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Raquel Virgínia: 'Empreendedoras LGBTQIAP+ trazem inovação para o mercado'

Colaboração para Universa

14/06/2022 15h58

Raquel Virgínia, mulher trans cofundadora da banda As Baías e a Cozinha Mineira e CEO da Nhaí, foi uma das participantes do segundo painel do Universa Talks 2022, "Que horas elas voltam?", ao lado de Tijana Jankovic, CEO do Rappi Brasil, e Helen Andrade, Head de Diversidade e Inclusão da Nestlé. Entusiasta do empreendedorismo, Raquel afirmou que as mulheres LGBTQIAP+ trazem inovação para o mercado.

Segundo ela, esse é o papel do Conta Aí, evento criado pela Nhaí que reúne informações de empreendedoras. "Essa é a ideia do Conta Aí, daqui a alguns anos se tornar de fato um encontro que o mundo inteiro vai esperar porque vamos propor ao mundo inteiro inovação, isso é diversidade. As mulheres LGBTQIAP+, as mulheres negras, PCDs, é isso que a gente pode propor, a gente pode propor muita inovação", disse.

Ela afirma que decidiu criar o Conta Aí após começar a participar de eventos de empreendedores e encontrar com muitos homens. Foi então que ela decidiu procurar pessoas empreendedoras como ela.

"Eu sabia que elas existiam. Hoje, temos um banco de dados com mais de 600 empreendedores LGBTQIAP+ pelo Brasil. Óbvio, existem vários modelos de negócios nisso, algumas pessoas estão mais maduras nesses modelos, outras estão caminhando para o fortalecimento disso, mas o mais importante foi a gente conseguir criar um ambiente onde essas pessoas se encontrassem para que a gente possa começar a compreender que também somos corporativos, que aquelas pessoas também têm projetos do corporativo mesmo", explica.

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Tijana Jankovic, CEO do Rappi Brasil, Helen Andrade, Head de Diversidade e Inclusão da Nestlé, e a artista e empreendedora Raquel Virgínia conversam com a editora-chefe de Universa Débora Miranda no Universa Talks 2022
Imagem: Mariana Pekin/ UOL

Com a análise, a empresa conseguiu descobrir que a maioria das pessoas LGBTs decidem empreender no e-commerce, um ambiente onde se sentem mais confortáveis para colocar os negócios em prática.

Desafios das mulheres no mercado de trabalho

Raquel também falou sobre as dificuldades das mulheres em empreender. Segundo ela, as dificuldades superam as dos homens já que, além dos desafios iniciais, há ainda a necessidade de se fazer um recorte para compreender como desenvolver maneiras de se lidar com estigmas que ainda existem no Brasil

"Quando você faz o recorte LGBTQIAP+, e dentro desse recorte traz as questões de mulheres que são LGBTs e, ao mesmo tempo, PCDs, ou PCDs e negras, por exemplo, as dificuldades são outras porque você precisa, além de ter a estratégia do empreendedorismo, incluir no seu plano de negócios como lidar com uma série de estigmas que tem no Brasil", afirma.

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Débora Miranda, Helen Andrade e Raquel Virgínia no Universa Talks 2022
Imagem: Mariana Pekin/ UOL

"Esse agrupamento que estamos fazendo em nossos encontros nos preserva em torno de um ecossistema que estamos criando. Hoje tenho um mapa de empreendedores LGBTs na minha cabeça e consigo indicar pessoas. A gente consegue precificar, e, claro, a ideia é que daqui a 10 anos esse encontro tenha conseguido de fato construir uma comunidade que proponha tecnologia, inovação e traz propostas para o mercado do mesmo jeito que homens, brancos, cisgênero, fazem", complementa.

'Mulheres ainda têm medo de dizer que querem engravidar'

Durante o mesmo painel, as mulheres também debateram sobre maternidade e mercado de trabalho. Editora-chefe de Universa, Débora Miranda questionou a head de diversidade e inclusão da Nestlé, Helen Andrade, sobre como fazer a maternidade não pesar contra a mulher no mercado de trabalho.

"Essa pergunta, em 2022, significa que temos problemas sérios porque nós todos vivemos porque alguma mulher engravidou para estarmos aqui. É bem surreal falarmos sobre isso, mas precisamos falar e agir em relação a esse tema", disse ela.

Helen contou sobre um processo seletivo que realizou na Nestlé e que ilustra como as mulheres ainda sentem medo de contarem, durante uma entrevista de emprego, que estão grávidas ou pensam em engravidar.

"As mulheres têm muito medo, durante o processo seletivo, de dizer que querem engravidar ou que estão grávidas. Eu contratei há um tempo atrás uma menina no meu time que estava com seis meses de gestação. Mas ela me disse isso apenas durante o processo seletivo. Ela foi avançando, chegou entre as finalistas, era a melhor e eu dei indícios de que ela seria contratada. Aí na entrevista ela disse: 'Helen, preciso te contar uma coisa, eu tenho um problema, estou grávida de seis meses'", contou.

Segundo a head da Nestlé, possivelmente a mulher não contou antes porque acreditava que esse poderia ser um motivo para que não avançasse no processo.

"Eu falei: 'parabéns pela sua gravidez'. Ela foi a pessoa selecionada, o RH entrou em contato, enviou a carta oferta. A carreira não se faz em seis meses de licença maternidade, isso é um período e ela vai voltar, precisamos naturalizar isso", afirmou.

Ela ainda destacou o papel das grandes empresas para que esse tipo de processo seja cada vez mais comum.

"As grandes empresas não são onde têm o maior número de empregos no Brasil, são nas microempresas, no empreendedorismo. Mas as grandes empresas têm um poder importante de influenciar a sociedade através de seu posicionamento, sua marca, as ações internas, conseguem influenciar porque têm uma visibilidade alta no Brasil e no mundo", finalizou.