Topo

Elisama Santos: 'Tempo de relação deixou de simbolizar atestado de sucesso'

Lia Rizzo

Colaboração para Universa, de São Paulo

17/06/2022 04h00

As dinâmicas das relações vêm mudando. Casamentos duram menos, a monogamia passou a ser cada vez mais questionada e, pasmem, jovens têm se interessado menos por sexo.

Essas e outras questões foram debatidas durante a conversa "Líquidos, instáveis e de curta duração", mediada por Camila Brandalise, editora-assistente de Universa, e com participação da psicanalista e escritora Elisama Santos, do podcast "Vai Passar" e Cris Bartis, co-fundadora do podcast "Mamilos" e sócia da B9 Company.

Painel foi mediado por Camila Brandalise, editora de Universa  - UOL/Mariana Pekin - UOL/Mariana Pekin
Painel foi mediado por Camila Brandalise, editora-assistente de Universa
Imagem: UOL/Mariana Pekin

Há cerca de um ano, a Universidade de Rutgers, instituição norte-americana, divulgou os resultados de uma pesquisa realizada com americanos de 18 a 23 anos: eles estavam fazendo 14% menos sexo casual. Já sobre relacionamentos abertos e a monogamia colocada em xeque, no Brasil as pesquisas sobre "o que é um relacionamento aberto" aumentaram 70% conforme um site de buscas na internet.

Elisama Santos, psicanalista e escritora, no Universa Talks 2022 - Mariana Pekin/ UOL - Mariana Pekin/ UOL
Elisama Santos, psicanalista e escritora, durante o Universa Talks 2022
Imagem: Mariana Pekin/ UOL

Para Elisama Santos, a revisão de conceitos sobre o como funcionam ou deveriam funcionar os relacionamentos vêm sendo revistos de forma geral. "Ficar anos casada não quer dizer ficar anos juntos", pontuou. "São coisas muito diferentes, o tempo de relação já não simboliza um atestado de sucesso", explicou a psicanalista.

Expectativas equivocadas

Cris Bartis, cofundadora do Mamilos e sócia do B9 Company, no Universa Talks 2022 - Mariana Pekin/ UOL - Mariana Pekin/ UOL
Cris Bartis, cofundadora do Mamilos e sócia do B9 Company, no Universa Talks 2022
Imagem: Mariana Pekin/ UOL

Já Cris Bartis lembrou que, mesmo os combinados não monogâmicos demandam acordos. A partir de um questionamento de uma mulher casada que se aventurava em relações extraconjugais, Cris ponderou que mesmo quando a ideia é ter um casamento aberto, é preciso estabelecer acordos. "Poliamor é diferente de bagunça. E essa percepção é, aliás, algo que essas pessoas detestam", afirmou a fundadora do Mamilos.

Ao falar sobre responsabilidade afetiva - outra questão da moda no campo das relações - Elisama disse que alguns termos são usados equivocadamente associados sempre ao amor.

'Precisamos pensar nos compromissos que temos com o outro, com os seres humanos. É educado se marquei com você, desmarcar se não for. É uma responsabilidade afetiva", ilustrou.

"Há responsabilidade em cumprir os acordos e de avisar se o acordo não faz mais sentido para mim. Mas não podemos carregar a responsabilidade de fazer o outro feliz".

Universa Talks 2022 Reecontros: veja como foi o evento