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Jovem de 17 anos é assediada por motorista da Uber no RS

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

18/02/2020 00h04

Uma jovem de 17 anos solicitou uma viagem através de um aplicativo no início da tarde de ontem para visitar uma amiga na cidade de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. No entanto, a adolescente se deparou com uma situação revoltante durante o trajeto, que durou menos de 10 minutos.

O motorista que realizou a corrida passou a tecer comentários invasivos para a menina. Ao perceber que estava sendo vítima de assédio, a jovem começou a gravar o diálogo. Com a câmera virada para o próprio rosto, ela registrou a conversa.

"Você não acha problema a idade? É que eu sou menor de idade, né?", questiona a jovem.

"Não é problema igual, ora. Seria problema se tu tivesse 13 anos. E eu acho que tu não tem 13 anos", respondeu o motorista, que acrescentou:

"Que aí tu seria uma menor incapaz. De 14 anos para cima tu já é responsável."

Após tentar manipular a jovem, fazendo menção à idade de consentimento sexual perante a lei, que é acima de 14 anos, o motorista segue insistindo no tema.

"Eu namoraria contigo, se tu não tivesse namorado", declarou o suspeito.

"É... Mas acho que tu tem idade para ser meu pai", rebateu a garota.

"Não sou teu pai, nada", argumenta o motorista, que ainda afirma que "faria coisas que teu pai não faria".

A jovem, então, encerra o diálogo com o motorista, que tenta desconversar.

"Eu não tenho interesse, obrigada."

"Tô só brincando, eu não to dizendo que você deveria ter interesse", finaliza o motorista.

Depois de gravar o vídeo, a jovem usou seu perfil em uma rede social para compartilhar o caso de assédio. Os vídeos rapidamente viralizaram e causaram revolta entre os internautas que acompanharam o caso.

Em conversa com a reportagem do UOL, a mãe da adolescente, que pediu para não se identificar, demonstrou profundo incômodo com o ocorrido.

"O primeiro sentimento é asco. Nojo dele, completamente", resumiu a mulher, que completou:

"Me senti impotente. Ultrajada. Nós estávamos pagando, nós pagamos pelo serviço."

Na tarde de hoje, mãe e filha foram até a delegacia da mulher de Viamão e registraram ocorrência.

Em nota, a Uber disse que repudia qualquer ato de violência contra mulheres e informou que a conta do motorista foi banida da plataforma assim que a denúncia foi feita. Segundo a mãe da vítima, a Uber não entrou em contato com elas.

"Isso também é errado. Eles têm que fazer alguma coisa. O que foi feito? O que vai ser feito? Como vão evitar (novos casos)?", questionou.

De acordo com a mãe, tanto ela quanto a filha são usuárias frequentes do aplicativo, e ela ressalta que sempre preferiu que a jovem usasse o transporte individual por ser mais seguro do que ônibus, por exemplo.

E como a menina explicou para a própria mãe a decisão de postar nas redes sociais? Segundo a mulher, a filha defendeu sua decisão:

"Fiz porque eu fiquei indignada e isso não se faz. Ele não me tratou com respeito, mesmo eu dizendo que não queria", teria declarado a jovem.

A mulher disse que a atitude da filha foi corajosa: "Eu acho que é válido para outras meninas terem coragem de denunciar, como ela fez. Não se sentirem acuadas. Denunciar e falar. Botar a boca no trombone", concluiu.

Leia a nota da Uber na íntegra:

"A Uber considera inaceitável e repudia qualquer ato de violência contra mulheres. A empresa acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos dessa natureza às autoridades competentes. A conta do motorista parceiro foi banida assim que a denúncia foi feita.

A empresa defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro. Todas as viagens com a plataforma são registradas por GPS. Isso permite que em caso de incidentes nossa equipe especializada possa dar o suporte necessário, sabendo quem foi o motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado.

Como parte do processo de cadastramento para utilizar o aplicativo da Uber, todos os motoristas passam por uma checagem de antecedentes criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos pelo próprio motorista e com consentimento deste, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de apontamentos criminais, na forma da lei. A Uber também realiza rechecagens periódicas dos motoristas já aprovados pelo menos uma vez a cada 12 meses.

Desde 2018 a Uber tem um compromisso público para enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, materializado no investimento em projetos elaborados em parceria com entidades que são referência no assunto, que inclui campanhas contra o assédio e podcast para motoristas parceiros sobre violência contra a mulher, entre outras ações. Em novembro, a Uber anunciou um investimento de R$ 5 milhões para continuidade desse compromisso ao longo dos próximos anos."

Violência contra a mulher