PUBLICIDADE

Topo

Direitos da mulher

Talibã descumpre promessas sobre direitos das mulheres, diz ONU

Combatentes do Talibã montam guarda dentro do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, depois que os EUA retiraram todas as suas tropas do país. - WAKIL KOHSAR / AFP
Combatentes do Talibã montam guarda dentro do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, depois que os EUA retiraram todas as suas tropas do país. Imagem: WAKIL KOHSAR / AFP

13/09/2021 18h43

O Talibã tem descumprido promessas públicas sobre direitos no Afeganistão, o que inclui ordenar que as mulheres fiquem em casa, impedir que meninas frequentem escolas e procurar antigos inimigos de casa em casa, disse uma autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que o Afeganistão está em uma "fase nova e perigosa" desde que o grupo militante islâmico tomou o poder no mês passado, e muitas mulheres e membros de comunidades étnicas e religiosas estão profundamente preocupados.

"Contradizendo as garantias de que o Talibã manteria os direitos das mulheres, nas últimas três semanas, ao invés disso, mulheres foram progressivamente excluídas da esfera pública", disse ela ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra.

Bachelet expressou desalento com a composição do governo do Talibã, sublinhando a ausência de mulheres e o predomínio da etnia pashtun, do grupo.

Em alguns locais, meninas de mais de 12 anos foram barradas em escolas e mulheres foram instruídas a ficar em casa, disse ela — reminiscências do governo opressivo mantido pelo Talibã entre 1996 e 2001, antes de uma invasão liderada pelos Estados Unidos que depôs o grupo.

Bachelet destacou outras promessas descumpridas sobre a concessão de anistia a ex-servidores civis e seguranças ligados ao antigo governo e a proibição a buscas de casa em casa.

A ONU já registrou diversas alegações de buscas por aqueles que trabalharam com empresas e forças de segurança dos EUA, e alguns funcionários da ONU relatam ameaças e ataques crescentes, disse ela.

(Por Emma Farge)

Direitos da mulher