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Estilistas do SPFW penam para ser "ecologicamente corretos"

Lino Villaventura acredita que a onda do "politicamente correto" ainda é algo elitizado demais - Alexandre Schneider/UOL
Lino Villaventura acredita que a onda do "politicamente correto" ainda é algo elitizado demais
Imagem: Alexandre Schneider/UOL

18/06/2007 11h45

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - O São Paulo Fashion Week, pela segunda vez seguida, decidiu engajar-se no grande debate mundial sobre meio ambiente e faz campanha pela proteção do planeta. Para não destoar, estilistas tentam se enquadrar, mas mostram dificuldades em economizar papel, água e energia no processo de criação e produção da moda.

"Hoje em dia, o politicamente correto ainda é caro e isso às vezes é um problema", disse Fause Haten, que abriu a temporada de desfiles na semana passada. "Mas uma semente está plantada e pelo menos já existe um pensamento."

Haten, que diz ter implicância com as sacolas de plástico, afirmou que todos os tricôs de sua grife são tingidos com tintas naturais. Mas ele sabe que pode fazer mais pela sustentabilidade de seus negócios. "Acho que dá para fazer muito mais, vamos descobrindo aos poucos."

Nesta edição do SPFW, o evento terá que plantar 2 mil árvores a menos do que a edição passada, em janeiro, para neutralizar as emissões de dióxido de carbono durante seus 48 desfiles. A iniciativa surgiu para incentivar a sustentabilidade da indústria de moda, além de agregar valor às roupas em um mundo cada vez mais preocupado com o meio ambiente.

A redução para 3 mil árvores foi possível devido à estratégia de reaproveitar o cenário, feito de papelão.

Reaproveitar é o que pretende o estilista André Lima, algum dia. "Hoje a gente doa para uma instituição os restos de tecido, mas a idéia é usá-los para transformar em outros produtos", disse Lima.

Quanto à campanha pelo uso consciente da água, tema desta edição do SPFW, Lima confessa que, no cenário pessoal, está longe do ideal. "Tomo banho de horas, tenho que parar", disse.

Adepto das fribras naturais, Igor de Barros, um dos jovens talentos da semana da moda, diz que adota uma postura consciente tanto no trabalho como em casa, embora reclame que as coletas de reciclagem estejam longe de ser práticas.

"Muita gente não sabe, mas roupa é um poluente, como os tecidos sintéticos. Por isso eu só consumo fibras naturais", afirmou Barros, coordenador de criação da V.Rom. "Só consumo também jeans que eu faço porque sei que trabalhamos com lavanderias honestas, que não poluem."

Lino Villaventura é outro estilista do SPFW que se preocupa com os tecidos que usa, mas critica a onda do "politicamente correto" e o alto custo na hora de pôr essas medidas em prática.

"Ainda é uma coisa elitizada demais. Vou dizer para meus funcionários que eles não podem usar papel que utilize carbono?", questionou Villaventura, cuja fábrica economiza papel "há séculos", desde que sua ex-mulher rebobinava rolo de máquina de calcular para usar o avesso do papel.

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