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"Se estuprar é uma arte, deem todos os Césars a Polanski", dizem feministas

Roman Polanski dirige Jean Dujardin em J"Accuse: O Oficial e o Espião - Divulgação/IMDb
Roman Polanski dirige Jean Dujardin em J'Accuse: O Oficial e o Espião Imagem: Divulgação/IMDb

Da RFI

12/02/2020 10h49

Em uma tribuna publicada hoje pelo jornal Le Parisien, feministas e organizações protestam contra as 12 indicações que recebeu o cineasta franco-polonês ao Oscar do cinema francês, que será realizado no dia 28 de fevereiro em Paris. O manifesto pede que os jurados da Academia do César votem contra o filme "J'accuse", que concorre a 12 prêmios.

"Doze indicações ao César pelo filme 'J'accuse', de Roman Polanski. Doze, como o número de mulheres que o acusam de estupros", afirma a tribuna. As militantes prometem marcar presença durante a cerimônia de entrega dos prêmios "para dizer não à celebração de um estuprador pedocriminal que silencia as vítimas".

O texto afirma que com as 12 indicações "o mundo do cinema concedeu um apoio forte e incondicional a um estuprador em fuga, que reconheceu ter drogado e estuprado uma menina de 13 anos e fugiu da justiça americana". "Dois anos após o #MeeToo, enquanto que nos Estados Unidos Harvey Weinstein corre o risco de ser condenado à prisão perpétua, na França aclamamos e celebramos um estuprador pedocriminal em fuga", reitera.

As feministas também respondem ao presidente da Academia dos Césars, Alain Terzian, que afirmou recentemente que a instituição não faz julgamentos morais. "Trata-se de justiça, não de moral", sublinha a carta. "Recusar um posicionamento e celebrar um agressor como Polanski é apoiar o sistema de impunidade das violências masculinas e ignorar a palavra das vítimas", reitera o manifesto.

A carta aberta também classifica a Academia dos Césars como "sexista", lembrando que neste ano há apenas uma mulher concorrente na categoria de melhor diretor e melhor filme. Atualmente "55% dos estudantes de cinema são do sexo feminino, mas apenas 6% de mulheres são recompensadas nos Césars", alegam as feministas.

O manifesto termina com um apelo à mobilização aos 4.313 profissionais do cinema que elegerão os vencedores do César de 2020. "Em 2018, vocês protestaram contra as violências masculinas. Em 2019, vocês apoiaram Adèle Haenel, sua coragem e sua verdade. Chega de hipocrisia. Em 2020, vocês têm a responsabilidade de se posicionar e recusar premiar um estuprador pedocriminal que se mostra como vítima", conclui.

Artistas também protestam contra Academia dos Césars

Além do protesto das feministas, a Academia dos Césars também é alvo de uma manifestação de artistas. Na terça-feira (11), o jornal Le Monde publicou uma carta aberta, assinada por 200 personalidades - entre elas a atriz Léa Seydoux e o ator Omar Sy.

No documento, eles denunciam um sistema de seleção elitista e conservador, destacando que a instituição se tornou "uma estrutura onde a maioria dos membros da Academia não está de acordo com as escolhas feitas e que não refletem a vitalidade do cinema francês atual".

Em resposta, a Academia dos Césars anunciou que pediu ao presidente do Centro Nacional do Cinema francês a nomeação de um mediador encarregado de uma "reforma profunda" na instituição, que deve começar após a cerimônia de 28 de fevereiro. Entre as futuras medidas, estão a modernização e renovação da Academia, além da aplicação da paridade entre os membros e os eleitores da instituição.

Violência contra a mulher