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Preta Rara: 'Meu cabelo cresce em direção a minha autoestima, para cima'

Marcela Cartolano

Colaboração para Universa, em São Paulo

05/08/2022 04h00Atualizada em 05/08/2022 16h23

Quem se identifica com a autenticidade de Preta Rara encontra também motivos para se inspirar em sua beleza, autoestima e autoconfiança, temas que para ela foram se transformando ao longo dos anos e hoje são essenciais para ocupar seu lugar no mundo. "Meu cabelo faz parte da minha identidade. Além disso, gosto de provocar reflexões quando as pessoas olham e questionam por que coloquei batom cinza, azul ou verde", diz.

Em entrevista ao programa "E Aí, Beleza?", apresentado pela maquiadora e colunista de Universa Fabi Gomes, a artista, ativista e escritora Joyce Fernandes, de 37 anos, falou sobre como a relação com o corpo e o cabelo mudou ao longo dos anos, conforme foi se reconhecendo, se aceitando e se posicionando. "Sempre falo que meu cabelo crespo é para cima porque ele cresce em direção a minha autoestima, para sempre lembrar que sou rainha e que tenho um papel importante na sociedade. Por mais que parte dela queira me esconder, eu existo", afirma.

Preta relembrou a importância de sua mãe na formação de sua identidade. "Eu tinha muitas amigas brancas na escola de cabelo liso e todo mundo elogiava. E o meu era 'cabelo duro, de bombril, de bucha'. Tive a sorte de ter uma família presente e que me apoiava. Toda vez que eu chegava chorando, minha mãe ia lá e pegava o vinil da Alcione toda bonitona de turbante. Ela me dizia: 'Essa moça aqui passou pelas mesmas condições que você passou. Olha como ela é bonita, olha a unha dela, o cabelo dela. Você também pode ser ela'."

Preta Rara na 6ª Temporada do programa E aí, beleza? - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
Preta Rara
Imagem: Mariana Pekin/UOL

Na infância, ela conta, o tamanho do nariz a fazia alvo de comentários racistas e, quando jovem as questões atreladas ao corpo apareciam. "Pensava: 'Eu sou gorda, logo, não posso ser bonita porque sou gorda. Tenho os lábios grossos, então, não vou passar um batom vermelho porque vai aumentar ainda mais. Hoje, eu quero é ser vista, porque fiquei muito tempo invisível nessa sociedade. Cansei de ficar invisível", destaca.

Dona de um estilo único e expressivo, em que diz 'usar e abusar das cores' nas roupas e acessórios, a escritora deixa claro sua visão sobre a beleza. "Beleza, para mim, não está tão atrelada a você estar sempre montada. Eu amo uma montação e maquiagem. Amo batom e não saio sem cílios [postiços]. Mas a beleza, para mim, transcende. Ela está além do que a pessoa consegue ver. Beleza é você falar bom dia para o porteiro, conversar com as profissionais de limpeza ao invés de tornar essas pessoas invisíveis."