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França: católicos protestam contra lei da reprodução assistida para mulheres homossexuais

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Imagem: iStock

19/01/2020 15h23

Uma grande manifestação organizada por católicos conservadores reuniu neste domingo (19), em Paris, 26.000 opositores ao direito à reprodução assistida por mulheres homossexuais ou solteiras. Em outro protesto, ecologistas e intelectuais também criticam o novo projeto de bioética, que será analisado a partir de terça-feira (21) pelo Senado francês.

A marcha "Crianças à Frente" foi convocada por um coletivo de 22 associações católicas, incluindo o grupo "La Manif pour Tous", que liderou os protestos contra a legalização do casamento gay em 2012. Os conservadores não admitem as novas formas de organização familiar, formadas por casais homoafetivos. Eles consideram a presença do pai essencial para uma suposta boa educação das crianças.

Na convocação para a manifestação, eles criticaram o projeto de lei que prevê duas mães no registro civil, por exemplo. Entre a ponte de Alma, à margem do rio Sena, até a praça da Ópera, ponto final do cortejo, os participantes entoaram o slogan "Liberdade, igualdade, paternidade".

"Comércio de embriões"

Para os tradicionalistas franceses, estender o direito à reprodução assistida para casais de lésbicas é uma etapa anterior à legalização das barrigas de aluguel, apesar de o governo francês ter dado garantias de que essa prática continuará proibida. Eles também condenam o que chamam de "comércio de embriões", uma vez que a nova legislação pretende autorizar a abertura de bancos de embriões privados, com fins lucrativos, para atender ao esperado aumento da demanda de mulheres para fertilizações in vitro.

Por razões distintas, personalidades de esquerda, como o ex-deputado José Bové, um histórico ativista contra os transgênicos na agricultura, assinaram um manifesto contra vários artigos da nova lei de bioética, principalmente os que se referem à manipulação genética de embriões.

O texto prevê uma série de medidas reclamadas por pesquisadores, como a permissão para o desenvolvimento do chamado "bebê medicamento". De acordo com essa técnica, durante a fecundação in vitro, os médicos podem manipular um embrião para que ele possa curar um de seus irmãos portador de uma doença genética grave. O tecido sanguíneo do cordão umbilical do "bebê medicamento", conservado após o parto, poderá ser utilizado para um transplante no irmão mais velho.

As personalidades de esquerda contrárias ao projeto se insurgem contra "uma humanidade geneticamente manipulada", entre outros aspectos que consideram nocivos à sociedade.

Os senadores que participaram da revisão do texto, aprovado em primeira instância na Assembleia Nacional, em outubro passado, garantem que o objetivo da manipulação dos embriões nos diagnósticos pré-implantatórios não é destinado à "seleção de pessoas" saudáveis (eugenia). O processo visa apenas detectar anomalias cromossômicas não compatíveis com o desenvolvimento embrionário na perspectiva de uma fertilização in vitro. O texto também levanta as barreiras ainda existentes para o desenvolvimento das pesquisas com células-tronco.