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'Cansei de esperar ele topar casar': quando dar um ultimato no parceiro?

Vanuza estava cansada de esperar e foi atrás dos fornecedores de seu casamento, mesmo o parceiro querendo esperar mais 2 anos - Acervo pessoal
Vanuza estava cansada de esperar e foi atrás dos fornecedores de seu casamento, mesmo o parceiro querendo esperar mais 2 anos Imagem: Acervo pessoal

Rafaela Polo

de Universa, de São Paulo

26/05/2022 04h00

Pessoas diferentes têm desejos diferentes, certo? Mas quando elas estão juntas em um relacionamento é preciso que os sonhos mais profundos estejam minimamente alinhados. Não dá para investir anos em uma relação com uma pessoa que não quer ter filhos, por exemplo, quando o seu maior desejo é ser mãe esperando que o outro mude de ideia. E para evitar que o ultimato chegue, é importante muito diálogo na relação.

"É preciso uma conversa muito clara e objetiva. Às vezes, a pessoa rodeia o assunto, mas não deixa clara a vontade", diz a sexóloga e terapeuta de casais, Lelah Monteiro.

A especialista diz ainda que apesar do ultimato carregar o estigma de "coisa de mulher", muitos homens colocam as parceiras na parede quando o assunto é definir os próximos passos de uma relação. "É importante que, na hora dessa conversa, tenhamos muito claro onde queremos chegar e se o outro vai nos acompanhar nessa vontade", completa.

Um dos grandes erros é achar que, com o tempo e o amor, a parceria vai mudar de ideia e se adequar aos seus sonhos. E um maior ainda é evitar as conversas que levaram a relação a esse momento extremo. "Quando o relacionamento chega a esse ponto, percebemos que não houve um diálogo. Se tem duas pessoas com propostas de vida tão diferentes é um erro achar que vamos convencer o outro no meio do cominho", diz a psicóloga Carolina Freitas, especialista em Sexualidade da Plataforma Sexo sem Dúvida.

"Cansei de adiar a festa de casamento"

Depois de sete anos juntos, Vanuza e Alexandre toparam casar. Mas a iniciativa foi dela. - Acervo pessoal  - Acervo pessoal
Depois de sete anos juntos, Vanuza e Alexandre toparam casar. Mas a iniciativa foi dela.
Imagem: Acervo pessoal

Depois de sete anos namorando, a cabeleireira Vanuza Oliveira Valentim da Matta, de 34 anos, queria casar. O ultimato, mesmo que sutil, veio. "Sempre foi o nosso sonho casar, o meu e o dele, mas ficávamos adiando por falta de dinheiro e comodidade. Ele ficava falando: 'ano que vem', 'quando eu terminar a faculdade'. Então, eu comecei a ver fornecedores", conta.

Na saga de busca para um lugar, seu atual marido, o gerente de vendas, Alexandre Valentim da Matta, de 44 anos, dizia que eles podiam procurar, mas que a festa só aconteceria em dois anos. "Achamos um local que não cabia no nosso orçamento na época. Ele concordou que seria lá, mas que tínhamos que economizar. Mas eu não ia ficar esperando", diz Vanuza.

Ela ligou no espaço, marcou uma visita e levou Alexandre na degustação sem nem avisar. "Perguntei como podíamos fazer para casar e a mulher me disse que tinha uma data aberta em dezembro, o que daria 19 meses de preparação", diz. Este ano, eles completam 5 anos de casados. "Na pressão, topamos juntos", lembra.

Nem sempre alguém tem que ceder

A atriz Aline Müller, de 42 anos, se mudou de cidade a pedido do namorado e eles acabaram terminando em 6 meses  - Acervo pessoal  - Acervo pessoal
A atriz Aline Müller, de 42 anos, se mudou de cidade a pedido do namorado e eles acabaram terminando em 6 meses
Imagem: Acervo pessoal

A atriz Aline Müller, de 42 anos, passou por uma situação em que ceder ao desejo do parceiro a deixou em maus lençóis. Arquiteta de formação, ela tinha uma vida resolvida em São Paulo enquanto o parceiro morava no Rio de Janeiro.

Depois de dois anos juntos, o ultimato veio. "Ele me disse que se eu não me mudasse, ele não ia aguentar e que iria terminar. Como gostava dele, fui com a intenção de trabalhar na minha área. Mas depois de seis meses, ele terminou comigo e me vi sem casa, com meu filho em uma nova cidade e sem fonte de renda", conta.

Como sempre sonhou em ser atriz, e já estava no Rio de Janeiro, resolveu fazer uma mudança de carreira. O que rendeu a ela participações na série "Dom" e "Arcanjo Renegado". "Na minha carreira deu certo, mas me senti pressionada pela mudança. Eu tinha tudo em São Paulo, minha carreira, meu filho na escola. Sabia que seria uma mudança grande, inclusive, preferia que ele fosse pra capital paulista já que não tinha filhos, mas como isso não aconteceu, fui com insegurança e medo mesmo", conta.

Medo de se abrir e como falar

Não é necessário dizer que seu sonho é morar em outro país, comprar a casa própria e ter três filhos logo no primeiro encontro, mas conforme a relação amadurece, os pontos de importância para sua vida precisam estar claros. "Costumo dizer que a separação começa no namoro, quando você não vê que o outro é diferente e insiste, até que chega o momento que fica insustentável", diz Lelah.

Nesses casos, para a especialista, o ideal é curtir a relação, mas não vê-la duradoura em um longo prazo. "A comunicação é importante e devemos caminhar com ela aos poucos. Vamos ter que falar de temas difíceis. Não é fácil, mas é possível e necessário."

Essas conversas também precisam ser repetidas ao longo do relacionamento. "Nós mudamos ao longo do caminho e essas conversas vão precisar se repetir", diz Carolina. Se aos 20 anos você queria morar na Europa e aos 30 não quer mais, não tem problema. O importante é que seus desejos e os do parceiro estejam sempre claros.

Às vezes, o limite de até quando conseguimos enfrentar essas diferenças está na dinâmica ao nosso redor. "Você está vendo amigos e familiares em um movimento, com a vida acontecendo, e parece que é apenas para você que não. Se está com esse sentimento é hora de decidir. Tem muitas pessoas que só dão um próximo passo após um ultimato", diz Lelah.

Mas, acima de tudo, é preciso ter certeza do que realmente quer e estar preparado para seguir nessa jornada, quem sabe, sozinha. "O ultimato não pode acontecer em um momento de crise pessoal. Faça um exercício antes e amadureça a decisão", diz Lelah. Pode ser que o outro a acompanhe. Pode ser que não.

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