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Influencer critica namorada que pede camisinha e médicos rebatem: 'Abusivo'

Gabriel Breier acha absurdo namorada pedir camisinha já que está dentro de um relacionamento - Reprodução/Instagram
Gabriel Breier acha absurdo namorada pedir camisinha já que está dentro de um relacionamento Imagem: Reprodução/Instagram

Luiza Souto

De Universa

24/05/2022 16h49

Apresentado como influenciador digital nas redes, Gabriel Breier afirmou ao podcast "Red Cast" que acha "antibiológico" usar camisinha, e "um absurdo" que a mulher peça ao parceiro com quem tem um relacionamento estável usar preservativo.

Pois num país que registrou 32.701 novos casos de HIV em 2020, sendo 7,8 mil de gestantes, segundo o Ministério da Saúde, profissionais relatam a Universa que atendem cada vez mais pacientes casadas com ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), e afirmam que, ao contrário da fala de Breier, é sensato o uso do preservativo ainda que a pessoa esteja há anos com outra.

"No meu dia a dia vejo inúmeros casos de pacientes com relacionamento estável, namorando ou casadas, apresentando alguma infecção sexualmente transmissível. A mais comum delas é o HPV, que causa o câncer no colo do útero. Então acho que existe um problema relacionado mais à questão da sociedade que acha que a mulher que tem que se preocupar com esse tipo de situação. Essa é uma visão um pouco antiquada", aponta Carlos Moraes, ginecologista e obstetra pela Santa Casa de São Paulo.

E caso haja dificuldade em conversar com aquele parceiro ou parceira que pensa como Breier, Moraes, que é também da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e atua nos hospitais Albert Einstein, São Luiz e Pro Matre, recomenda que ambos frequentem o consultório juntos.

"Tenho visto, no consultório, cada vez mais casais jovens participando consulta e pedindo orientação médica especializada sempre. Essa é a minha orientação médica mais interessante."

"Não conversar sobre camisinha pode ser abuso"

O ginecologista e obstetra Domingos Mantelli ainda acrescenta: "pedir para usar preservativo é um ato de amor".

"É um direito de todos nós nos protegermos de qualquer tipo de patologia além de prevenir uma gravidez indesejada. Lembrando que o método de tabelinha, ou o do coito interrompido não são mais eficazes para a prevenção de gravidez. Eu diria que é essencial o uso do preservativo."

Sobre o coito interrompido, a ginecologista, obstetra e mastologista Jéssica Trafani lembra que as ISTs são transmitidas mesmo quando não há ejaculação.

"Muitas vezes só o contato do pênis na mucosa vaginal já é suficiente. Mesmo durante a ereção, o homem já tem uma quantidade de esperma para lubrificação e isso já é o suficiente para transmitir doenças sexualmente transmissíveis."

E mais: existem doenças sexualmente transmissíveis que podem nunca ter sido diagnosticadas, e por isso é importante que o casal converse para fazer um rastreamento de ISTs antes de iniciar uma relação sexual. "Se você não pode conversar com seu parceiro sobre a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, sobre o uso de camisinha, na verdade você está num relacionamento abusivo em que o que está contando é apenas a opinião de uma pessoa."

A ginecologista e obstetra Camila Ramos, referência em reprodução humana e climatério, ainda lembra: "Se esse homem tirar o preservativo durante o ato sexual sem a mulher permitir, ele estará cometendo um crime."