somente acompanhados dos pais ou do responsável legal.
Ingressos variam entre R$ 135 e R$ 360.
Mais informações sobre os ingressos.

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