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A sexóloga Ana Canosa e a jornalista Marina Bessa conduzem o papo sobre sexo e relacionamento.


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Sexoterapia #32: "Sei que sou bonita e gostosa. E a minha vida sexual vai muito bem!"

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02/10/2020 04h00

Quem acompanha as postagens sobre empoderamento feitas pela influenciadora digital Bia Gremion, 23, no Instagram, não imagina o árduo caminho que ela percorreu para conquistar toda essa autoconfiança. Desde criança, a hoje modelo plus size sempre teve um corpo considerado fora do padrão. Por ser gorda, ela sofreu todo tipo de bullying vindo de colegas, familiares e desconhecidos. "Eu nunca experienciei outra realidade que não fosse ser uma pessoa gorda. E quando se é uma pessoa gorda, você sabe que os outros te tratam diferente", afirmou ao podcast Sexoterapia (escute o relato completo no vídeo acima).

Bia conta que cresceu com a sensação de não pertencimento, de sempre achar que tinha alguma coisa errada com seu corpo, que ele precisava ser consertado, adequado. "A pessoa gorda sempre está em xeque, tem que se provar no tempo todo, e isso se reflete em todas as áreas da nossa vida, causa muita insegurança, principalmente na construção dos relacionamentos", diz. A modelo atribui a essas dificuldades, inclusive, a demora em descobrir a sua sexualidade.

Como a maioria das adolescentes, Bia tentou se relacionar com homens na nessa fase, mesmo sem sentir muita atração por eles, e tendo o seu corpo como alvo de desprezo masculino. A pressão vinha da própria família, que repetia que se ela não emagrecesse, nunca conseguiria ter um namorado, nem se casar. "Eu me forçava a querer ter uma relação heterossexual, pois se tudo o que as mulheres queriam era ter um homem ao lado delas, validando-as, essa poderia também ser a solução dos meus problemas", lembra. Foram muitas decepções até perceber que o caminho não era esse.

Descoberta e empoderamento

O processo de empoderamento sobre o seu corpo e a sua sexualidade começou aos 16 anos, quando descobriu o feminismo. Mas percebeu que a maioria das discussões sobre o corpo no movimento feminista envolvia assédio e desejo, coisas que não aconteciam com ela. Quando entendeu que não era heterossexual, foi procurar identificação com as suas questões corporais no movimento LGBT, mas também não encontrou esse acolhimento. Bia conta que também foi desprezada pelas mulheres lésbicas com as quais se relacionou na época, preferiam as magras.

A descoberta dos movimentos body positive e corpo livre foi a principal chave para a virada de Bia. "Percebi então, que, antes de qualquer outra questão, a minha questão era ter um corpo gordo. Isso definia todo o resto", conta. Agora, empoderada, ela diz que entende o lugar que ocupa socialmente, vê beleza em suas características e acha que um corpo gordo vale tanto quanto um corpo magro. "Quando você se empodera, você tira o poder da mão da outra pessoa de te fazer sentir bem ou mal. Você enxerga o seu valor. Sei que sou bonita, gostosa e inteligente. E a minha vida sexual vai muito bem!"

Para saber mais

Séries: My Mad Fat Diary (Youtube); Por que meu corpo te incomoda? (Universa/UOL)

Instagram: @Biagremion; @maggnificas

Site: GG.Rie

Livros: O Mito da Beleza (Naomi Wolf, Rosa dos Tempos); Her Body Can (Katie Crenshaw e Ady Meschke); Fome (Roxane Gay, Globo Livros)

Podcast: Gordacast

Acompanhe o Sexoterapia

Corpo e autoestima é o tema do 32º episódio do podcast Sexoterapia, que em sua quarta temporada vai mergulhar na história de uma única personagem.

Sexoterapia vai ao ar às sextas-feiras e está disponível no UOL, no Youtube de Universa e nas plataformas de podcasts, como Spotify, Apple Podcasts, no Castbox e Google Podcasts. A quarta temporada tem oito episódios.

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