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Sexoterapia

A sexóloga Ana Canosa e a jornalista Marina Bessa conduzem o papo sobre sexo e relacionamento.


Sexoterapia

Sexoterapia #43: "Minha filha de 14 anos diz que é pansexual e tem questões de gênero. Será real ou modinha?"

12/02/2021 04h00

"Minha filha diz que todas as amigas dela já beijaram meninas e meninos e se dizem lésbicas ou bissexuais. Ela mesma ainda não beijou ninguém, isso é o que ela fala e também o que eu percebo pelos papos que ouço dela com as amigas. Por isso mesmo, eu acho muito estranho o fato de ela se definir como pansexual e dizer que tem "questões de gênero". Quando pergunto para ela o que seriam essas questões, ela me diz que não gosta de ter seios grandes, que não sabe se aceita o próprio corpo, que quer vestir roupas masculinas e cortar o cabelo mais curto. E eu fico pensando: ela é a típica adolescente com suas inúmeras insatisfações ou de fato há alguma questão de gênero ou sexualidade por trás?"

"Essa é a pergunta de um milhão", responde Ana Canosa, sexóloga e apresentadora do podcast Sexoterapia. Segundo ela, a adolescência é uma fase de experimentações e, hoje, a maioria dos adolescentes está mais antenada nessas discussões, nas possibilidades da diversidade. "Podemos pensar que essa menina ainda está muito no campo das ideias". diz. Veja e ouça o programa completo no arquivo acima.

Nesse contexto, a pansexualidade, que é se sentir atraído por pessoas, independentemente do gênero ou orientação sexual, é uma caixinha boa para quem quer ter o direito de não se definir no começo da vida sexual. "Essa mãe precisa ter paciência para não querer definir aquilo que nem a filha ainda tem condições de definir e ajudá-la a se construir", diz Ana.

A caminho é acompanhar a filha, ouvi-la e permitir que ela faça suas reflexões. Ela quer cortar o cabelo? Ajude-a a fazer e deixe-a perceber como ela se sente. Ela quer usar roupas mais largas? Favoreça essa experiência. "A menina precisa perceber como ela se sente nessas suas manifestações físicas e identitárias", diz. "Conviver com a dúvida é muito angustiante, mas é preciso ter calma: essa é uma fase complexa e de muitas descobertas e ela precisa de tempo", diz Ana


Modinha x definição

Os adultos também precisam a ajudar os adolescentes a refletir sobre o que, de fato, faz parte do seu desejo e o que parte da pressão de grupo. "Os pais devem explicar que as pessoas podem ter outras expressões de gênero, mas que isso não obriga ninguém a ser assim para ser inclusa, ser moderna", diz.

Ana explica que não é possível cravar uma idade exata para essa definição sobre a orientação sexual, mas se espera que ela ocorra até o final da adolescência, por volta dos 18 anos. E é importante a família entender e acolher esse período de experimentações e indefinições, caso contrário, o adolescente pode incorporar a ideia de estar errado. "E se ele tiver uma identidade não binaria, poderá retardar o processo de descoberta, tentando se enquadrar por medo de não se amado. Isso certamente vai gerar uma série de implicações emocionais no futuro."

Para saber mais

Filmes: "Me chame pelo seu nome" (Netflix); "Hoje eu quero voltar sozinho" (Netflix); "As melhores coisas do mundo", Lais Bodansk; "As vantagens de ser invisível" (Netflix)

Séries: "Sabrina" (Netlix), Sex Education (Netflix)

Acompanhe o Sexoterapia

Adolescência é o tema do segundo episódio da sexta temporada do podcast Sexoterapia, que vai falar sobre a sexualidade nas diferentes fases da vida.

Nesse episódio, as apresentadoras Marina Bessa, jornalista, e Ana Canosa, sexóloga, recebem a jornalista Cris Guterres.

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição de áudio. Você pode ouvir Sexoterapia, por exemplo, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e Youtube —neste último, também em vídeo.

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