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Direitos da mulher

Cidade francesa autoriza topless e uso do burquíni em piscinas públicas

Topless; piscina - curtoicurto/Getty Images/iStockphoto
Topless; piscina Imagem: curtoicurto/Getty Images/iStockphoto

17/05/2022 12h16

Após semanas de polêmica, a cidade de Grenoble, no sudeste da França, tomou uma decisão que incendeia o debate político na França: a autorização do uso do burquíni nas piscinas públicas. Já o topless, que também foi aprovado, passa sem problemas aos olhos da opinião pública.

Após semanas de polêmica, a cidade de Grenoble, no sudeste da França, tomou uma decisão que incendeia o debate político na França: a autorização do uso do burquíni nas piscinas públicas. Já o topless, que também foi aprovado, passa sem problemas aos olhos da opinião pública.

Em poucos dias, essa localidade de 158 mil habitantes aos pés dos Alpes, dirigida há oito anos pelo ecologista Eric Piolle, passou a atrair os olhares de toda a França. O motivo: a proposta do prefeito de que as mulheres pudessem frequentar as piscinas públicas do local "como desejassem".

Na segunda-feira (16), o conselho municipal, equivalente à Câmara Municipal, bateu o martelo autorizando tanto o topless quanto o uso do burquíni, um maiô que cobre o corpo inteiro e tem uma espécie de véu islâmico integrado, nas piscinas públicas. Após 2h30 de intensos debates, 29 vereadores votaram a favor, 27 contra e dois se abstiveram.

Nos últimos anos, o traje de banho utilizado por mulheres muçulmanas vem causando polêmica na França. Os prefeitos de algumas cidades litorâneas do país chegaram a proibir a vestimenta, em nome do respeito da laicidade.

Um combate feminista

O regulamento interno das piscinas públicas da cidade exigiam, até então, o uso de trajes de banho "decentes" e "uma atitude correta" por parte dos frequentadores. Algumas peças, no entanto, eram proibidas, por uma questão de higiene, como bermudas de praia. Com a decisão, o comprimento dos shorts masculinos também não será mais controlado.

Atacado por políticos conservadores, Eric Piolle evoca um "combate feminista", e lembra que a Constituição francesa autoriza o uso de roupas ou acessórios religiosos no espaço público. Atualmente além de Grenoble, apenas uma cidade francesa permite o uso do burquíni nas piscinas públicas: Rennes, no oeste da França, desde 2018.

No entanto, para a oposição, o burquíni é um símbolo da opressão feminina, imposto por extremistas às mulheres muçulmanas. O presidente da região Auvergne-Rhône-Alpes, Laurent Wauquiez, chegou a acusar o prefeito de Grenoble de "submissão ao islamismo".

Burquíni nas eleições legislativas

O uso do burquíni nas piscinas de Grenoble anima o debate político semanas antes das eleições legislativas de junho. Os dois campos políticos percebem na polêmica uma oportunidade de mobilizar os eleitores, com duelos virulentos e a divulgação de petições nas redes sociais.

Para Prisca Thévenot, uma das porta-vozes do grupo Renascimento, do presidente francês, Emmanuel Macron, o prefeito de Grenoble prejudica os valores republicanos com uma decisão "grave".

"Quando entramos em uma piscina municipal, todos os cidadãos devem respeitar as regras", defende. "Agora acabamos de contornar a regra para responder a uma vontade política religiosa", reitera.

No campo oposto, uma centena de personalidades francesas —entre elas célebres feministas— assinaram recentemente uma tribuna de apoio ao uso do burquíni. "As mulheres muçulmanas merecem ter espaço nas piscinas como todas as cidadãs (...) e ninguém deve ser estigmatizado devido à escolha de seu traje de banho", diz o texto.

O manifesto foi redigido pela Aliança Cidadã, fundada em 2012 em Grenoble e presente atualmente em outras cidades francesas. A associação também é defensora do coletivo de jogadoras de futebol "Les Hijabeuses", que reivindica o uso do véu islâmico nas partidas, o que é proibido pela Federação Francesa de Futebol.

Essa não é a primeira vez que o acessório usado pelas muçulmanas se torna o centro de um debate político. Nas últimas eleições francesas, a então candidata da extrema direita Marine Le Pen causou uma forte polêmica ao anunciar sua intenção de proibir o véu islâmico em todo o espaço público.

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