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'Bato na minha filha': atitude de Iran Malfitano de A Fazenda gera traumas

Iran Malfitano disse em "A Fazenda" que bate na filha  - Reprodução/Instagram
Iran Malfitano disse em 'A Fazenda' que bate na filha Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa, em São Paulo

07/10/2022 16h21

Iran Malfitano causou polêmica ao falar sobre a educação da filha em "A Fazenda". O ator afirmou, durante uma briga, que bate na filha e que é ele quem manda em sua família, em uma conversa com a participante Pétala, que discordou das atitudes.

"Eu bato na minha filha. Não bata no seu. Eu já tive essa discussão com outros amigos. Na minha família mando eu", declarou, batendo no peito. A conversa começou porque ele não concordava com o comportamento de outro participante do reality. "Se fosse minha filha estava tomando um tapa". O ator é pai de Laura, 11 anos.

Para Nanda Perim, psicóloga especializada em inteligência parental, e defensora da educação democrática, esse comportamento não é benéfico para o desenvolvimento da criança e, além de traumas, pode ter impacto na maneira como ela se portará quando adulta.

"Nem sempre a pior consequência é o trauma. Quem faz isso diz que a palmada é leve, para dar um susto. Mas isso se carrega para a vida, e pode dar origem a um adulto com medo de se expor, que sempre enxerga ameaças em seus relacionamentos, que sente que precisa se defender o tempo todo", diz Nanda. Essa criança pode ter tanto uma personalidade explosiva ou ser mais reprimida por conta do medo.

"Nosso cérebro é uma máquina de detectar perigo e entra em modo de sobrevivência quando precisa. A pessoa sequer percebe que esse comportamento é uma consequência da violência que sofreu em casa. E não se trata de uma criança que foi espancada, mas que levou palmadas", explica Nanda.

'Bater não educa'

Se bater causa medo, tudo o que a criança aprende quando é educada dessa forma é que ela não pode errar para não apanhar. Pelo medo, ela não desenvolve capacidades cognitivas para aprender a lidar com os problemas da vida.

"Bater não educa. A criança precisa aprender habilidades emocionais da vida, conhecer as regras sociais, a si mesmo, controlar seus impulsos e emoções. E isso dependerá do desenvolvimento cognitivo neurológico, que progride com mais intensidade até os 12 anos de idade", diz.

Segundo a especialista, a criança não aprende porque ao sentir medo de errar não desenvolve essas outras funções.

"Eu defendo a educação democrática, que é conversada. Claro que sou o adulto e vou explicar coisas que a criança não sabe e tomar decisões sobre questões que ela ainda não entende. Mas isso ajuda na compreensão do desenvolvimento dessa criança, porque ela vai crescer com poder de decisão", diz Nanda. Até mesmo quando discordar dos pais, saberá fazer com educação, explica.

É crime?

Pela legislação brasileira, é crime bater na criança, seja como forma de correção ou não.

"O uso de violência contra criança ou adolescente, seja como meio de 'correção' ou não, é proibido pela legislação brasileira. O Estatuto da Criança e do Adolescente esclarece que eles têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto", diz Amanda Bessoni Boudoux Salgado, doutora em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e advogada criminalista do escritório Alamiro Velludo Salvador Netto Advogados.

Dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o castigo físico é chamado "Lei da Palmada" desde que foi criada, em 2014. Amanda explica que a definição é "ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente que resulte em sofrimento físico ou lesão".

"No Código Penal, há a previsão de crimes como lesão corporal e maus-tratos, este último quando se expõe a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, inclusive com abuso de meios de correção ou disciplina. Esse crime é punido com detenção de dois meses a um ano ou multa. Se resultar lesão corporal grave, a pena aumenta para reclusão de um a quatro anos. Ainda, em caso de morte, a pena é de reclusão de quatro a 12 anos", conclui a advogada.