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Pressão dos amigos

A opinião de colegas e pessoas queridas pode te levar a escolhas não naturais. Aprenda a lidar com isso.

oferecido por Selo Publieditorial Estevan Silveira

Peer pressure: você pode nem conhecer, mas já deve ter sido influenciada por ela. A expressão, que normalmente é traduzida como "pressão dos amigos" trata daquela mania que a gente tem de seguir a influência de pessoas ao nosso entorno, como amigos, familiares ou colegas de trabalho para fazer pequenas -- ou grandes -- escolhas.

Quem acha que é cheio de personalidade e segue a máxima materna de que "se os amigos pulam da ponte, você não precisa pular também" pode se surpreender sobre como a opinião de gente querida acaba empurrando para caminhos que talvez não fossem escolhas naturais.

Além de nos levar a fazer escolhas que não condizem com nossa vontade natural, esse tipo de pressão causa atritos ou pequenos incômodos frequentes. É o caso de Ricardo*, designer carioca de 31 anos que passou a maior parte da vida sem beber -- e atravessou cada festa da vida tendo que dar satisfações a esse respeito.

"Como eu nunca tinha ficado bêbado na vida, o fetiche dos meus amigos, namorados e até familiares passou a ser me ver doidão. Nunca aconteceu, mas só fui provar bebidas alcoólicas depois que todo mundo desistiu do meu caso", conta, rindo. Apesar do senso de humor em relação ao desfecho, Ricardo precisou lidar com uma pressão frequente, chata e depreciativa desde os tempos de escola.

De acordo com a psicóloga Cássia Quinian, especialista em experiência somática na Associação Brasileira de Trauma, a culpa por esse fenômeno tão frequente vem de muito longe: "Somos seres gregários, sociais. Isso significa que temos como tendência viver em grupos e comunidades. O que mantém o grupo 'unido' é a sensação de identificação com o grupo -- e do grupo como parte da nossa identidade. Isso é importante para nós até como forma de sobrevivência (também somos importantes para o grupo pelo mesmo motivo). A pressão de amigos acontece, então, como uma forma de manter a sensação e a nossa imagem de unidade", explica.

Para a profissional, a chave que pode virar o jogo do peer pressure está na autoestima. Quanto mais necessidade de pertencimento a algo ou alguém externo a nós, mais a coisa se complica. Foi o que aconteceu com Jade*, arquiteta mineira de 26 anos. "Sempre bebi em festas, às vezes até demais. No último ano, precisei tomar um remédio para depressão que não batia legal com bebidas, então percebi como deixar de beber pode ser incômodo -- mais por causa dos outros do que da privação. Em todo lugar, acabo tendo que dar satisfações (inclusive para quem acabei de conhecer) sobre o motivo por não estar tomando nada. Às vezes, prefiro até mentir para evitar a fadiga", suspira.

Pensando em transformar a pressão dos amigos em suporte para que seus consumidores não bebam antes de dirigir, a Heineken lançou em outubro, a campanha "No Compromise", estrelada pelo ex-piloto e campeão mundial de Formula 1, Nico Rosberg. O filme explora a e sua busca pelo centímetro ou décimo de segundo que levam um piloto a ser um verdadeiro campeão e como não ceder à pressão de amigos ao recusar beber uma única cerveja, respondendo que está dirigindo. Juntamente com a peça, a marca divulgou dados de uma pesquisa realizada em 10 países (Brasil, China, Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Índia, África do Sul, Vietnã, Holanda e México) com dados específicos sobre bebida e direção. Entre os principais pontos apurados pela marca estão que 49% das vezes, os motoristas da rodada se deixam levar pelo momento devido à pressão dos amigos.

A pressão dos amigos está presente em quase todos os contextos onde mais de meia dúzia de humanos se reúnem -- às vezes, nem precisa tanta gente. Lídia*, estilista carioca de 35 anos, prefere não beber. Muito focada na prática de esportes e na alimentação balanceada, ela baniu os drinques do menu há seis anos, mas segue pagando um "preço social" por isso. "O circuito da moda inclui coquetéis e reuniões com clientes que acabam desembocando no papo sobre não beber. Para mim, é sempre difícil achar o equilíbrio entre convencer o outro que estou bem sem álcool ou começar a pregar sobre os benefícios de ser abstêmia. Não quero convencer ninguém a fazer as coisas do meu jeito, mas quando o pessoal insiste, acabo fazendo isso quase como vingança", explica.

Para a psicóloga e sexóloga Erika Oliveira de Paula, da Faculdade de Medicina da USP, o problema é mesmo comum e pode fazer com que a pessoa que é diferente se sinta errada quando, de fato, só está sendo ela mesma. "A questão pode e deve ser trabalhada desde a primeira infância -- mas também pela vida afora. A gente tem contato com a pressão de amigos desde os nossos primeiros anos de vida, então o segredo é ensinar a criança a se perguntar sempre se a sugestão que ela está seguindo é aquilo o que ela realmente gostaria de fazer."

Especialmente em grandes capitais, onde os espaços de convivência social como praças, clubes e praias são mais escassos, a pressão de amigos para tomar aquela cervejinha de socialização é ainda maior. "Eu ia ao happy hour da empresa por medo de me queimar com chefes e colegas, mas ficava sem beber e dando satisfações sobre isso a noite inteira. Era um inferno. Aí, comecei a fazer piada com isso e voltar mais cedo, achei um meio termo", conta Ricardo. Para amigos e familiares, o designer preferiu abrir o jogo sobre o incômodo -- o que reduziu o estresse de todos os lados.

É importante não ser o chato que vai pressionar o colega que está dirigindo, tomando algum medicamento ou simplesmente que não está a fim de um drinque no fim do dia, mas não ser conivente ao presenciar esse tipo de pressão também faz diferença.

"É legal ficar atento a situações de pressão e manifestar contrariedade a isso, tentando não colocar a pessoa sob pressão em destaque negativo. Por exemplo: ao invés de falar algo como 'coitado(a), ele(a) está desconfortável', é melhor falar 'Não faça isso. É desagradável', apontando mais para a ação negativa do que para a reação do indivíduo. Às vezes, dependendo da intensidade da pressão, pode ser difícil verbalizar isso dentro do grupo. A alternativa, então, é buscar diálogo individual como meio de formar alianças contra a pressão", sugere Cássia Quinian.

Se a pressão dos amigos é uma situação inevitável da vida, se dar conta de que ela existe já é um grande passo e pode melhorar -- e muito! -- nossas relações com as pessoas e com as nossas próprias vontades. Por isso, não tenha medo de falar sobre isso com seus amigos, seja você o alvo desse tipo de pressão ou outra pessoa.

*Os nomes dos personagens foram alterados para preservar a identidade dos autores dos depoimentos.

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