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Brasileira no Miss Mundo Cadeirante: 'Podemos ser quem quisermos'

Ana Paula de Oliveira, brasileira que vai para o Miss Mundo cadeirante - Arquivo pessoal
Ana Paula de Oliveira, brasileira que vai para o Miss Mundo cadeirante Imagem: Arquivo pessoal

Ed Rodrigues

Colaboração para Universa

24/06/2022 04h00

Ana Paula de Oliveira, 42, ficou paraplégica aos 17 anos, em 1997, após tomar um tiro ao reagir a uma tentativa de estupro. Na hora, caída no chão, ela chegou a pensar que havia quebrado a perna. A adrenalina do momento fez com que ela não sentisse dor. "Só tive a certeza de que ficaria paraplégica alguns meses depois, em um corredor de um ambulatório, quando um médico me disse: 'Você sabe que nunca mais vai voltar a andar, não é?'. Foi a primeira vez que alguém me falou do problema objetivamente", contou.

Mas sua história vai muito além do incidente. Embora tenha os movimentos comprometidos, nunca se privou de realizar seus sonhos. Já fez cosplay da princesa Ariel e de pin-up, já fez rapel adaptado, vai a shows e festas, fez faculdade e se formou em Relações Internacionais. "Sempre me desafio. Dirijo e moro sozinha. Vou lá na teimosia e faço o que eu me proponho. Quero que mais gente possa me olhar e dizer: 'Eu também posso'", destacou. A coragem, agora, vai levá-la ao México: Ana é a única brasileira selecionada para o concurso Miss Mundo Cadeirante 2022, que será realizado no país em outubro.

A Universa, ela conta que soube do concurso por uma amiga, que compartilhou o evento em suas redes sociais. "Minha amiga falou: 'Por que você não se inscreve? Tem tudo a ver com as coisas que você fala'. E tentei, mas sem achar que tinha chance. Fiz vídeos, fotos, pediram produção com roupa de gala, entre outras coisas. A gente fez sem a pretensão. Já tenho uma certa idade e não imaginei que seria escolhida", disse.

O concurso é promovido por uma ONG polonesa. Ana conta que a produção oferece a hospedagem e alimentação para a participante e uma acompanhante. No entanto, as passagens até o México não estão inclusas nesse pacote. Por isso, ela criou uma vaquinha virtual para pedir ajuda com os gastos do traslado. "Estou recebendo muito carinho. Infelizmente não consegui parceria com nenhuma empresa para custear as passagens. E preciso levar uma assistente para me ajudar nas trocas de roupa. Convidei uma amiga, que já até programou as férias dela para ir comigo", explicou.

No México, serão oito dias com várias provas, entrevistas e fotos. É a etapa final do concurso. Mas para chegar até lá, primeiro passou pela inscrição, que foi online, com todas as regras, dias dos eventos, e informações sobre o processo de seleção.

Foi preciso mandar um vídeo explicando o porquê de querer ser candidata à Miss Mundo Cadeirante. Para ela, o evento não se limita a uma competição de beleza.

"Meu objetivo é levar a mensagem de que nós, mulheres, podemos ser tudo o que quisermos. Nunca na minha vida imaginaria que um dia poderia ser miss e falar com tantas pessoas. Espero que mais mulheres comecem a se olhar com carinho e afeto e a repensar essa sociedade. A gente tem nossa beleza, todos temos, e eu tenho certeza de que somos mais do que só a aparência." - Ana Paula Oliveira, única brasileira selecionada no Miss Mundo Cadeirante.

De Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, ela agora vai para representar o Brasil, o que diz ser "uma sensação única". "É uma mistura de medo, ansiedade e felicidade. E o senso de responsabilidade de estar representando meu país", disse.

Críticas por participar de concurso de miss

Após a revelação de sua classificação, Ana recebeu comentários negativos em grupos de WhatsApp, principalmente de outras mulheres com deficiência. Ela conta que os comentários foram desagradáveis, mas que tem em mente que o mais importante é gostar de quem se é.

"Sou uma mulher branca, paraplégica, gorda para os padrões sociais, meu cabelo é pintado de vermelho e tenho e diversas tatuagens. Eu me acho uma mulher linda, mas não um padrão de miss", ressaltou. "Por isso minha surpresa ao ser chamada."

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