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Frentista que bateu em assediador vai lutar MMA: '1ª disputa em agosto'

Golpes de Marian chegaram até o conhecimento do criador do Jungle Fight, Wallid Ismail - arquivo pessoal
Golpes de Marian chegaram até o conhecimento do criador do Jungle Fight, Wallid Ismail Imagem: arquivo pessoal

Franceli Stefani

colaboração para Universa, de Porto Alegre

26/05/2022 14h46

O vídeo em que uma frentista de Porto Alegre aparece respondendo com socos e pontapés a uma importunação sexual, provocada por um homem, viralizou. Os golpes da vítima, Marian Damásio Fontoura, 22 anos, chegaram ao conhecimento do criador do Jungle Fight, Wallid Ismail, que a convidou para ser lutadora de MMA, já com estreia marcada: agosto, no Rio de Janeiro.

Determinada a ser uma lutadora profissional, Marian garante que tem força e precisão, mas precisa lapidar as habilidades naturais e perder peso. "Meu marido está me apoiando, viveu tudo comigo e tenho a sorte de, agora, ele me incentivar. É uma caminhada, mas vou estar apta até o dia da luta", conta, em entrevista a Universa.

A gaúcha iniciou seu processo de treinamento na tarde desta terça-feira (24). "Como sempre gostei de luta, aceitei na hora. Não é fácil, mas estou muito entusiasmada e feliz com o convite. Vou dar o meu melhor", diz.

Para ela, que ainda não voltou ao trabalho, é uma porta importante que pode fazer toda família a mudar de vida. "Não é sempre que uma oportunidade como essa aparece. A empresa que eu trabalho me deu férias de 30 dias porque não consigo retornar ao serviço. Eles têm me dado todo o apoio, não sei ao certo se vou conseguir voltar. Vou me dedicar à luta".

Segundo o lutador e professor Wallid Ismail, Marian leva jeito. "Ela tem técnica e muita vontade, o que é importante para o lutador. E é um símbolo de resistência, da pessoa que quer vencer, já pensou se ela consegue avançar? Será um exemplo".

Busca por patrocínio

A frentista agora busca auxílio financeiro. "Buscamos patrocínio para ela seguir no sonho com exclusividade. Ela precisa de alguém que veja nela uma mulher guerreira, forte, porque não tenho duvida que ela é exemplo para outras. Isso porque o lugar da mulher é onde ela quiser", afirma Wallid.

Responsável por descobrir talentos femininos no MMA e por levar a luta da categoria feminina aos Estados Unidos, ele acompanha de perto o desenvolvimento da gaúcha. "Faço eventos mensais, a Marian precisa perder 30 quilos para subir ao ringue em agosto. Precisa focar e seguir treinando, por isso precisa de patrocínio", acrescenta.

Para Wallid, a jovem tem um promissor caminho pela frente. "Ela é o símbolo da resistência, da pessoa que quer vencer, que tem autoconfiança. Lutou com atitude e sagacidade contra um agressor, se defendeu. Ela pode fazer o que ela quiser, vou ajudar ela e vamos ver quem fará o mesmo", enaltece.

Relembre o caso

A vítima estava no horário de intervalo quando foi vítima de importunação sexual, na manhã do domingo, dia 15. Conforme registro policial, feito na terça-feira (17), Marian afirma ter sido vítima da agressão dentro da loja de conveniência do posto onde trabalha no bairro Lomba do Pinheiro, na capital gaúcha.

Imagens de uma câmera de monitoramento mostram o momento em que um homem passa a mão em seu corpo — segundo a frentista, na região da virilha. Imediatamente, a vítima reage com tapas e socos.

Responsável por conduzir a investigação, a titular da 1ª Deam de Porto Alegre, delegada Cristiane Pires Ramos, pediu medida projetiva à vítima, que foi deferida pelo Judiciário. "Nós, eu e minha família, deixamos para que a Justiça defina a penalidade para ele. Fiz a minha parte e procurei procurei polícia, agora é aguardar", acrescenta a mulher.

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